Cinema

Os melhores Filmes de 2017

O ano de 2017 foi pessoalmente difícil, mas muito bom em termos de filmes. Consegui assisti bastante coisa, inclusive alguns filmes antigos que estavam há tempos em minha Watchlist no Letterboxd. E eis agora aquele momento difícil de compilar tudo o que eu consegui ver nesse ano em uma lista. De antemão, preciso dizer que eu tentei diversificar o máximo que eu pude trazendo tantos filmes do circuito comercial quanto outros do circuito independente. Nesse ano, consegui ver apenas 276 filmes – um número baixo se eu for comparar com anos como 2007 ou 2008, mas alto se comparado a 2014 ou 2013.

A meta era tentar ver ao menos um filme por dia, mas é impossível dada a correria do dia a dia. Nesse final de dezembro, ainda consegui me adiantar e ver alguns filmes que tinham sido lançados mas que estavam numa fila quase deixando-os escapar para o ano seguinte. Entretanto, consegui vê-los e deu tempo de colocar alguns (não todos) aqui nessa lista final. Para ver mais sobre todos os filmes que eu assisti, inclusive com alguns trechos de resenhas, basta acessar o meu Letterboxd, certo? Confira a lista:

20. Jonas e o Circo sem Lona (Dir: Paula Gomes)

O primeiro filme da diretora baiana Paula Gomes é um documentário que, mesmo com suas imperfeições, arranca de seu personagem-título os mais puros e verdadeiros sentimentos. Porque a câmera é digna de críticas, como bem fica pontuado em certo momento quando a diretora da escola de Jonas diz que aquele documentário não deveria ser feito por causa da falta de compromisso de Jonas com os estudos. Seu foco está no circo, que o vemos alegremente montando para seus vizinhos na periferia de Salvador usando o quintal da casa da sua avó.

O que a diretora da escola não entende é que Jonas tem um sonho, assim como todos nós. Um sonho no qual o vemos em conflito na maior parte do tempo, entre o seu desejo de se juntar ao circo mantido por seu tio e a recusa da mãe em não deixá-lo ir. Só queria dizer a Jonas que não há nada do que se envergonhar nesse documentário. A sua história ainda está sendo escrita, pois é nos obstáculos que o caminho é feito.

19. Além das Palavras (Dir: Terence Davies)


“Diga algo além da verdade e eu chamarei de poesia” – Emily Dickinson

Nessa cinebiografia da escritora americana Emily Dickinson predomina a capacidade do diretor Terence Davies de gerenciar bem a narrativa, ou seja, pontuando a trajetória da autora com poemas narrados em off e seus próprios conflitos de não se achar bonita o suficiente para se casar e sua rejeição à Deus. Por outro lado, o filme mostra toda a dedicação do seu trabalho e à sua família. Além das Palavras é um filme cadenciado, mas que cumpre bem o papel de narrar a história de uma importante autora da literatura mundial. E apesar de Emily “sempre dramatizar tudo”, Terence Davies nunca deixa o tom dramático se sobressair às sutilezas da história, condensadas muito bem em forma de diálogos.

18. Marjorie Prime (Dir: Michael Almereyda)

Em tempos de tantos assistentes pessoais como Alexa, Siri, Marjorie Prime pensa em algo além quando em um futuro não muito distante estaremos nos relacionando também com hologramas. No filme dirigido por Michael Almereyda, baseando-se numa peça do autor Jordan Harrison, os hologramas servem para substituir familiares que já morreram. Marjorie (Lois Smith) está vivendo seus últimos dias e cura um pouco da sua depressão da perda do marido Walter com o seu holograma (Jon Hamm). Pouco a pouco vamos descobrindo também que Marjorie Prime oferece muitas outras camadas desse ciclo previsível de nascimento e morte.

Minha impressão é de que o filme poderia ser mais sutil em determinadas passagens, ao invés de dar pistas como se quisesse guiar o espectador através dos seus próprios sentimentos acerca da história. Apesar disso, Marjorie Prime é um filme bastante humano, que se revela debatendo as questões de finitude da vida ao mesmo tempo que alimenta uma obsessão para encontrar formas de lidar com essa dor e depressão. Sem falar que Tim Robbins, Geena Davis, Jon Hamm e Lois Smith estão em grande performance. Uma pena que a temporada de premiações não tenha reconhecido isso.

