Séries

‘Os Defensores’ não justifica o propósito de ter sido produzida

Quando escrevi sobre os quatro primeiros episódios da minissérie Os Defensores (leia aqui), apontei que a produção tinha algumas falhas mas havia uma esperança de que as coisas pudessem melhorar. Sem querer ser “aquele do contra”, fiquei surpreso ao longo dos últimos dias com a quantidade de elogios que a série recebeu por alguns “especialistas”. Fico me perguntando se assistimos a mesma série, porque a minha impressão é que Os Defensores fica ainda mais pior e aborrecida à medida que chega ao fim.

São tantos os problemas. Primeiro porque Os Defensores não tem nenhum compromisso temporal com a continuidade das cenas, algo básico para uma edição bem estruturada e uma montagem que dê forma e sentido à história. Mas o pior dos problemas reside mesmo na história e em uma ameaça que nunca se consolida. Pelo contrário: os conflitos e os arcos narrativos são tão pobres que Os Defensores perde tempo com personagens secundários, dando inclusive mais importância a eles em alguns momentos em detrimento do que de fato acontece com os protagonistas da série.

A trama é muito simples e Os Defensores precisam derrubar a organização Tentáculo, que tenta raptar o Punho de Ferro para abrir uma passagem secreta que devolverá aos anciões do Tentáculo a fonte de uma substância que os manterão imortais. Tão poderosos quanto Os Defensores, eles contam com a ajuda de uma arma humana, o Céu Negro (também conhecido como Elektra), ressuscitada por Alexandra (a chefe da organização) para cumprir os objetivos de destruir Nova York (como sempre).

Foto: Divulgação/Netflix

LEIA TAMBÉM: ‘The Wire’ quase decepciona na última temporada, mas continua sendo uma obra-prima

Na construção dessa trama (e volto a repetir) simples, Os Defensores perde tempo em diálogos sofríveis como aquele de Luke se negando a derrubar um prédio vazio só porque ele queria proteger pessoas inocentes, que não estavam dentro daquele complexo. Ou mesmo Stick, que retorna oferecendo todas as respostas em mais um exemplo de diálogos apenas expositivos que a série se preocupa em registrar. Pior do que isso só mesmo as cenas de ação, as quais deveriam ser uma virtude da série para ao menos compensar um roteiro tão frágil e pobre.

Se o roteiro apresenta falhas o mesmo vale para a direção dos episódios, costumeiramente perdidos sem qualquer noção de espaço e que tentam desesperadamente criar planos que não foram concebidos a favor da linguagem da série – minha teoria é que os diretores dos episódios queriam mostrar que sabem filmar e fazer contra-plongée. Fica claro também que oito episódios são muitos para uma história que facilmente poderia ser contada em três (ou quatro) capítulos. O que eu sei é que depois de ver essa temporada de Os Defensores, precisarei passar por uma desintoxicação de Kun-Lun e todas essas figuras míticas colocadas na série, que não justifica ter sido realizada.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *