Cinema

'Os Capacetes Brancos' acompanha rotina de resgates na guerra civil da Síria

Perde-se totalmente a noção de quantos sírios são mortos ou feridos diariamente nos bombardeios que agravam cada vez mais a guerra civil na Síria. Desde que a Rússia resolveu entrar no conflito e apoiar o regime, os ataques intensificaram e os alvos passaram a ser hospitais, escolas e bairros inteiros que, completamente lotados de civis e inocentes, são dizimados em poucos segundos.

Há, no entanto, um grupo de resgate formado por sírios comuns que querem contribuir. Mas ao invés de pegar em armas, eles usam um capacete-branco e são os primeiros a chegarem no local de um bombardeio para salvar seus irmãos sírios entre os escombros, saindo do local após a certeza de que não é possível encontrar mais nenhum inocente ou quando não há mais corpos a serem retirados.

Indicado ao Oscar de Melhor Curta-Documentário e disponível no serviço de streaming Netflix, Os Capacetes-Brancos é um filme que dá nós na garganta durante os quarenta minutos de duração. Ressalta a coragem desse grupo de pessoas comuns que, como qualquer outro cidadão sírio, tinha uma profissão. Tem um, por exemplo, que era alfaiate. E quando a guerra civil estourou, buscaram treinamento específico de como agir nos momentos de resgate. E na prática, apesar de mais cem integrantes já terem perdido suas vidas em pouco mais de um ano, durante o mesmo período eles conseguiram salvar 57 mil pessoas.

São vidas que poderiam ter engrossado ainda mais a estatística que, sinceramente, não tive vontade de correr atrás dos números para saber quantas vítimas a guerra já fez. O diretor Orlando von Einsidel acompanha muitos deles lá no meio do conflito, durante alguns resgastes e conta suas histórias de vida; há um que perde o irmão no bombardeio e é apoiado pelos seus colegas; há outro que diz que é preciso ter coragem para continuar fazendo o que eles fazem; e há em todos eles a esperança por um futuro melhor. Para eles, isso é sentido na imagem do “Bebê Milagroso”, história que é contada no documentário de um recém-nascido de apenas uma semana de vida que é resgatado com vida em meios aos destroços.

Quando os integrantes do Capacetes-Brancos reencontram o bebê um ano após aquele resgate, há uma comoção que invariavelmente atinge também quem está assistindo. E o documentário é pontuado por diversos momentos assim quando, como seres humanos que somos, conseguimos sentir a dor pela perda de um irmão, a aflição pela falta de notícias da família enquanto bombas e mais bombas são jogadas em Aleppo e tudo se converte por uma impotência que muitos deles também sentem. No final, restam apenas a Fé e a União porque é o que movem esses homens e mulheres comuns a serem heróis.

Assista o trailer:

Conheça e apoie os Capacetes-Brancos.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix

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