17. Na Praia à Noite Sozinha (Dir: Sang-soo Hong)

O que mais me envolve no cinema do cineasta sul-coreano Sang-soo Hong é a honestidade do seu roteiro. Seus filmes não são acompanhados por nenhum primor técnico – às vezes se parecem com alguma reportagem que assistimos em telejornais. Mas o seu texto se sobressai. Na Praia à Noite Sozinha é um dos quatro lançamentos de Sang-soo no ano (nessa lista você vai encontrar outro mais à frente), sendo mais um filme dessa fase em que ele está tentando se reconciliar consigo mesmo. Certo Agora, Errado Antes (2015) já tratava da solidão muito bem e Na Praia à Noite Sozinha se utiliza da mesma atmosfera ao acompanhar a atriz famosa Yonghee, cuja vida foi exposta após ter tido um relacionamento com um homem casado (isso vai ficar mais claro em seu outro filme que aparece nessa lista). Cogitando abandonar a carreira, ela se refugia em Hamburgo durante um tempo até voltar para a Coréia do Sul onde, na companhia dos seus amigos, passa a pensar em seu futuro e sua honestidade acaba criando conflitos no grupo.

16. John Wick: Um Novo Dia para Morrer (Dir: Chad Stahelski)

Eu sinceramente não sei até quando ficarei surpreendido com John Wick, mas é impressionante o que a dupla Stahelski e Kolstad estão conseguindo criar, construindo um mundo próprio para John Wick que a cada filme vai sendo expandido e se tornando mais fascinante. Além da boa história, essa continuação do primeiro filme mantém as boas sequências de ação e mais uma vez impressiona o quanto Keanu Reeves se sente bem no papel. Se no primeiro momento fica a impressão de que John Wick vai se repetir quando mais uma vez o lendário assassino de aluguel se vê obrigado a retornar da aposentadoria, o que vemos é uma dimensão enorme que essa narrativa ganha. Não sei mais quantos filmes terá, sei que estou ansioso pelo próximo.

15. Baby Driver: Em Ritmo de Fuga (Dir: Edgar Wright)

Há sempre nos filmes do cineasta inglês Edgar Wright uma energia contagiante que passa para quem assiste. É o que aconteceu no filme Em Ritmo de Fuga, que foi um dos filmes mais comentados do ano. Quando a ação começa, numa sequência de perseguição alucinante e de tirar o fôlego pelas ruas de Atlanta, logo vem à cabeça filmes como Drive (2011) e Mad Max: Estrada da Fúria (2015) por causa justamente dessa energia que parece irradiar da tela. Ao contrário dos dois filmes citados, as pretensões de Edgar Wright para Em Ritmo de Fuga ficam mais no campo da diversão – e não há nenhum problema com isso. E foi mesmo um dos filmes mais divertidos desse ano de 2017.

14. Como Nossos Pais (Dir: Laís Bodanzsky)

Admiro os filmes da diretora Laís Bodanzsky desde o primeiro filme que eu assisti com a sua assinatura: Bicho de Sete Cabeças. Aquela história me catapultou para fora da sala de cinema de maneira impressionante. Como Nossos Pais é um trabalho mais natural, acompanhando a intimidade de uma família que se reúne para um almoço de domingo mas logo começa a expor as fragilidades de suas relações naquele curto tempo que estiveram juntos. A atriz Maria Ribeiro entrega talvez a atuação da sua carreira até o momento, uma mulher forte ao mesmo tempo que não se importa de admitir que não dá conta de tudo como todos podem pensar. Se Maria Ribeiro brilha, a atriz Clarisse Abujamra também entrega uma belíssima atuação como a matriarca da família.

13. Doentes de Amor (Dir: Michael Showalter)

Doentes de Amor tem uma fórmula batida de “rapaz legal e desconcertado conhece e se apaixona por uma garota que parece ser demais pra ele”, mas o filme encontra na narrativa um fôlego de inspiração porque sabe como desenvolver a dinâmica entre os protagonistas. Talvez isso tenha sido facilitado por se tratar de uma história real, já que o casal de roteiristas Kumail Nanjiani e Emily Gordon estão retratando suas vidas e a familaridade da história tenha dado a eles esse crédito. A verdade é que Doentes de Amor tem também muito mais a oferecer além de ser uma comédia romântica legal e moderna. A atmosfera criada pelo filme se liga muito mais próxima de conflitos familiares do que ficar apenas concentrada na história do casal. E isso faz Holly Hunter brilhar como a mãe de Emily, em uma das boas atuações que pude ver esse ano nos cinemas.

