Estamos em clima já de final de ano por aqui e agora é hora de olhar para os filmes que mais gostamos em 2016. Primeiro pensamos que seria difícil montar uma lista porque não estávamos conseguindo pensar muito bem nos filmes. Mas à medida que fomos relembrando descobrimos que muitas produções marcantes e inesquecíveis estiveram presentes em 2016. E é isso que tentamos compilar nessa lista, apesar de termos saído um pouco do número costumeiramente utilizado para fazê-la.

Mas é que alguns não podiam mesmo ficar de fora. E olha que teve alguns outros que gostaríamos que tivesse entrado, mas preferimos não citá-los aqui porque isso com certeza deixaria a nossa lista de filmes ainda maior do que já está.

Confira:

Anomalisa
Dir: Charlie Kaufman e Duke Johnson

A beleza e o amor que sentimos por alguém está em nossa cabeça e não na pessoa que amamos. De uma forma doce e sutil, Anomalisa toca em assuntos de relacionamento que estão em bastante evidência atualmente: relacionamentos líquidos. Muito se fala sobre a rapidez com que pessoas se juntam e se separam, se apaixonam e enjoam da companhia uma das outras e com qual facilidade trocam de par, e o filme traz esse tema sem que o espectador o perceba.

Na história, Michael se apaixona à primeira vista por uma aluna que tem problemas em aceitar a própria forma física do rosto. Ele está cansado de todas as pessoas, que para ele possuem a mesma voz, mas Lisa aparece do nada com uma voz própria e isso encanta. No decorrer do filme, a voz de Lisa na cabeça de Michael vai se confundindo aqui e ali com a voz de todas as outras pessoas até que finalmente ela se junta à multidão. O encanto acabou e a garota é só mais uma.

A forma natural com que a personagem “abandonada” lida com a situação, a aceitação e até certa dignidade faz com que a gente reflita sobre como viver nessa sociedade em que até mesmo o novo perde a importância frente às ansiedades da mente.


Fogo no Mar | Foto: Reprodução
Fogo no Mar | Foto: Reprodução

Fogo no Mar
Dir: Gianfranco Rosi

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim no início do ano, o documentário Fogo no Mar acompanha a chegada de refugiados vindo das regiões de conflito à ilha de Lampedusa, na Itália. O diretor Gianfranco Rosi segue o cotidiano dos habitantes que vivem suas vidas normalmente à medida que tantas pessoas chegam tomadas pela esperança de poderem viver em paz. Muitos não conseguem sobreviver à travessia e há uma sequência particularmente dolorosa do médico revendo as fotos e relatando o estado que muitos desses refugiados se encontram quando terminam a travessia.

Fogo no Mar é de partir o coração e embrulha o estômago em muitos momentos, mas é um filme necessário, importante e cujas imagens são exibidas com profundo respeito pelo documentarista ao não se intrometer na história e apenas observá-la – oferecendo o mesmo para nós que assistimos. Há aquele momento de dor já relatado antes, mas há um momento que exprime essa esperança e alegria quando os refugiados jogam futebol entre eles ali mesmo, numa espécie de celebração por estarem vivos.


Sing Street | Foto: Reprodução
Sing Street | Foto: Reprodução

Sing Street
Dir: John Carney

Sing Street é um desses filmes que ainda ficam na nossa cabeça por algum tempo após assistido. Dirigido por John Carney, o mesmo diretor de Apenas Uma Vez e Mesmo se nada der certo, o filme é um culto às influências que temos em nossas vidas através da música. É uma visão que nós aqui não só concordamos, mas principalmente sentimos. A música nos molda, nos faz ver o mundo de uma outra forma, muda o nosso comportamento, nos envolve. E John Carney consegue colocar tudo isso em Sing Street.

O filme é também o mais pessoal de todos até o momento para Carney, já que o personagem Conor é Carney ainda adolescente, vivendo em Dublin, passando pelo divórcio dos pais, tendo que mudar de escola por conta da frágil economia da Irlanda nos anos 80 e encontrando na música o seu escapismo para sonhar, se apaixonar e se expressar. Sing Street é uma grata surpresa, dessas que ficamos realmente felizes por ter acontecido.


hell-or-high-water
A Qualquer Custo | Foto: Reprodução

A Qualquer Custo
Dir: David McKenzie

Difícil encontrar qualquer pessoa que não tenha ficado perplexa com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Sabemos que o filme A Qualquer Custo não é sobre isso, mas o fato da história ser ambientada no meio-oeste americano e nas suas cidades-fantasma, dá um pouco a dimensão do descontentamento de grande parte da população – além de toda a discussão sobre esse crescimento de grupos que apoiam a disseminam a ideia de supremacia branca frente aos outros grupos.

