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Resenha: 'Logan' é o melhor filme da franquia X-Men

No clássico western Os Brutos Também Amam (1954), o ator Alan Ladd interpreta o pistoleiro Shane que, recém-chegado ao Wyomming, aceita o convite da família do rancheiro Joe Starrett de se estabelecer ali e, então, passa a ajudar o seu grupo de colonos a defender suas terras dos capangas do rancheiro rival.

Essa é a referência explícita usada pelo diretor James Mangold em Logan, o derradeiro capítulo da história do herói Wolverine (Hugh Jackman). Isso porque, assim como o pistoleiro Shane, Logan é um herói que tem muito mais a oferecer e contar do que apenas ser lembrado como “aquele das garras de adamantium”. O filme reconhece as complexidades do seu herói e passa por elas com extrema eficiência, como pouco se vê nos recentes filmes de super-heróis.

A lembrança mais nova é de Deadpool, um filme que tem uma marca própria dentro de um universo tão conectado entre todos os heróis que fazem parte dele. Porém, Logan se encaixa mais dentro daquele tom sombrio e violento da Trilogia Batman dirigida por Christopher Nolan porque, assim como no filme da DC Comics, Logan aparece neste filme visivelmente cansado, destruído psicologicamente e tentando sobreviver a um mundo onde os X-Men foram exterminados.

Vivendo escondido próximo à fronteira do México em 1929, a essa altura os mutantes não passam de histórias em quadrinhos, Logan cuida de um fragilizado e velho Professor X (Patrick Stewart, em sua melhor atuação dentro da franquia) com o apoio de Caliban (Steven Merchant). Quando a enfermeira Gabriela (Elizabeth Rodriguez) o procura solicitando ajuda e proteção para Laura (Dafne Keen, uma agradável surpresa), uma garota com as mesmas habilidades que ele frutos de experimentos chefiados pelo governo americano. Sendo perseguidas por Pierce (Boyd Holbrook) e um grande exército, Logan se vê obrigado a sair do anonimato e enfrentar tudo aquilo que ele tentou deixar para trás

Foto: Reprodução/Fox Filme

Logan tem todas as qualidades de uma superprodução da Marvel, principalmente pelo desenho de produção de François Audouy, a “cápsula” onde o Professor X vive e com alguns buracos em sua lataria é eficiente em representar a decadência de um projeto que ele acreditou, além da bela fotografia de John Mathieson, que situa o filme no clima desértico, ensolarado e imponente dos grandes westerns, mas que se caracteriza muito mais por estabelecer um estudo de personagem que o torna muito mais fascinante.

E se ainda o diretor James Mangold não esconde em nenhum momento a violência do filme e movimenta com competência a câmera que oscila entre sequências muito boas de ação e outras de mais contemplação e calmaria, é realmente Hugh Jackman quem brilha. Mancando e ofegante na maior parte do filme, o ator talvez tenha emprestado a sua melhor atuação como Wolverine, principalmente por este filme ser muito mais centrado naquilo que o seu personagem sente do que necessariamente naquilo que ele faz com seus poderes.

Para quem estava meio desacreditado com os filmes de super-heróis, Logan é uma prova de que basta saber como fazer. Às vezes é difícil. Mas Logan acerta no tom, sendo poético e pensativo ao mesmo tempo que é violento e frenético. Assista o trailer:

Logan (idem, 2017)
Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold, Scott Frank e Michael Green
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook e Stephen Merchant
Duração: 135 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Fox Filme]

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