Cinema

Resenha: 'Animais Fantásticos' é um retorno bem-sucedido ao universo de Harry Potter

Uma das coisas interessantes vistas nos últimos filmes de Harry Potter era o tom cada vez mais sombrio que a história foi ganhando à medida que chegava ao final. O mesmo acontece em Animais Fantásticos e Onde Habitam, escrito pela autora J.K Rowling e dirigido por David Yates (o mesmo diretor das últimas partes de Harry Potter).

O novo filme, que agora se aprofunda na história do bruxo Newt Scamander (Eddie Redmayne), mantém esse mesmo tom e consegue funcionar como uma obra que pode ser vista independentemente da franquia que a antecede (ou sucede, se levarmos em conta o fator cronológico das histórias).

Ambientado 70 anos antes das aventuras contadas em Harry Potter, Animais Fantásticos e Onde Habitam se passa nos Estados Unidos, quando Newt Scamander desembarca em Nova York após ser banido de Hogwarts. Mas sua fuga teve um propósito maior: proteger as criaturas mágicas que ele carrega em sua mala. Logo em seu primeiro dia na cidade uma confusão faz com que sua maleta seja trocada pela do não-maj (ou trouxa) Sr. Kowalski (Dan Fogler, que funciona muitas vezes como um alívio cômico). Em seguida alguns animais fogem e ele precisa recuperá-los.

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Foto: Divulgação/Warner Bros.

O tom sombrio comentado anteriormente não tem a ver apenas com o clima acinzentado que cobre a cidade, mas também pela turbulência impregnada entre os bruxos/bruxas e os não-majs. Mary Lou (Samantha Morton) é a líder de um movimento que acredita nessas forças sombrias e quer exterminá-las, tentando atrair apoiadores para a sua campanha ao adotar crianças abandonadas, uma delas é o reprimido Credence (Ezra Miller), para espalharem a mensagem.

Tendo em vista isso a presença de Newt não passa sem ser notada. Quando seus animais fogem da mala ele recebe a companhia de Tina (Katherine Waterston) e sua irmã Queenie (Alison Sudol), ambas pertencentes à comunidade de bruxas dos Estados Unidos e que vão auxiliar Newt em sua jornada pela cidade, para não só em recuperar as criaturinhas como também a enfrentar o Sr. Graves (Colin Farrell) e seus planos de controlar forças malignas sem o conhecimento da comunidade.

Se já vimos tão bem em Harry Potter a capacidade de inventividade da autora J.K Rowling, agora como roteirista ela mais uma vez nos convida a entrar na sua imaginação e em um mundo completamente novo. Ao aceitarmos o convite, vemos elementos novos como um objeto que mede o risco de magia na cidade ou, ainda melhor, a forma como ela cria cada personalidade dos animais que estão na mala, estabelecendo características próprias cujas interações com Newt tornam o filme dinâmico e com uma própria engrenagem que deixam a narrativa fluir sem perder o ritmo.

Foto: Divulgação/Warner Bros.
Foto: Divulgação/Warner Bros.

Além disso, J.K Rowling transmite uma importante mensagem de preservação e cuidado com os animais. Newt Scamander se dedica em proteger suas criaturas, os capturando e colocando-os para viverem em um ambiente amigável, ao mesmo tempo que se esforça para informar aos seus amigos da comunidade de bruxos da importância de fazer o mesmo e do quanto essas criaturas são inofensivas se forem bem cuidadas e amadas.

Com as pontas do primeiro filme amarradas, J.K Rowling agora vai nos matando de curiosidade para saber o que ela está preparando para a segunda parte dessa franquia – que terá um total de cinco filmes. Seja como for, Animais Fantásticos e Onde Habitam retorna ao universo que por tanto tempo fez parte das nossas vidas nos últimos anos de maneira muito bem-sucedida.

[Crédito da Imagem: Divulgação/Warner Bros.]

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