“O Regresso” é uma experiência cinematográfica visceral

A primeira sequência de O Regresso dá a impressão de que vamos assistir um filme sobre guerra, que remete às disputas territoriais entre americanos, índios e outros colonizadores que se aproveitavam do mercado para também lucrar. Mas é completamente diferente do esperado. O Regresso é uma experiência cinematográfica dessas que ficam por muito tempo em nossas mentes. É preciso ter estômago para assistir o filme. E a recompensa vale a pena.

Leonardo DiCaprio vive Hugh Glass, que está no oeste americano caçando juntamente com outros grupos para ganhar dinheiro. Sendo também um guia da expedição em que se encontra, e que tenta atravessar o caminho sem ser notado pelos índios da região, Glass é atacado por um urso e a sua sorte é colocada à prova. Com o corpo totalmente destroçado, ele consegue sobreviver. Mas depois inicia uma jornada de vingança contra John Fitzgerald (o sempre ótimo Tom Hardy), que o deixou para morrer e ainda por cima roubou os seus pertences.

Durante quase três horas, testemunhamos uma sessão de tortura à qual o personagem de Leonardo DiCaprio é submetido. Uma tortura física e emocional que o ator “se mata” para traduzir, sendo tão visceral quanto o próprio filme, que foi dirigido no limite das condições climáticas mais impressionantes pelo mexicano Alejandro González Iñarritu. A selvageria de O Regresso não está apenas na crueza com que Iñarritu filma, mas também em como a natureza é agressiva ao mesmo tempo em que oferece opções de sobrevivência.

Apesar da violência do filme, O Regresso tem bons momentos em que soa poético e até nos remete aos filmes do diretor Terrence Malick. Em O Novo Mundo (2005), por exemplo, Malick se inspirou nas aventuras do capitão John Smith e Pocahontas para realizar um filme histórico sobre a fundação de Jamestown. Rodeado por bastante mata primitiva, Malick filma com o cuidado e a contemplação de sempre, algo que o próprio Iñarritu também realiza em algumas passagens de O Regresso.

Assim, cenas impressionantes não faltam em O Regresso. E a direção de Iñarritu praticamente nos coloca dentro de toda aquela paisagem congelante e que, com os planos abertos e o trabalho excepcional do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (também responsável pela experiência que foi Birdman em parceria com o mesmo diretor), nos dá a sensação exata de que o lugar é ameaçador e que nós, seres humanos, somos algo muito pequeno dentro de todo aquele lugar.

Assista o trailer:


Crédito da Imagem: Divulgação

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