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Resenha: 'Westworld' expande mitologia da série em final da 1ª temporada

Há muito tempo que uma série não conseguia motivar tanto debate na Internet, como Lost fez um dia. A cada semana uma enxurrada de informações e teorias elevavam o nível de Westworld e nos desafiava a compreender a mitologia da série. Mas acho difícil que alguém tenha conseguido chegar tão próximo da “verdade” que Westworld se propõe, porque a produção criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy (esposa de Nolan) é de uma complexidade muito fascinante.

No final da 1ª temporada exibido pela HBO, Westworld não deixou basicamente nenhuma ponta solta, tendo consciência das pistas e mistérios plantados ao longo do caminho que obtiveram respostas plausíveis. Mas acima de tudo, Westworld buscou claramente já expandir o universo da sua história. Afinal de contas, há muitos outros mundos a serem desbravados. É isso que deve acontecer na próxima temporada. Mas antes temos muita coisa para discutir e compreender.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

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Como no filme A Origem (2010), escrito por seu irmão Christopher Nolan, Westworld tem uma trama que se passa em diversas camadas e linhas temporais que nos levam a discussões filosóficas acerca do imenso parque temático e sua função, usado como entretenimento pelas pessoas que querem fugir do seu mundo real – ou ao menos encontrar um lugar cuja realidade elas possam ter controle, ao contrário do que normalmente acontece em suas vidas fora dali.

Mas aí entra o tal questionamento sobre até que ponto vale a pena ir para criar essa realidade. Arnold, um dos idealizadores do parque juntamente com o seu sócio, Dr. Robert Ford, queria dar total consciência às suas criações. Entrou em conflitos morais e a desencontros que levaram o parque a ser tudo aquilo que ele não gostaria que fosse, enquanto que os Anfitriões se transformaram em meros objetos que seguem códigos narrativos criados pelos humanos (e que respondem aos desejos dos Convidados).

Se no início Westworld parecia trilhar um caminho muito parecido com o filme no qual é baseado (leia aqui), as comparações só duram o primeiro episódio (e olhe lá!). Porque Nolan e Joy forçam a sua trama a ir muito mais além, nos conduzindo a uma jornada de mistérios que envolve um labirinto, soldados da guerra civil americana e o Homem de Preto (Ed Harris) que se revela um personagem muito mais complexo do que no filme de Michael Crichton, que se resumia a uma rebelião das máquinas após terem sido tantas vezes resetadas e modificadas.

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Westworld se aprofunda nessa premissa, mas de uma forma diferente. Porque o que as torna “instáveis” é justamente quando as emoções começam a ser inseridas em seus códigos. Sentimentos como dor, perdão, amor, esperança e vingança são misturados com os papéis que cada um deles precisa desempenhar na narrativa que estão. A revolta surge quando as máquinas passam a compreender suas emoções, os tornando tão humanos quanto os próprios Convidados.

Como nunca temos total certeza sobre o que acontece de verdade dentro ou fora do parque, já que qualquer história pode ser uma linha narrativa criada para atender os interesses próprios de alguém (ou apenas responder os caprichos e a personalidade mimada de Ford), Westworld mostrou que está pronta para invadir o universo dos samurais na próxima temporada e se aprofundar naquilo que os humanos mais temem em qualquer situação: a perda do controle.

[Crédito das Imagens: Divulgação/HBO]

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