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Resenha: 'Big Little Lies' acerta em final humano ao tratar de um tema tão importante

O primeiro episódio de Big Little Lies disfarça muito bem o que a série de verdade trata nos sete capítulos que completaram a 1ª temporada, com o final exibido no último final de semana pela HBO: gente branca, rica, morando quase que isolados num lugar que parece ter sido feito para eles. Na superfície, Big Little Lies é basicamente isso. E a série faz questão de colocá-los discutindo por assuntos banais e criando dramas desnecessários (aquela sequência inicial na escola é um claro exemplo disso).

Vistos por alguém de fora, diria para todos eles trocarem de lugar com alguém que vive de modo muito pior que eles e sem as mesmas condições financeiras. E isso me fez olhar atravessado para a série. Ainda bem então que eu continuei assistindo porque, se eu tivesse desistido, teria perdido uma das melhores estreias deste início de ano. E explico porquê.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Big Little Lies não é sobre um assassinato que acontece nessa exclusiva comunidade e assusta seus moradores. Ou muito menos sobre a investigação (ainda que a estrutura inicial apresente semelhanças com Damages). Não é nada disso: é sobre mulheres, Madeline (Reese Whiterspoon), Celeste (Nicole Kidman, em uma atuação digna de prêmios) e Jane (Shailene Woodley), que vivem amedrontadas por presenças masculinas que as sufocam.

Jane chega a Monterey com o seu filho Ziggy e fugindo de um homem que a violentou; Celeste vive um casamento de aparências com Perry, violentada constantemente enquanto tenta soluções que possam salvar o seu relacionamento ou a sua própria vida; e Madeline, chantageada emocionalmente enquanto decide os rumos do seu casamento. Os perfis desses homens? Aqueles mesmos que se acham poderosos, intocáveis e que por isso se acham no direito de fazerem o que quiserem que mesmo assim sairão impunes.

Foto: Divulgação/HBO

Se assumindo em parte como os narradores da história, que na verdade são fofoqueiros mesmo que tentam tomar conta da vida do outro, os moradores mais “comuns” de Monterey passam a visão daquilo que eles pensam sobre as pessoas envolvidas. Mas absolutamente nada do que eles falam nos prepara para a conclusão da história, quando atinge uma complexidade inesperada e surpreendente logo nos primeiros minutos do sétimo e último episódio.

Big Little Lies não deixou pontas soltas e apresentou um final sólido. Debateu um tema muito importante sobre assédio e agressão às mulheres de uma forma humana, crua e muito próxima daquilo que penso que possa ser a realidade. Não gostaria que a série voltasse para uma 2ª temporada para se aproveitar do sucesso que foi a primeira. Melhor deixar a história como está e não tentar estragá-la com mais extras.

O jeito o qual terminou deu a real noção de liberdade que essas mulheres alcançaram depois dos acontecimentos, mas também sem esquecer suas feridas. Me pareceu o final mais humano que Big Little Lies conseguiu acertar.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/HBO]

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