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Stranger Things 3 segura diversão do início ao fim

Se é pra falar sobre a 3ª temporada de Stranger Things algo precisa ser deixado claro de antemão: é muito mais divertida do que a segunda. Ao contrário do que aconteceu no ano anterior, quando a trama enfrentou problemas para encontrar o tom correto, dessa vez Stranger Things 3 está mais afiada. Prova disso é que, mesmo com boa parte da turma dividida na maior parte dos episódios, a série descobriu outros personagens que se mostraram adições surpreendentes à trama e não ficando refém do seu elenco principal (o que, como já sabemos, é capaz de segurar a série sozinha).

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Emmys 2019: acertos e erros da lista de indicados

Os indicados aos Emmys (veja aqui), popularmente conhecido como Oscar da TV, foram anunciados há alguns dias. Comentar a lista faz parte de uma tradição. Porém, sempre que uma premiação frustra as nossas expectativas surge aquele questionamento: será que ainda é relevante? É muito possível que seja para a indústria, a qual certamente precisa de alguns prêmios e indicações para medir e validar o sucesso de uma produção. Mas não para quem acompanha de longe.

É bom ver as séries que admiramos indicadas ou vencendo? Com certeza. Mas no final não é o que vai definir necessariamente a qualidade do programa. Tem horas, no entanto, que essas premiações forçam demais a barra. E nesse ano os Emmys forçaram. Logo, questionar se a premiação é relevante para um certo padrão de qualidade surge quase que instantaneamente.

Forçou a barra!

A manchete nos principais sites de notícias foi o fato de Game of Thrones ter superado o próprio recorde ao receber 32 indicações. Como a série alcançou tal feito depois de uma temporada tão decepcionante, não sei explicar, mas a explicação passa pela indicação de praticamente todo o elenco que participou de Game of Thrones em alguma categoria. De Kit Harington a Lena Headey, passando até (pasme!) por Sophie Turner e Carice van Houten (a Melisandre que surge por breves momentos e depois vai embora). Surpreendente não terem indicado também os atores que fazem Missandei e Verme Cinzento.

A mente brilhante de Phoebe Waller-Bridge

A segunda temporada de Fleabag (11 indicações), da Amazon Prime, vem sendo comentada há meses desde que estreou no serviço de streaming. A mente por trás da série é Phoebe Waller-Bridge, a qual ganhou tanta notoriedade por seus recentes trabalhos (Killing Eve, Crashing) que foi convidada para refinar o roteiro de Bond 25. Apesar dos Emmys terem esnobado o ator Andrew Scott, responsável por interpretar O Padre e um personagem imprescindível para o sucesso que foi a temporada, Fleabag se transformou em um fenômeno cultural e foi o centro da conversa mesmo quando Game of Thrones esteve sendo exibida.

Ava DuVernay conversa com o ator Jharrel Jerome durante filmagens de Olhos Que Condenam. (Foto: Divulgação/Netflix Brasil)

Minisséries são as forças desta edição

Entretanto, há muito o que se comemorar nos Emmys de 2019. Dá pra dizer que esse é o ano das minisséries. Não é toda hora que brotam programas como Olhos Que Condenam (16 indicações) e Chernobyl (19 indicações). Apesar de tramas completamente diferentes, ambas têm em comum a crítica à humanidade e suas falhas, seja quando não se leva o risco à sério e coloca toda uma geração em perigo ou quando a Justiça simplesmente não está a serviço de todos e termina por condenar vidas inocentes para sempre.

Enquanto isso, ainda resta a inércia

Lembra quando Modern Family ganhou consecutivamente cinco Emmys? É disso que a inércia se trata, um elemento que sempre vai existir quando o assunto é a premiação da TV. Séries como This Is Us (que não vai a lugar algum, pois a narrativa é uma fórmula em constante repetição) que perderam aquele momento da estreia, não são mais tidas como novidades e aparecem com indicações apenas porque precisam preencher a lista com um número de programas indicados. O problema é quando a inércia destes programas se transforma em vitória.

Afinal, qual a resposta então para a pergunta se os Emmys importam ou não? Um artigo publicado pelo portal Vox em 2017 tem uma boa resposta. Diz que “a palavra buzz importa mais do que nunca na era da Peak TV. E para estar em todos os lugares hoje, ainda há poucas plataformas melhores do que vencer um Emmy”. Mad Men, por exemplo, soube como aproveitar esse reconhecimento na premiação para gradativamente crescer sua audiência (e não ser cancelada pela AMC, quando esta ainda estava apenas engatinhando). Outros programas não obtiveram a mesma sorte, como é o caso de The Americans ou Arrested Development. E aqui está o “xis” da questão. Os Emmys, mesmo nos últimos anos acertando mais do que errando, geram muita atenção para os fãs de séries. E isso é algo que não dá para ser jogado fora.

‘Olhos que Condenam’ joga luz na corrupção e injustiça do judiciário

Em 1989 um caso emblemático marcou os Estados Unidos, quando cinco jovens negros do bairro do Harlem foram condenados sob a falsa acusação de estupro de uma mulher no Central Park. Na minissérie Olhos Que Condenam (When They See Us, no original), a diretora Ava DuVernay (cineasta por trás de Selma e A 13ª Emenda) escancara mais uma vez todo o sistema judicial americano cuja temática, assim como foi no documentário A 13ª Emenda, questiona a invisibilidade que os jovens negros são para a justiça uma vez que eles estão entre os que mais morrem e os mais encarcerados do mundo.

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Série da HBO ‘Chernobyl’ faz retrato humano do desastre

Antes de realmente dar uma chance à Chernobyl, minissérie da HBO que foi uma das surpresas e sensações na summer season, pensei que seria mais uma produção que falaria sobre o desastre nuclear que ocorreu na década de 80 na União Soviética. E assisti muitos documentários escolares sobre o assunto no meu tempo de escola, então eu não tinha muita certeza se queria assistir a série. Quando resolvi dar uma chance, percebi o meu engano logo no primeiro episódio, quando fica claro que Chernobyl vai além de relatar o que aconteceu e não guarda semelhança alguma com aqueles filmes educativos sobre o desastre.

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Pedro Almodóvar revela suas fragilidades em “Dor e Glória”

O tema vulnerabilidade está de alguma forma sempre aparecendo para mim ultimamente, desde que eu assisti a uma apresentação Brené Brown sobre o assunto e que me fez refletir. Este também é o tema principal de “Dor e Glória”, novo filme dirigido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar e que chegou recentemente ao circuito no Brasil. Pessoalmente, sempre quis esconder as minhas vulnerabilidades, principalmente quanto ao fato de usar óculos.

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