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Retrô 2016: as melhores séries do ano

Está se tornando uma prática comum aqui no Trívia a nossa retrospectiva para relembrar o que de melhor assistimos, ouvimos e lemos no ano. Nesse especial vamos falar sobre as séries, que em 2016 teve muita produção boa estreando. É o que a gente considera quando monta a lista, os seriados que estrearam no ano e não necessariamente àqueles que já estão em mais de uma temporada.

Temos alguns destaques importantes e esperamos que essa lista possa até inspirar você, caro leitor, a maratonar alguma dessas séries que listaremos a seguir caso ainda não tenha assistido (é claro).

Vamos à lista, sem ordem de preferência:

Westworld (HBO)

Já renovada pela HBO para a 2ª temporada, Westworld foi disprada a melhor série que estreou em 2016. E após a produção ter sido interrompida algumas vezes para dar tempo do casal de criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy terem tempo de finalizar o roteiro, Westworld conseguiu recuperar aquele hype de quando Lost passava. Foi comum acompanhar as teorias e discussões no dia seguinte à exibição do episódio.

A trama futurista baseada no filme Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (1973), dirigido por Michael Chrichton (Jurassic Park), se passa em um parque temático que recria diversos períodos da história e usam androides com aparência humana para receberem e satisfarem os desejos humanos. Mas nesse experimento os robôs começam a ser uma ameaça aos turistas, além de outras conspirações que começam a surgir à medida que a série avança.

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Foto: Divulgação/Netflix

The Crown (Netflix)

Difícil imaginar lá no início do ano que alguma série conseguiria suprir a ausência deixada por Downton Abbey, que foi encerrada após seis temporadas. Mas eis que The Crown conseguiu isso. Também pudera: juntar Peter Morgan (roteirista de A Rainha) e Stephen Daldry (diretor de As Horas) na produção foi o ponto de partida para tornar a produção mais um tiro certeiro da Netflix. Além dos dois por detrás das câmeras, na frente delas a atriz Claire Joy (que vive a Rainha Elizabeth) e John Lithgow (interpreta o Primeiro-Ministro WInston Churchill) fazem um trabalho belíssimo.

Além das atuações, a produção de The Crown é extremamente cuidadosa com os detalhes técnicos, todo o luxo da realeza britânica e a crise política que a Rainha Elizabeth precisa encarar logo quando assume o trono deixado por seu pai, morto devido a um câncer no pulmão. Há duvidas sobre a forma como alguns acontecimentos são contados, mas a série é uma obra ficcional e não chega a incomodar em nenhum momento. Uma ótima pedida para maratonar nesse tempo de festas natalinas.

Foto: Divulgação/OWN Network
Foto: Divulgação/OWN Network

Queen Sugar (OWN Network)

A primeira série original do canal OWN Network, fundada por Oprah Winfrey, é um acerto em todos os sentidos. Com produção-executiva de Ava DuVernay (Selma, A 13ª Emenda e que dirige os dois primeiros episódios), Queen Sugar acompanha uma família formada por três irmãos e vivem separados uns dos outros. Com a repentina doença do pai, eles precisam se unir no interior da Louisiana para cuidar dos negócios que herdaram.

O que mais impressiona logo nos dois primeiros episódios é a sensibilidade com que Ava DuVernay conta a história: os dramas familiares possuem contornos de realidades, conflitos e disputas comuns a qualquer família que servem tanto para unir quanto para afastar um do outro. Mas, no final, o que realmente pode confortar qualquer desilusão ou perda é justamente estar próximo dos entes queridos.

Queen Sugar é uma série cuja história compreende isso e, além de ter todos os episódios dirigidos por mulheres que saíram recentemente das faculdades de Cinema espalhadas pelos Estados Unidos, lida com maturidade com esses dramas sem apelar para o banal ou para situações desnecessárias que por vezes são criadas apenas para chocar. Tudo é contado de maneira simples mas tão encantadora que Queen Sugar se tornou uma das maiores surpresas do ano.