O filme dirigido por David McKenzie insere os irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) em uma América falida que os obriga a cometer assaltos a pequenos bancos no interior do Texas para ajudar a pagar suas dívidas e salvar o rancho da família. O policial Marcus Hamilton (Jeff Bridges, em uma das melhores atuações do ano), mesmo prestes a se aposentar, está no encalço deles na companhia do seu parceiro Alberto Parker.

As atuações de Chris Pine e Ben Foster são ótimas, mas o ponto alto do filme é mesmo Jeff Bridges. Que espetáculo esse ator e como ele consegue nos emocionar em meio a uma sequência tensa de tiroteio.


Dois Caras Legais | Foto: Reprodução
Dois Caras Legais | Foto: Reprodução

Dois Caras Legais
Dir: Shane Black

Há quanto tempos não assistíamos a um bom filme policial, né? Naquele clima de Máquina Mortífera, sabe? Dois Caras Legais revive isso e não à toa foi dirigido e escrito por Shane Black, o mesmo roteirista responsável pela franquia protagonizada por Mel Gibson e Danny Glover. Dessa vez os detetives são Ryan Gosling e Russell Crowe, que simplesmente encontraram uma química perfeita entre as atrapalhadas de um (Gosling) e o lado mais durão do outro (Crowe).

O resultado é um filme engraçado, cômico, cheio de momentos divertidos acertando não somente na dinâmica entre os dois detetives mas principalmente no tom do humor. Isso sem falar na atriz Angourie Rice, estreante e que faz a filha do personagem vivido por Gosling no filme. Dois Caras Legais é nonsense e é exatamente por isso que adoramos tanto o filme.


Deadpool | Foto: Reprodução
Deadpool | Foto: Reprodução

Deadpool
Dir: Tim Miller

Poucas vezes vimos um filme de super-herói tão divertido, sem aquelas tentativas fracassadas de se levar a sério, sem buscar aceitação ou ser digerido de forma fácil. Deadpool é tudo ao contrário e foi o projeto mais ousado da Marvel até o momento. Aliás, o estúdio quando não está pensando em reboots de Homem-Aranha ou em expansão do seu universo de heróis, consegue obter bons resultados artísticos – basta olhar para as séries que estão sendo exibidas pela Netflix atualmente.

Interpretado por Ryan Reynolds, o herói Deadpool é levado para as telonas e já surpreende pela estrutura diferente logo quando começa a contar a história, estabelecendo uma sequência de ação como ponto de partida para mostrar o “nascimento” desse personagem. E o que é mais forte no roteiro é o traço humano com que essa história é contada em meio à insanidade do personagem.

Em meio a tantos filmes de heróis decepcionantes, Deadpool foi um fio de esperança de que é possível fazer boas produções desse gênero sem muita parafernália.


Os Oito Odiados | Foto: Reprodução
Os Oito Odiados | Foto: Reprodução

Os Oito Odiados
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados é o 8º filme de Quentin Tarantino, que está em clima de homenagem ao olhar para a sua filmografia, mas isso só exalta mesmo o seu talento como realizador e como alguém que consegue pensar nos mínimos detalhes quando mergulha em um novo projeto. É assim que Os Oito Odiados tem a sua assinatura em cada quadro, ambientado durante o final da Guerra Civil americana e centrado em personagens extremamente perigosos que se encontram no clímax a narrativa em uma sequência que nos tira o fôlego tamanha a tensão que Tarantino consegue criar.

Um outro resultado de Os Oito Odiados é a intensa sensação de claustrofobia que sentimos à medida que o filme passa, com os personagens enfrentando a neve e também se protegendo na cabana onde toda a ação se desenrola e o texto talentosíssismo de Quentin Tarantino pode aparecer. E não vamos nos esquecer: Os Oito Odiados deu o primeiro Oscar de Melhor Trilha Sonora Original para o maestro Ennio Morricone. Sim, estamos falando realmente de um filme muito especial.


Aquarius | Foto: Reprodução
Aquarius | Foto: Reprodução

Aquarius
Dir: Kléber Mendonça Filho

Não há duvidas de que Aquarius é o grande filme brasileiro do ano. Bom, talvez a comissão que escolhe o candidato brasileiro ao Oscar não saiba disso, mas quem se importa com eles? O segundo longa-metragem de Kléber Mendonça Filho (do ótimo O Som ao Redor) é uma obra que pode ser considerada “prima”. Não aumentamos quando falamos dessa forma porque Aquarius é mesmo tudo o que se predispõe a ser.

Sônia Braga está maravilhosa ao viver Clara, uma mulher no auge dos seus 60 e tantos anos que mora no prédio chamado Aquarius na orla de Boa Viagem e se recusa a deixar o seu apartamento, mas principalmente todas as suas memórias vividas naquele ambiente, em troca de ser bem recompensada financeiramente por uma construtora que deseja construir um novo empreendimento no lugar.

Aquarius é um filme íntimo, que nos leva a visitar as memórias de Clara através dos seus vinis que ela toca costumeiramente, seus álbuns de fotografias e passear por todos os cantos do apartamento onde tem uma história a ser contada e uma memória que foi vivida, o que torna este um dos filmes mais deliciosos que assistimos no ano.


Spotlight: Segredos Revelados | Foto: Reprodução
Spotlight: Segredos Revelados | Foto: Reprodução

Spotlight: Segredos Revelados
Dir: Tom McCarthy

Durante muito tempo o filme Todos os Homens do Presidente foi o exemplar indispensável para explicar como funciona o jornalismo, pra que serve e a sua importância na sociedade. E o filme dirigido por Alan J. Pakula com Robert Redford e Dustin Hoffman continuará sendo. Mas agora temos um novo filme, um do nosso tempo. Spotlight: Segredos Revelados acompanha a equipe de jornalistas do Boston Globe que revelou os casos de abusos sexuais cometidos por padres da Igreja Católica e como eles foram sendo acobertados ao longo do tempo.

Spotlight: Segredos Revelados é um filme sobre o jornalismo e tudo que está envolvido nele, feito para jornalistas que com certeza se sentiram orgulhosos de se verem representados pelos personagens que ali estão. Além da tensão e da indignação causados pelo tema, o filme é sobre a forma como esses jornalistas vivem intensamente a profissão e como isso os levaram a esmiuçar um caso que começou ganhando contornos locais até se tornar global.

Por isso só Spotlight: Segredos Revelados já deveria ser considerado um dos melhores filmes do ano. Nós aqui do Trívia gostamos tanto que assistimos o filme cinco vezes. E mal esperamos termos novas oportunidades para continuar revendo o filme por mais quantas vezes for necessária, porque nunca será demais reassistí-lo.


A Grande Aposta | Foto: Reprodução
A Grande Aposta | Foto: Reprodução

A Grande Aposta
Dir: Adam McKay

Muitos filmes foram feitos sobre a crise econômica de 2009. Mas poucos na realidade conseguiram explicar tão bem o que de fato aconteceu como A Grande Aposta. Tudo é explicado bem mastigadinho para o espectador leigo entender tudo o que se passou e as práticas inventadas pelo mercado financeiro que puxaram os Estados Unidos e o mundo em uma crise global desenfreada.

O melhor de A Grande Aposta é que tudo é contado de forma leve, engraçada. Mas é no humor que reside o choque, porque o filme sabe ser engraçado sem desmerecer a importância e a seriedade do tema.

Sem falar que Ryan Gosling, Steve Carrell, Brad Pitt e todo o elenco está mais afiado do que nunca.


O Quarto de Jack | Foto: Reprodução
O Quarto de Jack | Foto: Reprodução

O Quarto de Jack
Dir: Lenny Abrahamson

Na temporada de premiações ficamos completamente bobos pelo garotinho Jacob Tremblay. Na premiação do Oscar, quando R2-D2 e C3-PO entraram no palco, ele se levantando para enxergar foi uma das cenas mais legais e puras do ano. O Quarto de Jack é um dos melhores filmes do ano muito por causa da sua atuação e também da atriz Brie Larson, vencedora da estatueta dourada de Melhor Atriz e que interpreta Joy, uma mulher que ficou trancafiada com o seu filho Jack e foi violentada por muitos anos.

O caso é baseado na história de um austríaco que trancafiou e violentou a filha por 24 anos. Sim, O Quarto de Jack é um filme indigesto, difícil e completamente sufocante. Mas ele não poderia ficar de fora dessa lista. Pela importância e representatividade que o filme possui, mas também por ele ter sido uma das melhores obras que vimos no ano.

O Quarto de Jack é sensível e conta a história da superação de dois seres humanos de um trauma que sabe-se lá como é possível se recuperar.

[Crédito da Imagem: Reprodução]

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