Descobri por acaso na manhã de segunda-feira (11) que o Globo de Ouro iria anunciar os indicados para a sua 75ª premiação. Para minha surpresa, foi a primeira vez em anos que eu não estava dando a mínima para o prêmio – e olha que sou viciado nessas coisas. Muita gente já tinha me alertado da irrelevância do Globo de Ouro, direta ou indiretamente. Mas eu custava a acreditar. Até que em 2017 me dei conta de que não vale mesmo a pena se preocupar com esse prêmio, por muitos motivos: 1) não vai influenciar em nada o Oscar e outros prêmios dos sindicatos, independentes e de críticos; 2) a mais importante questão, o Globo de Ouro virou motivo de piada.

A essa altura eu não estou contando nenhuma novidade, certo? Porque um prêmio que indica o ator principal de Corra!, um filme de suspense e altamente relevante lançado neste ano, em uma categoria de Comédia ou Musical desafia os limites do compreensível. Isso porque em edições anteriores o Globo de Ouro já havia virado piada ao colocar Perdido em Marte como Comédia ou Musical. E me parece que o prêmio sente esse prazer de não agradar a todos, ou de alimentar a birra, porque a cada edição que passa somos cada vez mais surpreendidos – e não são surpresas em termos de bons filmes que de algum jeito chegaram lá, mas sim por decisões que justificam o prêmio ser hoje reconhecido por sua falta de seriedade.

Minha reação ao ver os indicados (ao menos uma parte) nesse ano (veja a lista aqui) foi muitas vezes de choque. Como a presença de Todo o Dinheiro do Mundo, conhecido hoje por ser o filme que substituiu o ator Kevin Spacey, com sérias acusações de assédio sexual, por Christopher Plummer – que, inclusive, também foi indicado. Aqui afirmo sem levar em consideração o merecimento, mas me parece que obras como Doentes de Amor, Lady Bird e Mudbound: Lágrimas no Mississippi poderiam (e deviam) estar entre as indicadas. Como a imprensa americana gosta de dizer, “pareceu que os membros do Globo de Ouro estavam condecorando seus velhos amigos”. E nesse processo, não deixaram espaço para a inclusão – Patty Jenkins e Greta Gerwig fora da competição como Melhor Direção, e Jordan Peele fora como Melhor Roteiro.

As categorias de TV também têm seus problemas, com as ausências de Mindhunter, Twin Peaks, The Deuce, The Leftovers, American Vandal, Dear White People, Halt and Catch Fire e Godless. E todas estas séries estiveram no centro das discussões nesse ano, seja por nos provocar ao debater temas importantes para a nossa sociedade ou por desafiarem a audiência ao fugirem do comum que a televisão tanto se acostumou a entregar

Mais uma vez o Globo de Ouro atestou aquilo passamos a perceber: a premiação não tem mesmo nenhuma relevância. É claro que nos próximos dias os perfis oficiais dos estúdios e dos filmes vão encher a timeline nas redes sociais de cartazes comemorando as indicações. É porque, comercialmente, o Globo de Ouro talvez ainda ofereça algum destaque e faça sentido. Mas não para quem se considera cinéfilo ou louco por série.

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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