Foto: Divulgação/NBC
Foto: Divulgação/NBC

This Is Us (NBC)

Temos dado poucas chances às séries da televisão aberta dos Estados Unidos por pura falta de tempo de acompanhar tudo o que é exibido. Mas quando realmente bom estreia é preciso destacar. E assim é This Is Us, que teve o trailer batendo recorde de 70 milhões de visualizações no ano e é criada por Dan Fogelman (responsável pela ótima comédia Amor à Toda Prova).

A trama acompanha os trigêmeos Kevin (Justin Hartley), Randall (o ótimo Sterling K. Brown) e Kate (Chrissy Metz) em suas vidas atuais, seus conflitos e problemas de relacionamento, assim como também olha para o passado à medida que foram crescendo e sendo educados pelos pais Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca (Mandy Moore).

A primeira temporada entrou em recesso e já há alguns episódios inesquecíveis, como um que se passa durante o SuperBowl (a final do futebol americano) quando o Pittsburgh Steelers (time do coração do casal Jack e Rebecca) e eles têm uma discussão no meio da partida sobre ter ou não filhos que é maravilhosa, um dos melhores capítulos vistos por a gente aqui no ano. E This Is Us vem merecendo toda a atenção que as premiações estão dando no momento à série.

Foto: Divulgação/Canal+
Foto: Divulgação/Canal+

Le Bureal des Légendes (Canal +)

Já em sua segunda temporada, a série francesa Le Bureal des Légendes foi disponibilizada apenas neste ano para um público maior por meio do serviço de streaming no iTunes, onde é possível comprar a 1ª temporada inteira. Escrita por Eric Rochant (Quebra de Conduta), Le Bureal des Légendes acompanha o espião francês Guillaume ‘Malotru’ Debailly (Mattieu Kassovitz, do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), quando ele retorna de sua missão na Síria e precisa ser inserido novamente nas ações do diretório de agentes secretos em Paris.

A série tem conflitos reais como questões envolvendo a guerra civil na Síria, o crescimento exponencial do Estado Islâmico e a crise de confiança que a França viveu nos últimos tempos por conta dos ataques terroristas que amedrontaram e causaram pânico no país nos últimos dois anos.

Com uma espionagem que lembra os livros de John Le Carré, com a mesma urgência vista tão bem nos últimos dois anos de Homeland, Le Bureal des Légendes é uma série obrigatória não somente para quem gosta desse gênero de espionagem, mas para qualquer pessoa que é fã de uma história ser tão bem contada.

Foto: Divulgação/Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

Luke Cage (Netflix)

Confessamos que a primeira metade da temporada de Luke Cage é um pouco problemática. A série se arrasta por algumas tramas desnecessárias e demora para encontrar o seu ritmo. No entanto, o novo super-herói, e negro, da Marvel na Netflix é bastante eficaz ao justamente trazer à tona de maneira convincente os problemas raciais da sociedade americana.

Ambientado no Harlem, um bairro negro de Nova York, Luke Cage é um ex-presidiário e trabalha em um salão que é tido como um território negro em meio à disputa de gangues rivais por espaço. Um desses grupos é comandado por Cornell ‘Boca de Algodão’ Stokes (Marhershala Ali, de House of Cards e do filme Moonlight) que vê uma oportunidade de ocupar a vaga deixada pelo Rei do Crime.

A cultura negra se faz presente em cada detalhe de Luke Cage, seja pelo jazz da trilha sonora ou por ilustrações artísticas que colorem os muros do bairro. Além de toda a pancadaria, obviamente, a série é mais um produto bem-sucedido da Netflix em explorar esses heróis menos conhecidos da Marvel.

Foto: Divulgação/FX
Foto: Divulgação/FX

The People vs O.J. Simpson (FX)

Esse ano tivemos algumas produções sobre o julgamento do jogador de futebol americano O.J. Simpson, acusado de matar sua mulher e que foi inocentado na época. Além do documentário O.J.: Made in America, da ESPN, tivemos a nova série antológica criada por Ryan Murphy (American Horror Story). Então, The People vs O.J. Simpson estreou com enorme expectativa. E a série cumpre todas elas.

Desde as atuações incríveis de Sarah Paulson (como a advogada Marcia Clark), Courtney B. Vance (que faz o advogado Johnnie Cochran), passando pelos coadjuvantes Sterling K. Brown (o advogado Christopher Darden) e John Travolta (apesar de irreconhecível como Robert Shapiro), a série é forte, lida com as questões sexistas, os preconceitos e remonta todo o circo causado pelo julgamento na época.

