Paul Giamatti e Damian Lewis travam duelo em “Billions”

Billions é uma das estreias mais aguardadas desse mês de janeiro (veja o nosso guia). A série do canal Showtime, desenvolvida por Andrew Ross Sorkin (também roterista do telefilme Grande Demais para Quebrar), se passa no mundo dos altos investimentos de Wall Street, dos grandes gestores de fortuna. Nesse mundo, somos apresentados a Bobby Axelrod (Lewis), dono de uma grande corretora e bilionário, e a Chuck Rhodes (Giamatti), um procurador da justiça que está esperando um deslize de Axelrod para abrir um caso contra ele e suas jogadas sujas no mercado financeiro. Mas não se enganem: ninguém é herói ou bonzinho nessa série.

Aquela expressão famosa “seguir o dinheiro”, que é válida para qualquer operação (estamos acompanhando de perto aqui no Brasil a Lava-Jato, que não nos deixar mentir), é justamente o que levará Rhodes a abrir um caso contra Axelrod. Na série, Axelrod é uma espécie de Warren Buffet da vida real, mas diferente: ele não se preocupa em chamar a atenção para si e se manter nos holofotes. A maneira como os estagiários olham para ele, é como se estivessem vendo o Steve Jobs das finanças, se inspirando naquilo que parece ser comum para eles terem que aprender, para também fazerem parte do mundo. Em contrapartida, Rhodes é o carrasco para muita gente. Não perdeu nenhum caso e o cara goza de ter o poder.

Giamatti molda o seu personagem em uma linha tênue entre ser correto, como se fosse o Harvey Dent do Batman. Ele pode ser facilmente comparado do “Duas Caras” – na cena de uma discussão com o pai seguida por um diálogo que explica o que houve dá pra ilustrar bem a sua personalidade e o que ele é capaz de fazer. O que se sabe mesmo é que no meio dessas pessoas e desse cenário, Billions tem um caminho interessante. Mas esbarra em alguns problemas em seu episódio Piloto.

A estrutura narrativa nesse primeiro episódio é problemática porque Billions se esforça para soar moderna (a trilha sonora e as tomadas para mostrar os edifícios luxuosos como uma alusão à forma como essas pessoas vivem) tenta ser engraçada como se estivesse buscando uma versão próxima do que A Grande Aposta (clique aqui para ler a resenha) e quer mostrar os excessos como O Lobo de Wall Street fez. São muitas tentativas na busca por influências e, no final, a série não sabe para onde deve ir.

Além disso, a série parece ter saído também de um livro do Michael Lewis, uma mistura de Flash BoysLiar’s Poker: Rising through the Wreckage on Wall Street, este último basicamente lançou a carreira de Lewis como escritor e mostra a sua visão sobre o que acontecia em Wall Street e o que ele teve que passar desde o processo de seleção, ter sido contratado como estagiário e o processo para ser analista dentro de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos. De certa forma, mesmo fazendo parte dessa turma, Lewis é também um outsider.

Billions não apresentou um personagem sequer que pudesse dar essa outra visão sobre os fatos nesse primeiro episódio, algo que seria importante para não deixar a trama tão polarizada entre Giamatti e Lewis. Mas, ainda assim, Billions é uma série que merece uma chance porque tem um tema interessante e que desperta curiosidade, um elenco talentoso e uma trama que ainda vai evoluir à medida que a história avançar – esperamos. E estamos curiosos em acompanhar para saber o que vai acontecer.

Assista o trailer:

Crédito da Imagem: Divulgação

Vinícius Silva
Sou formado em Jornalismo e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. O vício em Filmes, Séries e nas Artes em geral me levaram à escrita.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *