Os filmes de Tarantino ranqueados do pior ao melhor

O nono filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez Em… Hollywood estreia nos cinemas no próximo dia 15 de agosto. O longa-metragem traz Leonardo DiCaprio e Brad Pitt como os protagonistas, interpretando uma estrela da indústria em decadência buscando se reposicionar em um período de transição do cinema e seu ex-dublê com um passado misterioso e desconhecido. Quentin Tarantino tem declarado, desde quando Era Uma Vez Em… Hollywood foi exibido no Festival de Cannes, que este seu nono filme é uma homenagem à indústria cinematográfica em seu período de maior efervescência e relevância.

E como ele também tem dito várias vezes, é possível sim que seja o seu último longa-metragem. Não é a primeira vez que Tarantino fala abertamente sobre isso. Ele já confessou que deseja filmar dez filmes e se aposentar, ter uma filmografia fechada para os críticos, fãs e cinéfilos poderem analisar. Enquanto vivemos nesse impasse, o que nos resta é criar listas. Porque Tarantino é o tipo de cineasta que eu gosto: cresceu cinéfilo dentro de uma videolocadora, é obcecado pelo cinema e criou clássicos instantâneos que estão já marcados na história desta arte. Então, resolvi fazer um ranking com todos os seus filmes, do pior ao melhor. Confira abaixo:

9. Prova de Morte (2007)

Lançado como parte do catálogo da Grindhouse quando o diretor Robert Rodriguez lançou a primeira metade do filme intitulado como Planeta Terror, Prova de Morte é um longa-metragem que mostra Tarantino pouco ambicioso, sem muita expressão em desenvolver a narrativa ou mesmo na questão dos diálogos. O diretor filma grandes sequências de ação que envolvem corrida e perseguição, mas esse é o único ponto positivo do filme. E não me recordo de um filme do diretor ter durado menos de 2h, com exceção de Cães de Aluguel, justamente sua estreia.

8. Kill Bill: Volume 2 (2004)

Me recordo da expectativa que eu tinha pela sequência de Kill Bill após ter assistido o primeiro filme nos cinemas. Acho que eu queria ver ainda mais sequências de lutas na segunda parte, que foram tão bem coreografadas e marcantes no Volume 1. Estou precisando rever para poder tentar mudar de opinião, dar uma nova chance. Meu problema com o filme é que o tom de mais cadência do Volume 2 não me captou, mesmo gostando do desfecho que Quentin Tarantino resolve para a Noiva (Uma Thurman).

7. Django Livre (2012)

Primeiro filme lançado por Tarantino após a morte da sua fiel montadora Sally Menke. E Django Livre tem um grave problema de ritmo, a monotonia do roteiro cujos diálogos não são envolventes deixam pouco espaço para se aprofundarem nos personagens e acabam chamando atenção mais precisamente para o texto (como se Tarantino quisesse mostrar o quanto sabe escrever) do que necessariamente para a trama. Mesmo a violência surge meio sem propósito. A única sequência que realmente me recordo é já próximo do fim na fazenda do personagem vivido por Leonardo DiCaprio, que entrega uma firme e sólida atuação. Um filme burocrático, apesar de ter a marca de Quentin Tarantino em cada referência à cultura pop, ao cinema e às suas próprias obras.

6. Jackie Brown (1997)

Único filme de Quentin Tarantino baseado em uma obra já existente, o livro “Rum Punch” de Elmore Leonard, Jackie Brown já esteve melhor posicionado nessa minha lista. Revi a obra há uns dois anos e confesso que teve muitas coisas ali que eu acabei não gostando nesta segunda visita. Justamente por causa disso, Jackie Brown é o filme menos “tarantinesco”, talvez porque ele se prende à história do livro. Ao não tentar destoar ou se distanciar tanto assim da trama termina provocando um filme muito problemático, principalmente no segundo ato. Ainda assim, Jackie Brown vale pela ousadia de Tarantino de se provocar e não ser repetitivo, percorrendo por vários gêneros sem a busca por nenhum rótulo. Isso permeou toda a sua carreira. E Jackie Brown torna essa mensagem clara.

