Cinema

Resenha: Rogue One é mais um capítulo nostálgico da franquia Star Wars

Mesmo com toda uma franquia já estabelecida há tantos anos, não deixa de ser surpreendente para mim o quanto Star Wars ainda consegue contar boas histórias tendo sempre como fio condutor uma arma que é capaz de destruir planetas. Mas mais importante do que isso, o que faz de Star Wars um filme que vai passando de uma geração para a outra é a força dos seus personagens – mesmo os novos que foram criados para as duas últimas produções recentes Star Wars: O Despertar da Força (2015) e neste Rogue One: Uma História Star Wars (2016).

Afinal de contas, já conhecemos o que acontece com a Estrela da Morte e até com a arma recente do sétimo filme da franquia. Mas mais uma vez isso é o que menos importa. Rogue One: Uma História Star Wars consegue estabelecer um diálogo eficiente com o quarto filme, Uma Nova Esperança (1977), ao trazer acontecimentos que estão presentes entre este capítulo e o Episódio III: A Vingança dos Sith (2005). Logo, Rogue One é sobre uma das primeiras insurgências da Rebelião enquanto o Império criava a famosa Estrela da Morte, destruída por Luke Skywalker no quarto episódio.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Na sequência de abertura vemos o Comandante Krennic (vivido pelo ótimo ator Ben Mendelsohn, da série Bloodline) forçando o cientista Galen Erso (Mads Mikkelsen, do belo filme A Caça) a retomar a construção da arma. Levado pelas forças do Império, ele deixa a sua filha Jyn Erso (Felicity Jones, indicada ao Oscar pelo filme A Teoria de Tudo) para trás ainda bem pequena e que testemunha a morte da sua mãe. Quinze anos depois, agora vivendo na clandestinidade, ela se vê como peça fundamental de um plano construído pelos Rebeldes que tem o intuito de usá-la para chegar até o seu pai e interromper a construção da Estrela da Morte, nem que pra isso seja necessário matá-lo.

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Rogue One: Uma história Star Wars | Foto: Divulgação/Walt Disney/LucasFilm

Como se sabe, os planos dos Rebeldes não dão muito certo porque a arma é construída e já se conhece tudo o que acontece a partir daí. Entretanto, o que é interessante em Rogue One é a capacidade dos roteiristas Chris Weitz e Tony Gilroy em conseguir tornar uma história tão conhecida em mais uma vez divertida o suficiente que nos faz embarcar na jornada sem qualquer problema. Personagens clássicos da franquia estão lá novamente, como Darth Vader e a Princesa Léia, enquanto que os novos também passam a ocupar lugares de respeito e já ganham certa adoração e torcida.

Com Jyn Erso, Felicity Jones conduz seus conflitos de ter sido abandonada e ter se criado sozinha. Ao mesmo tempo, através de uma mensagem deixada pelo seu pai encaminhada pelo piloto do Império vivido pelo ator Riz Ahmed (da série The Night Of), pouco se tem a explorar sobre como ela reagiria caso vivesse apenas com a ideia do seu pai ter criado uma arma tão poderosa capaz de dizimar um planeta inteiro e seus habitantes. É algo que não sabemos e que o filme poderia ter tomado um tempo explorando, podendo até diminuir a sequência final que se passa na praia e que se arrasta por um bom tempo.

Não sei o quão meticuloso George Lucas foi em planejar essa franquia, mas mesmo não participando diretamente dos projetos, as suas histórias e personagens continuam divertindo não importa se a trama consegue ser óbvia ou não. É esperado, por exemplo, que saibamos a partir de um determinado momento o destino final desses personagens considerando que não há muito mais a ser contado sem invadir o capítulo quatro. Quando o grupo Rebelde liderado por Jyn Erso consegue enviar os dados da Estrela da Morte, Rogue One começa a entrar em Uma Nova Esperança – no qual nenhum desses personagens aparece. Então faz sentido o que acontece e foi importante os roteiristas compreenderem esse limite (apesar de um universo enorme de histórias que estão sendo exploradas) ao não tentarem continuar criando mais e mais tramas que apenas soariam como desnecessárias (ou forçadas).

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Rogue One: Uma história Star Wars | Foto: Divulgação/Walt Disney/LucasFilm

Aliás, Rogue One comete alguns deslizes (além do fraco 3D que deixa claro que foi apenas convertido para essa tecnologia que no filme é usada equivocadamente e em nada acrescenta) mas tudo está lá para homenagear seus fãs fervorosos, desde um novo dróide engraçadinho (K2) que é responsável pelo alívio cômico do filme como já aconteceu nos anteriores, até uma pequena faísca de paixão que fica no ar entre Jyn e Cassian Andor (Diego Luna, do filme Milk: A Voz da Igualdade).

Particularmente, gosto da maneira dolorosa e até romântica com a qual o filme acaba (apesar de ter sido desnecessário querer forçar esse interesse amoroso). Jovens que se rebelaram e enfrentaram o seu destino por uma causa. E mesmo que Rogue One seja uma história fantasiosa é importante quando o filme entende isso e não banaliza. Esse é um trunfo que essas produções recentes de Star Wars estão conseguindo devolver, uma febre que estava adormecida há dez anos e que pode-se dizer que já despertou com dois ótimos filmes e que não nos faz importarmos em querer continuando mais.

[Crédito da Imagem: Divulgação/Walt Disney/LucasFilm]

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