Não é fácil fazer um filme sobre o processo de amadurecimento (ou de crescimento) de um adolescente. A maioria das histórias acaba caindo sempre no lugar-comum. É difícil falar de forma contundente como John Hughes falava. Clássicos inesquecíveis como Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões dialogavam (e continuam dialogando) com um grande público porque sabiam lidar com os problemas que os adolescentes enfrentavam. E apesar de se passaram na década de 80, o filme Quase aos 18 comprova que os conflitos não mudaram ou evoluíram daqueles tempos para cá.

O filme acompanha Nadine (Haileen Steinfeld, provando que o sucesso de Bravura Indômita não foi um mero acaso), próxima de fazer 18 anos e tendo que lidar com um monte de problemas que transformam a sua vida em uma completa bagunça. Questões como bullying, não sentir pertencimento a nenhum grupo de amigos e a falta de diálogo com os pais e o irmão Darian são apenas alguns desses problemas. Enquanto via o seu irmão rodeado de amigos e sendo popular, Nadine era completamente o oposto e por isso sentia necessidade de chamar atenção para si mesma.

Ao chegar na adolescência, e tendo sobrevivido em parte por causa da sua amiga Krista (Haley Lu Richardson), a situação fica mais grave uma vez que essa amizade é trocada pelo início do relacionamento dela com o seu irmão. Assim, o filme escrito e dirigido por Kelly Fremon Craig (do pouco conhecido Recém-Formada) passa a analisar o que acontece com Nadine sem nunca perder o rumo da narrativa e sabendo exatamente onde deseja chegar, construindo um roteiro que tem momentos engraçados (a própria personagem é divertida) e também dramáticos (as constantes decepções e também incertezas de Nadine). Quase aos 18 trata a sua protagonista de maneira carinhosa e honesta, retratando-a como uma ser humana com defeitos e virtudes.

Filmes com essa temática às vezes pecam ao suspender um muro entre a infância e a adolescência dos personagens, algo que Quase aos 18 não faz e usa eficientemente como um trampolim para acompanhar a linha de amadurecimento de Nadine. E não é algo que acontece de forma rápida. Indo desde as boas cenas com o professor Bruner (Woody Harrelson) até suas indagações do quanto ela não se encaixa vivendo num mundo onde as pessoas se comunicam por emojis, Nadine é o exemplo dessa geração de adolescentes que ainda tem muito a ver com aquela vivida por Ferris Bueller ou Andrew Clark e sua trupe em Clube dos Cinco, mesmo que o mundo tenha mudado tão drasticamente entre a forma de viver nos anos 80 e como se vive hoje.

Quase aos 18 oferece uma visão que encontra similaridades no pessimismo de John Hughes, exibindo alguns lados traumáticos da adolescência (como as quebras de expectativas pelo primeiro encontro ou o péssimo relacionamento dentro de casa) e que por isso são difíceis de esquecer (e até mesmo de superar). Mas o filme também é divertido e engraçado, como nas sequências quando Nadine contracena com o colega de escola Erwin (Hayden Szeto). Me parece que futuramente Quase aos 18 ganhará um merecido reconhecimento por representar tão bem essa nova geração de adolescentes e os conflitos que são comuns a todos eles. Torço por isso.

Assista o trailer:

Quase aos 18 (The Edge of Seventeen, 2016)
Direção: Kelly Fremon Craig
Roteiro: Kelly Fremon Craig
Elenco: Haileen Steinfeld, Haley Lu Richardson, Woody Harrelson, Blake Jenner, Hayden Szeto e Kyra Sedwick.
Duração: 98 minutos

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