Cinema

O que ficou do Oscar 2019

Foi uma premiação surpreendentemente boa. E sem apresentador. Teve muitas surpresas, boas e ruins. E controvérsias, claro. Afinal de contas, estamos falando do Oscar. O que seria dessa premiação se não fosse por escolhas controversas e decisões estranhas? Mas esses fatos foram compensados com discursos emocionantes, vitórias marcantes e uma apresentação histórica. Veja abaixo os dez momentos que serão lembrados do Oscar 2019:

Spike Lee fica de costas após o anúncio de Melhor Filme para Green Book: O Guia

Vinte anos após ver o seu filme Faça a Coisa Certa não ser sequer indicado quando Conduzindo Miss Daisy ganhou o Oscar de Melhor Filme, Spike Lee viveu situação muito semelhante na premiação de 2019. BlackKklansman até foi indicado, mas o Oscar entregue a Green Book: O Guia deixou o cineasta furioso, que ficou de costas e depois se dirigiu até o fundo do teatro. No fim, Spike Lee resumiu a sua frustração da seguinte maneira: “toda vez que alguém está dirigindo para outra pessoa, eu perco”. Tudo bem, Spike, a história está do seu lado. O cineasta ainda levou o Oscar de Roteiro Adaptado e fez o discurso político da noite, é claro, convocando a todos para se unirem e fazerem a coisa certa nas Eleições 2020.

Diretor mexicano fez novamente história no Oscar.

Alfonso Cuáron ganha três Oscars, mas perde no final na categoria de Melhor Filme

O diretor mexicano fez de tudo em Roma, o seu filme mais pessoal de sua carreira baseado nas memórias da sua infância. Ele saiu da premiação com as estatuetas de Fotografia, Direção e Melhor Filme Estrangeiro e entrou para a história. Não sei se veremos algo similar acontecendo em qualquer futuro.

Academia deixa controvérsia de lado e entrega Oscar de Melhor Filme a Green Book: O Guia

O pior Melhor Filme desde Crash: No Limite?

É o que se diz aqui e ali assim que a premiação se encerrou. Afinal de contas, com outros filmes melhores entre os indicados (e tantos outros grandes longas que ficaram de fora), entregar o Oscar de Melhor Filme a Green Book: O Guia é tão contraditório quanto o próprio longa. Em uma premiação com tantos prêmios às mulheres e a Pantera Negra, que realmente trouxe a narrativa da cultura negra e afro-americana através da sua perspectiva e não buscando contá-la através de um personagem branco, dar o Oscar a Green Book: O Guia é no mínimo embaraçoso.

Maior performance da história do Oscar?

Lady Gaga e Bradley Cooper fazem interpretação poderosa de ‘Shallow’

Cheguei a comentar no Twitter assim que Lady Gaga e Bradley Cooper saíram do palco que eu tinha visto a maior apresentação de uma Canção Original indicada ao Oscar desde que assisto a premiação (e já vi muitas, mesmo as antigas buscando no YouTube quando eu sequer era nascido). Não sei se foi demais o comentário, tomado pela emoção do momento, mas o que Lady Gaga e Bradley Cooper fizeram foi arte, pois tinha tudo na apresentação: jogo de cena, emoção, entrega e performance. Foi um momento foda (perdão pelo meu francês)!

Ruth E. Carter vence na categoria de Melhor Figurino por ‘Pantera Negra’

O triunfo da diversidade

A luta por um Oscar mais diverso está dando seus resultados e determinando momentos históricos. No domingo não foi diferente: Ruth E. Carter se tornou a primeira afro-americana a vencer Melhor Figurino, e Hannah Beachler, que já havia feito história ao ser a primeira mulher negra indicada na categoria de Design de Produção, saiu da cerimônia com a sua estatueta dourada. Isso sem falar na vitória da animação Homem-Aranha no Aranhaverso e outras vitórias importantes nas categorias de curtas, com histórias que realmente chamam atenção para problemáticas mundiais importantes, como no curta Period. End of Sentence que trata de como a menstruação afeta as vidas e a educação de meninas em zonas rurais da Índia.

Queen e Adam Lambert abriram a cerimônia do Oscar.

Acabou que ter um apresentador não é lá muito importante

Será que alguém sentiu falta do tal host? Eu acho que não. A cerimônia foi mais rápida, sem interrupções desnecessárias e as coisas ocorreram de maneira orgânica. E é surpreendente que isso tenha acontecido, principalmente em uma corrida marcada por tantas decisões ruins da Academia, que chegou ao nível de decidir entregar quatro prêmios durante os comerciais. Então, haviam razões para torcer o nariz. E já que criticamos tanto a Academia, quando eles conseguem acertar em alguma coisa é preciso reconhecer.

Achamos o trio para apresentar a cerimônia no futuro.

O não-monólogo de Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudolph

Se a Academia pensar em ter um apresentador novamente, é melhor que pensem nessas três mulheres. Não faltaram referências hilárias ao Fryre Festival de Ja-Rule e críticas a Donald Trump e o seu muro.

Ou Trevor Noah como próximo apresentador do Oscar?

Apresentações dos oito filmes indicados

Normalmente, é aquele momento que toma ainda mais tempo da premiação e não adiciona muita coisa. Porém, até isso em 2019 foi dinâmico e bom de assistir. De Trevor Noah (com uma crítica a Mel Gibson, por sinal) apresentando Pantera Negra, passando por Tom Morello e Serena Williams falando de Vice e Nasce Uma Estrela, respectivamente, à icônica dupla do Wayne’s World falando de Bohemian Rhapsody, as inserções que pausavam um pouco a entrega dos prêmios se encaixaram muito bem e ajudaram no saldo final positivo que foi este Oscar.

Olivia Colman chocou o Dolby Theatre e depois fez todo mundo morrer de rir.

A chocante vitória de Olivia Colman… E o seu hilário discurso em seguida.

Eu já tinha até preparado o texto na categoria dando a vitória para Glenn Close, quando fui completamente surpreendido pelo anúncio do Oscar para Olívia Colman. Olhei para a TV e estavam Emma Stone, Rachel Weisz e o diretor grego Yorgos Lanthimos quase que fazendo montinho nela. Foi chocante, até que o seu discurso tornou o choque engraçado e esquecível por um breve momento.

Rami Malek foi premiado como o Melhor Ator

Com quatro Oscars, Bohemian Rhapsody é o maior vencedor da noite

Que loucura, né? Um filme que não tem diretor, o qual foi demitido em razão das recorrentes acusações de abusos sexuais, e bastante problemático em sua montagem e a storytelling como um todo. Ainda assim, a cinebiografia do Queen e de Freddie Mercury saiu como o grande vencedor. É insano, mas esse foi o Oscar 2019.

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