Cinema

Os dez melhores filmes de 2017 (até agora)

Eu normalmente tenho um pouco de resistência a fazer listas, mas estou testando mais esse novo formato aqui no blog (e também como escrita) para deixar os posts mais dinâmicos. Por isso, ao contrário de esperar até dezembro para aquele compilado de melhores do ano, aproveitei o término do semestre (e a onda da Internet pelo tema) para publicar aqui os melhores filmes que assisti até agora em 2017 (essa semana ainda sai de séries).

Essa é uma lista baseada nas estreias de filmes no Brasil – há exceções, como aponto no decorrer dessa seleção. Então, vamos aos dez mais filmes?

10. John Wick: Um Novo Dia Para Matar (Dir: Chad Stahelski)

Eu sinceramente não sei até quando ficarei surpreendido com John Wick, mas é impressionante o que a dupla Stahelski e Kolstad estão conseguindo criar, construindo um mundo próprio para John Wick que a cada filme vai sendo expandido e se tornando mais fascinante. Além da boa história, essa continuação do primeiro filme mantém as boas sequências de ação e mais uma vez impressiona o quanto Keanu Reeves se sente bem no papel. Se no primeiro momento fica a impressão de que John Wick vai se repetir quando mais uma vez o lendário assassino de aluguel se vê obrigado a retornar da aposentadoria, o que vemos é uma dimensão enorme que essa narrativa ganha. Não sei mais quantos filmes terá, sei que estou ansioso pelo próximo.

9. Eu Não Sou o Seu Negro (Dir: Raoul Peck)

Usando rascunhos de um livro nunca concluído por James Baldwin, escritor e ativista, o documentário dirigido pelo cineasta haitiano Raoul Peck é uma obra necessária que chama atenção para a luta contra o racismo. Baldwin participou do movimento dos Direitos Civis e foi amigo dos líderes Malcolm X e Martin Luther King Jr., Eu Não Sou o Seu Negro questiona se houve progresso, concebido pelos movimentos na época, logo na cena de abertura. E a partir daí cada nova história, cada nova derrota e morte, é sentida como um soco no estômago.

8. Okja (Dir: Bong Joon Ho)

O novo filme do diretor coreano Bong Joon Ho estreou no limite e ainda deu tempo de entrar na minha lista. Após o irregular O Expresso do Amanhã, Okja é um filme que mantém a versatilidade do cinema que o diretor faz. E a mensagem trazida pelo cineasta em Okja é também urgente, já que acompanha a garota Mija lutando contra uma grande corporação que pretende levar o seu bichinho de estimação, a superporca Okja, para o abate. Bong Joon Ho transita bem entre os diferentes grupos que preenchem essa narrativa, criando uma história coesa e bonita ao mesmo tempo.

7. Mulher Maravilha (Dir: Patty Jenkins)

Eu tinha muitos receios sobre o filme da Mulher Maravilha – talvez por não confiar que a DC Comics pudesse realizar um bom filme após os desastres que foram Batman vs Superman e Esquadrão Suicida. E como é bom estar errado. Mulher Maravilha é uma agradável surpresa e de maneira leve e bem contada traz a história da superheróina desde o início. Gal Gadot tem algumas limitações, mas não compromete como a protagonista, enquanto que a diretora Patty Jenkins faz um ótimo trabalho ao dar segurança para o filme – principalmente nas sequências de ação.

6. Silêncio (Dir: Martin Scorsese)

Todo filme de Martin Scorsese parece ser pessoal, mas Silêncio deve ter elevado isso a um outro nível. Foram quase 30 anos tentando filmá-lo. E Scorsese faz um filme belíssimo, tanto visualmente quanto pelas questões e reflexões que evoca. O questionamento sobre a Fé e até que ponto vale a pena submeter um povo a situações dolorosas com objetivo apenas de espalhar uma Religião pelo mundo sem levar em conta (ou respeitar) as particularidades de cada região, faz de Silêncio um filme relevante nesses temos sombrios que vivemos. A partir disso, Silêncio também é um estudo de personagem o qual Martin Scorsese conduz de forma brilhante do início até o fim.