12. Mulher Maravilha (Dir: Patty Jenkins)

Eu tinha muitos receios sobre o filme da Mulher Maravilha – talvez por não confiar que a DC Comics pudesse realizar um bom filme após os desastres que foram Batman vs Superman e Esquadrão Suicida (me recusei a assistir Liga da Justiça, quem sabe depois). E como é bom estar errado. Mulher Maravilha é uma agradável surpresa e de maneira leve e bem contada traz a história da superheroina desde o início. Gal Gadot tem algumas limitações, mas não compromete como a protagonista, enquanto que a diretora Patty Jenkins faz um ótimo trabalho ao dar segurança para o filme – principalmente nas sequências de ação.

11. O Dia Depois (Dir: Hong Sang-Soo)

Eu não quis entregar cedo demais os detalhes dos filmes recentes do diretor Hong Sang-Soo porque eu precisava justamente falar sobre O Dia Depois. Porque foi essa a obra que ele admitiu o seu caso extraconjugal com a atriz Kim Min-Hee (uma das revelações desse ano desde o ótimo filme A Criada, seu único trabalho nesse ano que não foi dirigido por Sang-Soo), quando ambos trabalharam juntos em Certo Agora, Errado Antes (2015). Esse romance acabou se desmembrando em muitas outras parcerias (lançadas neste ano). E O Dia Depois talvez seja o melhor trabalho: um estudo delicado sobre traição e infidelidade, além de funcionar também em mostrar como os homens usam da sua posição de poder para se aproveitar das mulheres.

O Dia Depois deixa ainda mais em evidência como a vida pessoal de Sang-soo se misturou com a sua vida de cineasta, já que ele faz questão de trazer para o centro dos seus filmes as experiências que ele passou nos últimos anos.

10. Afterimage (Dir: Andrzej Wajda)

Não tinha como deixar esse filme de fora. Último trabalho do grande diretor polonês Andrzej Wajda, que faleceu pouco depois de finalizar o filme, Afterimage é sobre a carreira do pintor Wladyslaw Strzeminski, um dos inventores da pintura moderna. Maestro como sempre foi, Wajda nos transporta diretamente para os conflitos e dúvidas de Strzeminski sobre o significado da arte, qual o seu papel na sociedade e como as próximas gerações irão usá-la. Se torna, em certo momento, uma reflexão do próprio Wajda sobre seus filmes, ainda que isso não faça parte do filme (mas é impossível não fazer a ligação). Um lindo filme, de um dos cineastas que com certeza gravou o seu nome nisso que conhecemos como linguagem cinematográfica.

09. Bom Comportamento (Dir: Josh Safdie e Benny Safdie)

Ao final de Bom Comportamento, o primeiro nome que surge como agradecimento é o de Martin Scorsese. E isso não foi por acaso. Os irmãos Josh e Benny Safdie, diretores do filme e que começam a pavimentar uma carreira realmente sólida e muito interessante, explicita as referências de Bom Comportamento: a estética suja das ruas de Nova York que tanto marcaram filmes como Taxi Driver, Depois de Horas, são vistas novamente com uma intenção clara de mostrar a sua degradação. Aliás, existe uma certa aflição ao assistir Bom Comportamento justamente por causa desse visual degradante. Bom Comportamento tenta recuperar aquele espírito do grande cinema independente americano que conduziu John Cassavetes a ser reconhecido como o seu principal autor. O filme dos irmãos Safdie é um frescor em meio a tantas histórias comuns.