Não à toa que The People vs O.J. Simpson vem vencendo todos os prêmios desse ano. É de fato uma das melhores séries que assistimos por aqui.

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Insecure (HBO)

Comentamos já sobre Luke Cage nesse artigo e Insecure, série da HBO que estreou nesse ano, merece entrar nessa lista por ter conseguido inserir a cultura negra (e a mulher negra) na produção televisiva desse ano, ganhando um espaço que antes não tinham. Outra produção que fez isso foi Atlanta (FX), que também merecia estar entre as melhores do ano e só não entrou porque nós aqui do Trívia ainda não conseguimos terminar de assistir a 1ª temporada antes da data de publicação desse texto – mas falaremos sobre Atlanta em um outro momento, garantimos.

No primeiro momento que se começa a assistir Insecure parece que estamos vendo algo derivado de Girls. Mas, calma, a série criada por Issa Rae e Larry Wilmore já está aí há algum tempo porque antes era uma websérie até ser comprada pela HBO, a levando para o mainstream do canal fechado.

Insecure acompanha Issa (Rae) e Molly (Yvonne Orj) duas jovens negras que compartilham o cotidiano repleto de experiências desconfortáveis (desde sofrer preconceito ou ser cantada na rua), desafios no trabalho (busca por valorização) enquanto tentam seguir seus sonhos como qualquer outro ser humano. É bom não se deixar enganar pelo bom humor da série, que é das virtudes do roteiro, que na verdade estabelece uma forte mensagem de empoderamento de mulheres negras da qual todos nós concordamos e devemos apoiar.

Foto: Divulgação/HBO
Foto: Divulgação/HBO

The Night Of (HBO)

Quando Game of Thrones terminou a 6ª temporada, a HBO ocupou imediatamente o horário com The Night Of, série adaptada do programa britânico Criminal Justice (desenvolvida por Peter Moffati, das séries Sherlock e Doctor Who) e que deveria marcar o retorno do ator James Gandolfini, morto precocemente antes de começar as filmagens em 2013.

Criada por Richard Price (roteirista de A Cor do Dinheiro, dirigido por Martin Scorsese) e Steve Zailian (roteirista de A Lista de Schindler), The Night Of acompanha o paquistanês Nasir ‘Naz’ Khan quando sai escondido em uma noite para ir em uma festa e acaba se envolvendo em um homicídio.

Até o final The Night Of guarda a dúvida se ele cometeu ou não o crime, enquanto também somos apresentados ao advogado Jack Stone (interpretado pelo excelente John Turturro), responsável por defender Naz, e que nos leva a sentir sensibilidade por ele por sua condição que lhe impossibilita calçar sapatos fechados.

Com diversas críticas ao sistema judiciário e penal americano e à burocracia que impede com que muitos processos avancem, The Night Of foi uma das surpresas do ano que se transformou em um imediato sucesso logo após sua estreia.

Foto: Divulgação/HBO
Foto: Divulgação/HBO

The Young Pope (HBO)

Uma série da HBO roteirizada e dirigida por Paolo Sorrentino (A Grande Beleza) e com Jude Law e Diane Keaton como protagonistas? É lógico que estaria entre as melhores do ano, absolutamente. Pio XIII é o fictício Papa que deseja que todas as coisas sejam feitas à sua maneira e que seus súditos cardeais e bispos se ajoelhem perante à sua imagem sagrada.

O texto de Sorrentino é irônico, sagaz, engraçado e crítico, enquanto Jude Law aparece em cena fumando e se organizando para levar à luz os podres dos seus adversários para que eles possam ser julgados por todos que acompanham a Igreja Católica. É maravilhosa a série, sendo uma produção que toma mais riscos do que outras como The Borgias (série da Showtime, já encerrada) ou o filme Habemus Papam, de Nanni Moretti.

E se tem uma pessoa que poderia se arriscar a fazer uma série tirando algum sarro das práticas do Vaticano, essa pessoa seria Paolo Sorrentino. E ele está mais afiado do que nunca.

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