5. Os Oito Odiados (2015)

O filme aborda um problema que o diretor já havia analisado antes, que é a relação racial nos Estados Unidos pós-Guerra Civil. E apesar de achar o início do filme em todo aquele caminho pela forte nevasca enfadonho, mas necessário, Tarantino guarda os melhores momentos para as sequências de tensão e claustrofobia que se passam em um estaleiro, onde a trama vai pouco a pouco adicionando novas camadas e aqui Tarantino mostra toda a sua genialidade como contador de história. Os Oito Odiados me fisgou, um estudo de personagem competente de um diretor que faz cinema de autor com todos os significados que essa expressão pode ter.

4. Kill Bill: Volume 1 (2003)

É muito difícil pra mim fazer um ranking dos filmes de Tarantino quando vai chegando próximo dos três primeiros lugares. Os Oito Odiados poderia facilmente estar em quarto lugar ou mesmo em terceiro. Kill Bill: Volume 1, no entanto, é um filme que faz parte da minha memória afetiva, pois me recordo do quanto eu e meus amigos de adolescência estávamos aguardando esse filme estrear nos cinemas para irmos correndo assistir. E após termos visto, foram dias discutindo e conversando sobre a obra. O tema vingança nesse longa-metragem é mais escancarado, com o personagem da Noiva partindo para provocar uma letal e desenfreada carnificina contra aqueles que a deixaram para morrer. Kill Bill: Volume 1 é brutal, violento e cheio de referências aos clássicos do gênero de artes marciais.

3. Cães de Aluguel (1992)

Para os padrões de Quentin Tarantino, Cães de Aluguel é um filme objetivo. Sem muitos rodeios, o diretor apresenta de cara a história com referências claras aos filmes de assalto. Essa objetividade, talvez, se explique porque Tarantino estava se revelando para a indústria. E encontrou uma forma impactante de fazer isso, revigorando um gênero que na época estava adormecido ou nunca recebeu muito reconhecimento por parte da crítica. Em pouco tempo os cinéfilos conheceriam as particularidades do diretor e sua extrema competência em transformar situações às vezes triviais, ou que parecem que não chegarão a lugar nenhum, em reviravoltas alucinantes. Por isso Cães de Aluguel é um clássico instantâneo.

2. Bastardos Inglórios (2009)

Mais uma vez, no centro da trama o tema vingança. E aqui o diretor aposta em duas narrativas que têm um clímax perfeito na sessão de um filme de propaganda da Alemanha nazista. Acompanhamos a trama vingativa dos Bastardos e da francesa Shosanna. E tudo feito de forma divertida, dando espaço para se sobressair um dos grandes vilões da sua filmografia, o caçador de judeus Hans Landa interpretado magistralmente por Christoph Waltz (o qual depois em alguns personagens se tornou a cópia dessa atuação). Brad Pitt, que supostamente deveria viver o herói, tem uma atuação apagada. Mas Bastardos Inglórios vale mais pela trama, pelo clímax épico e pelo texto extremamente divertido.

1. Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994)

Podem ser feitas inúmeras listas dos melhores filmes de Quentin Tarantino, vai ser impossível não colocar Pulp Fiction em primeiro lugar. Foi nesse longa-metragem que Tarantino se estabeleceu e ocupou a sua posição como um dos melhores cineastas da sua época, tendo a sua obra já um lugar reservado na história do cinema. São muitas cenas icônicas, um filme que parece nascer clássico desde o primeiro momento. Além disso, Tarantino mostra habilidades não só com o texto, com os diálogos e em costurar a trama tão perfeitamente bem, mas principalmente como diretor de cena (e de atores), sabendo estabelecer a tensão em passagens como aquele plano sequência de Bruce Willis ou a clássica dança entre John Travolta e Uma Thurman. Uma cena, no entanto, para mim sempre me fará lembrar de Pulp Fiction como o melhor de Tarantino quando John Travolta acidentalmente mata Marvin. E a naturalidade como ele fala “oh, man, I shot Marvin in the face” reproduz pra mim o quão habilidoso Quentin Tarantino é com o seu texto e sua direção.

Agora qual posição será que Era Uma Vez Em… Hollywood vai ocupar na filmografia do diretor? E será que estamos próximo mesmo de ver um cineasta tão importante se aposentando? Respostas que só o tempo dirá.

Vinícius Silva
Sou formado em Jornalismo e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. O vício em Filmes, Séries e nas Artes em geral me levaram à escrita.

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