Quarta temporada de House of Cards estreia e retrata momento político atual

[ATENÇÃO: O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DA 4ª TEMPORADA DE HOUSE OF CARDS]

Está todo mundo acompanhando o desenrolar da Operação Lava-Jato. Mas quando a sexta-feira amanheceu, outra notícia que também despertava atenção era a estreia da quarta temporada de House of Cards. Vinda de três temporadas em que mostrou o jogo político praticado em Washington (mas que facilmente se assemelha a qualquer país, especialmente no Brasil) e a ascensão de Frank Underwood à presidência dos Estados Unidos, a quarta temporada da série protagonizada por Kevin Spacey e Robin Wright estreia em um momento decisivo da política americana ao representar a corrida até a Casa Branca, com as eleições primárias acontecendo, o debate se intensificando e a troca de acusações ficando cada vez mais aparente.

É uma série de ficção, mas House of Cards sempre causou grande admiração pelo compromisso com a (quase) realidade. Apesar de uns excessos aqui e ali, a série desenvolvida por Beau Willimon (que não voltará ao cargo de showrunner na quinta temporada agora que a atração já foi renovada pela Netflix) faz sucesso porque expõe na relação dos seus personagens o jogo político, o toma lá dá cá e o que cada um está disposto a fazer para ascender politicamente. E era de se esperar que a quarta temporada de House of Cards retratasse justamente o ambiente político atual nos Estados Unidos, mas também procurasse discutir assuntos que se tornaram ainda mais importantes do que já eram considerados no último ano.

É o caso, por exemplo, do debate sobre igualdade. O filme Straight Outta Compton retratou isso recentemente ao mostrar o nascimento do grupo de rap N.W.A, forjado em meio aos protestos que tomaram conta das ruas de Los Angeles no início dos anos 90 após um negro ter sido morto por um policial. E há dois anos os EUA enfrentam problemas desse tipo, com a justiça livrando os policiais. Na também recente série documental Chelsea Does, a apresentadora Chelsea Handler dedica um episódio a discutir o racismo nos Estados Unidos e “investiga” a situação em vários estados motivada justamente pelas seguidas mortes de afro-americanos cometidos por aqueles deveriam proteger a população. House of Cards não só retoma o tema como também realiza uma passagem importante durante as primárias no estado-natal de Frank Underwood, na Carolina do Sul, quando o assunto vem à tona por conta de uma foto antiga do seu pai com um membro do Ku Klux Klan.

Como se não bastasse já lidar com esse assunto tão atual, House of Cards também volta a discutir a (inexistente) relação diplomática entre Rússia e Estados Unidos, com o líder russo sendo acusado de matar cidadãos russos que supostamente estariam orquestrando um golpe para tirá-lo do poder (lógico, em uma clara referência ao presidente Vladimir Putin e as acusações que a oposição daquele país faz sobre o caráter de ditadura disfarçada de governo em relação ao seu mandato). Uma crise cujo forte impacto reverbera no preço da gasolina, uma crise que os Estados Unidos também enfrentaram nos últimos anos e, aparentemente, conseguiram controlar – enquanto o resto do mundo, principalmente em países como Venezuela, Rússia e Emirados Árabes,  sofre com a desvalorização do petróleo.

Se House of Cards já é fantástica ao tratar desses assuntos e envolvendo toda a estratégia política por trás, a série nessa quarta temporada está ainda mais interessante por conta da grave crise no casamento de Frank e Claire Underwood. Aquele aparente estado de “adoração” que existia nas primeiras temporadas, quando House of Cards mostrava um casamento inabalável e aberto, o jogo agora virou. Claire não pretende mais ser uma sombra para Frank (é surpreendente ver agora como ela está sempre um passo à frente enquanto que Frank parece perdido sem a sua fiel escudeira). E isso aumenta consideravelmente as tensões da série (Kevin Spacey e Robin Wright estão impecáveis em cena, veja o terceiro episódio), juntamente com a presença de novos personagens que já passam a impressão de que não estão ali apenas para serem figurantes.

A quarta temporada de House of Cards não está para brincadeira. Bom, a série nunca esteve. Mas parece que agora as coisas realmente ficaram tensas. E Frank Underwood está morrendo de medo.

Crédito da Imagem: Reprodução/Netflix

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