08. Era o Hotel Cambridge (Dir: Eliane Caffé)

É um dos filmes mais importantes do ano no cinema nacional. Mostra claramente como a política não dá a mínima para a população e só pensa em interesse próprio. O Hotel Cambrige do título é um imóvel no centro de São Paulo que foi ocupado por desabrigados e imigrantes. Ali a diretora Eliane Caffé parece apontar para um filme documental similar ao formato de Edíficio Master, do mestre Eduardo Coutinho, mostrando primeiramente a convivência entre brasileiros e imigrantes. Mas depois o filme se transforma em um ato político e de resistência que tenta mostrar o lado dos oprimidos, humanizá-los ao invés de serem colocados como criminosos como a imprensa tende a fazer e que já ficou claro em coberturas jornalísticas que mostram a polícia atuando para desapropriar esses imóveis ocupados.

Era o Hotel Cambridge é um filme comovente ao mostrar a realidade dessas pessoas vivendo ali, mas também otimista (na falta de um termo melhor) porque a forma como eles se unem em prol de um direito que deveria ser tão comum a todos só escancara a força dessas pessoas. Muitos deles longe de seus familiares, vistos apenas por conferências no Skype, Era o Hotel Cambridge traz semelhanças com o documentário Torre de David, que também acompanha a ocupação de um enorme prédio em Caracas, na Venezuela. Em comum os dois filmes tem a curiosidade de apresentar as histórias desses conhecidos e a grandiosidade de torná-las acessíveis ao público para que eles não se sintam tão mais marginalizados do que já são.

07. Logan (Dir: James Mangold)

O derradeiro capítulo de Wolverine é um filme que em nada se assemelha a qualquer outra produção de super-heróis da Marvel até o momento. Logan é um filme que, como a trilogia Batman dirigida por Christopher Nolan para a Warner/DC, será lembrado pela definição de um formato, pela ousadia de apostar em uma estrutura narrativa mais séria e humana. Os mutantes em Logan não passam de histórias em quadrinhos, e a luta do herói é muito mais por sobrevivência própria do que salvar a humanidade ou o mundo. Situado em um clima desértico envolto por um sentimento de decadência, representado tão bem pela cápsula onde o Professor Xavier é mantido, Logan é o melhor filme feito pela Marvel que já assisti.

06. Dunkirk (Dir: Christopher Nolan)

Me parece prematuro comparar Dunkirk a filmes como Apocalypse Now, Além da Linha Vermelha ou A Lista de Schindler, todos sobre a Segunda Guerra Mundial mas embalados por uma enorme dose de estudo de personagem. Algo que Dunkirk não realiza em nenhum momento, mas consegue captar sim a agonia, o horror e o desespero da guerra. A montagem sofisticada nos faz ter um olhar diferente em Dunkirk porque as cenas são filmadas com enorme realismo, nos jogando a uma tensão que cresce proporcionalmente à medida que o filme avança, transmitindo de maneira exata a sensação de estarmos presos assim como aqueles soldados.

05. Mudbound – Lágrimas sobre o rio Mississippi (Dir: Dee Rees)

A diretora Dee Rees estabelece de imediato a tensão entre McAllans e os Jacksons no início do filme, anunciando que algo trágico aconteceu (com uma morte envolvida). Ainda que o filme passe por um segundo ato burocrático, Dee Rees e a diretora de fotografia Rachel Morrison encontram o tom ameaçador que o filme carrega dentro dos limites da fazenda onde ambas as famílias convivem – mantendo a devida distância imposta entre negros e brancos de não se misturarem. Ainda hoje me vejo perturbado quando me recordo do último ato do filme, que se torna ainda mais chocante depois das cenas que ocorreram em Charlottesville nesse ano. Um filme necessário, para qualquer época, mas ainda mais importante e essencial para 2017.

04. Personal Shopper (Dir: Olivier Assayas)

O cineasta francês Olivier Assayas é um dos diretores mais interessantes há algum tempo, desde os ótimos Espionagem na Rede (2002) e Horas de Verão (2008), além de alguns trabalhos de engajamento político como em Depois de Maio (2012). Transitando entre o thriller e o drama convencional, Assayas consegue assustar e prender nossa atenção em Personal Shopper ao entrar na psique da protagonista, Maureen Cartwright (muito bem interpretada por Kristen Stewart), que vive dividida entre se conectar com o espírito do seu irmão gêmeo na antiga casa que moravam e lidar com uma complicada estrela do show business para quem compra roupas que esta usará em eventos em diferentes países. Olivier Assayas descarta o conceito de fazer um filme de fantasma convencional, optando muito mais pela ideia de nos provocar escondendo o que mostrar. A sequência de uma perseguição toda ela transmitida por trocas de mensagens entre celulares dá o claro controle que Assayas tem da sua narrativa, sendo um espetáculo a parte a sua direção e a forma como ele conduz a história até o desfecho.

03. Me chame pelo seu Nome (Dir: Luca Guadagnino)

Há uma enorme vontade de explosão de sentimentos em Me chame pelo seu Nome. Mas todos os personagens se sentem sufocados por não se sentirem livres para expressá-los. Reprimidos, é na intimidade e na solidão que eles colocam para fora o que desesperadamente querem experimentar. É isso que norteia toda a narrativa de Me chame pelo seu Nome, novo filme dirigido pelo cineasta italiano Luca Guadagnino. A chegada de Oliver (Armie Hammer) para passar o verão na casa do professor Mr. Perlman (Michael Stuhlbarg) e sua esposa Annella (Amira Casar), inicia um momento de descobertas e novas experiências para Elio (Timothée Chalamet), ainda um garoto de 17 anos e que se apaixona por Oliver e começa a deixar se revelar sua sexualidade.

Ao final, após todas as belas cenas que acompanhamos, o jogo de sedução e essas descobertas, Me chame pelo seu Nome nos coloca em estado de reflexão. As vulnerabilidades ficam ainda mais nítidas e, apesar de transmitir uma certa sensação de tristeza em seu desfecho, o filme na realidade encontra um propósito para Elio após ter experimentado uma intensa paixão. O amor tem dessas: nos dá significados quando aparentemente nada poderá dar. Me chame pelo seu Nome encontra meios de transmitir isso, sendo assim um desses filmes inesquecíveis que ficam por muito tempo em nossas mentes.

02. Lady Bird: A Hora de Voar (Dir: Greta Gerwig)

Não assisti muitos filmes que tenha captado tão bem a relação entre mãe e filha. Talvez eu não os conheça, mas Lady Bird: A Hora de Voar soube como representar isso. Dirigido e escrito por Greta Gerwig com base em suas próprias memórias como adolescente morando em Sacramento (a cidade é peça fundamental na história), acompanhamos Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan, mais uma grande performance) prestes a completar 18 anos, tomando decisões importantes quanto ao seu futuro em uma universidade, sexo, amizade e vendo sua família passando dificuldade com o pai (Tracy Letts) desempregado e a mãe (Laurie Metcalf, em soberba atuação) pegando turnos dobrados no hospital para tentar cobrir as despesas.

Tudo isso é importante porque ajuda a desenvolver os conflitos de Lady Bird, mas nada é mais essencial do que a construção do seu relacionamento com a sua mãe. Entre brigas e discussões, que se refletem em momentos que as duas não sabem exatamente como se comunicar, há entre elas um carinho e amor muito maiores do que qualquer desavença. Lady Bird deve ter sido o último filme que eu assisti em 2017. O filme se comunicou comigo porque, assim como a personagem-título, estudei em colégio católico e sinto que até hoje não guardo boas lembranças daquele tempo. Mas talvez Lady Bird tenha me mostrado um outro lado, mais iluminado e que nesse momento tento valorizar a educação que eu tive. Um filme maravilhoso escrito e dirigido pela Greta Gerwig. Ah, por favor, deem logo o Oscar para Laurie Metcalf.

01. Corra! (Dir: Jordan Peele)

É impossível tirar Corra!, do estreante diretor Jordan Peele, de qualquer lista dos melhores filmes desse ano. Desde o festival de Sundance que o filme vinha sendo bem falado e consegui me manter longe de saber sobre o que de fato era a trama do filme até o dia que finalmente assisti. E, meu Deus, que experiência foi ter visto esse filme. O que torna Corra! o melhor longa-metragem de 2017 é a forma inteligente com que Peele constrói o filme, usando uma questão social (o racismo) presente na nossa sociedade como terror social e psicológico que leva o protagonista Chris (Daniel Kaluuya) a viver um verdadeiro inferno quando vai visitar a família da sua namorada branca. Corra! é angustiante, toca na ferida que por vezes a sociedade decide dar as costas, e é também um belo exercício de linguagem cinematográfica como nenhum outro filme americano do gênero conseguiu alcançar na última década.

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