5. Graduation (Dir: Christian Mungiu)

O diretor romeno Christian Mungiu é um dos meus favoritos e o seu mais recente trabalho, Graduation (ainda inédito no Brasil), é mais uma prova da sua competência como contador de histórias. Se em 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias ele choca pela maneira crua com que trata o aborto, ele mais uma vez não demonstra compaixão ao expor o declínio de uma Romênia mergulhada em corrupção ao trazer a história de um pai que faz o que é necessário para sua filha conseguir as notas para passar nos exames finais do colégio e receber a sonhada bolsa para estudar em Londres que mudará a sua vida. Mungiu deixa claro que não há boas intenções nas decisões do pai, que vai se afundando mais e mais à medida que a narrativa avança – sufocando não só ele como também nós que assistimos.

4. Personal Shopper (Dir: Olivier Assayas)

O cineasta francês Olivier Assayas é um dos diretores mais interessantes há algum tempo, desde os ótimos Espionagem na Rede (2002) e Horas de Verão (2008), além de alguns trabalhos de engajamento político como em Depois de Maio (2012). Transitando entre o thriller e o drama convencional, Assayas consegue assustar e prender nossa atenção em Personal Shopper ao entrar na psique da protagonista, Maureen Cartwright (muito bem interpretada por Kristen Stewart), que vive dividida entre se conectar com o espírito do seu irmão gêmeo na antiga casa que moravam e lidar com uma complicada estrela do show business para quem compra roupas que esta usará em eventos em diferentes países. Olivier Assayas descarta a ideia de fazer um filme de fantasma convencional, optando muito mais pela ideia de nos provocar escondendo o que mostrar.

3. Logan (Dir: James Mangold)

O derradeiro capítulo de Wolverine é um filme que em nada se assemelha a qualquer outra produção de super-heróis. Logan é um filme que, como a trilogia Batman dirigida por Christopher Nolan, será lembrado pela definição de um formato, pela ousadia de apostar em uma estrutura narrativa mais séria e humana. Os mutantes em Logan não passam de histórias em quadrinhos, e a luta do herói é muito mais por sobrevivência própria do que salvar a humanidade ou o mundo. Situado em um clima desértico envolto por um sentimento de decadência, representado tão bem pela cápsula onde o Professor Xavier é mantido, Logan é o melhor filme feito pela Marvel.

2. A Criada (Dir: Chan-Wook Park)

Alguns temas comuns permeiam o cinema do diretor sul-coreano Chan-Wook Park. A vingança, a violência e o sexo como forte conexão entre os personagens, são elementos recorrentes em cada um de seus filmes. A trama de A Criada é uma adaptação do livro de Sarah Waters, o romance “Na Ponta dos Dedos” (2002). Mas ao contrário de ambientar a história na mesma Londres do século 19 no qual o livro de Waters se passa, o diretor e o roteirista Chung Seo-kyung leva a história para a Coreia dos anos 30 sob o domínio japonês. A narrativa provocativa de Chan-Wook Park é o grande trunfo de A Criada, já que acompanhamos o plano e a relação entre Sook-Hee e Lady Hideko através de pontos de vista diferentes, sendo um exercício bergmaniano bem-sucedido em cada quadro, composto de maneira tão cuidadosa que só um artista como Chan-Wook Park é capaz de criar.

1. Corra! (Dir: Jordan Peele)

Vai ser difícil tirar Corra!, do estreante diretor Jordan Peele, de qualquer lista dos melhores filmes desse ano – e quanto menos souber sobre a história melhor será a experiência. Desde o festival de Sundance que o filme vinha sendo bem falado e consegui me manter longe de saber sobre o que de fato era a trama do filme. O que torna Corra! o melhor longa-metragem desse primeiro semestre de 2017 é a forma inteligente com que Peele constrói o filme, usando uma questão social (o racismo) presente na nossa sociedade como terror social e psicológico que leva o protagonista Chris (Daniel Kaluuya) a viver um verdadeiro inferno quando vai visitar a família da sua namorada branca. Corra! é angustiante, toca na ferida que por vezes a sociedade decide dar as costas, e é também um belo exercício de linguagem cinematográfica.

E quais os melhores filmes de 2017 para vocês até o momento? Deixa aí nos comentários!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *