Organização do Oscar corre para acompanhar discussões raciais da sociedade americana

Os Estados Unidos vêm discutindo continuamente sobre “white privilege” (privilégio branco, em tradução livre) por conta das inúmeras situações de preconceito racial que tomam conta da agenda nacional. Essa conversa se intensificou principalmente com os indicados para o Oscar (dia 14) deste mês e o Martin Luther King Day, que este ano foi comemorado no dia 19 de janeiro.

O país enfrenta um forte momento de questionamento social por parte dos negros com o movimento #BlackLivesMatter, que vem reunindo pessoas por meio das redes sociais e realizando manifestações a fim de criar espaços e oportunidades para diminuir o racismo.

Nesse contexto, a lista de indicados ao Oscar desencadeou uma série de protestos por parte de atores e diretores negros e brancos que participam ativamente da Academia. Tudo começou com o diretor, ator e produtor Spike Lee (como publicamos aqui), que anunciou prestar um boicote à cerimônia, não participando do evento por conta da falta de diversidade entre os indicados. Ele foi seguido por George Clooney, Lupita Nyong’o e Mark Ruffalo, que manifestaram descontentamento com o posicionamento da organização.

willWill Smith e Jada Smith não devem comparecer à cerimônia | Foto: Oscar/Divulgação

Will e Jada Pinkett Smith também prometeram não ir à cerimônia. “A gente já discutiu isso. Nós somos parte dessa comunidade. Mas nesse momento seria estranho se a gente aparecesse e dissesse que está tudo bem”, afirmou Will ao programa Good Morning America. Ele completou: “da minha parte, eu acho que a gente tem que proteger e lutar pelos ideais que fazem do nosso país e nossa comunidade de Hollywood sensacionais. E quando eu olho para as indicações desse ano eu não vejo essa beleza refletida”. Will é um dos atores negros que mereciam estar entre os indicados ao Oscar deste ano (confira nossa lista completa aqui).

No entanto, teve gente que teve coragem de questionar as manifestações a favor da diversidade da cerimônia. A indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Charlotte Rampling disse ao Radio 1 francês que a controvérsia a favor da diversidade de indicados ao prêmio é “racismo contra brancos”. Ela completou: “nós nunca poderemos saber, talvez os atores negros não mereceram estar na lista final. Nós temos que tomar por isso que deve haver um monte de minorias em todos os lugares?” No fim do dia, Rampling explicou seu comentário como mal interpretado e pontuou que em um mundo ideal todas as performances deveriam ser consideradas com a mesma qualidade de oportunidade.

boonesA presidente da Academia se disse decepcionada com a falta de diversidade nas indicações | Foto: Oscar/Divulgação

A discussão e o posicionamento da comunidade da Academia parece estar levando a algum lugar, e deverá mudar a forma como são feitas as indicações ao maior prêmio do entretenimento internacional. Quinta-feira passada, 21 de janeiro, a organização do Oscar se reuniu para discutir como implementar ações que tornem as indicações mais diversas – até 2020.

A presidente Cheryl Boone Isaacs anunciou um plano de quatro anos para renovar o quadro de membros da Academia. A partir de agora o pertencimento à organização terá prazo limite de dez anos e só será renovado caso o membro em questão tenha contribuído com a indústria cinematográfica durante a década. Com isso a instituição busca eliminar os membros da velha guarda que não mais contribuem para o cinema e atualizar o quadro de votantes.

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