Cinema

“Rua Cloverfield, 10” traça história paralela e expande trama do primeiro filme

[ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS]

Anunciado de forma surpreendente em fevereiro desse ano, quando a produtora de J.J Abrams (Bad Robot) divulgou o primeiro trailer, Rua Cloverfield, 10 estreia nesta quinta-feira (7) rodeado de muitas expectativas e também mistérios. Ao invés de continuar com a trama de fim do mundo e o apocalipse chegando que determinou o primeiro filme, J.J Abrams e o estreante diretor Dan Trachtenberg brincam de maneira competente com a dúvida sobre o que realmente está acontecendo lá fora.

Michelle (Mary Elizabeth Winstead, de Scott Pilgrim Contra o Mundo) termina o noivado e parte assim sem rumo. Ao sofrer um acidente na estrada, ela acorda em uma espécie de abrigo construído por Howard Stambler (John Goodman, de Trumbo) temendo o início de uma guerra iniciada pelos inimigos dos Estados Unidos que, supostamente, lançaram algum ataque químico em todo o país. No abrigo ela encontra Emmett (John Gallagher Jr.) que resolveu procurar Howard e se esconder ali após ter visto um enorme clarão de luz enquanto dirigia. Howard convence os dois de que ali dentro é o lugar mais seguro enquanto não sabem o que é que tem lá fora que deixou tudo tão perigoso.

E é em justamente brincar com essa dúvida do espectador que Rua Cloverfield, 10 é um filme tão competente em sua estrutura narrativa. E tudo bem que a gente já saiba (ou temos uma ideia) o que de fato está acontecendo porque esse filme acontece paralelamente à obra anterior. E em contrapartida ao perigo do qual ninguém sabe, Rua Cloverfield, 10 constrói um bom thriller psicológico que usa como pano-de-fundo uma mulher sendo mantida refém em cativeiro por um homem mais velho. O filme não a trata como em outros filmes do gênero que apenas coloca a mocinha como um simples objeto que está ali para ser explorado – apesar do seu sutiã aparecer em boa parte do filme.

Apesar do “monstro” ainda ser um problema por conta do aspecto confuso da criatura, Rua Cloverfield, 10 é um filme bastante diferente do seu antecessor. Ele não se posiciona entre um filme de terror ou exatamente de sci-fi (com exceção da sequência final) como Cloverfield fez há oito anos. Rua Cloverfield, 10 é um suspense que cumpre muito bem a proposta de expandir o universo da trama principal enquanto se mantém focado o tempo todo na construção da relação dos personagens vivendo em um abrigo e que não sabem o porquê de estarem ali escondidos – eles apenas entendem que ali dentro é mais seguro do que estar lá fora, até que chega um momento em que não importa mais. Os dois ambientes são perigosos. E aí o filme se torna a (divertida) ficção científica que esperamos.

Foto: Divulgação/Paramount
Foto: Divulgação/Paramount

“Um sucessor espiritual”

Foi dessa forma que o diretor J.J Abrams definiu Rua Cloverfield, 10. Tanto ele quanto o diretor Dan Trachtenberg têm dito em entrevistas recentes que esse filme não se trata de uma sequência. É um outro tipo de história que busca expandir o universo do primeiro filme. Anteriormente chamado de The Cellar, a história finalizava quando Michelle foge do abrigo e dirige até Chicago, onde sua família supostamente vive até que ela vê a cidade completamente destruída. Esse era o roteiro original.

Concordamos que não se trata de um spin-off ou de uma sequência. No entanto, possuem sim algumas ligações. Uma delas, como parte da campanha de marketing do filme nos últimos meses, é a ligação de Howard Stambler (Goodman) com a empresa japonesa Tagruato (veja aqui no site falso da empresa que ele inclusive foi nomeado o funcionário do mês de fevereiro desse ano), a mesma que também é citada em Cloverfield por se tratar do emprego que Rob Hawkins deveria começar.

Na descrição de Howard, a empresa diz que ele trabalha pela companhia há sete anos e que recentemente “apresentou um significante diagnóstico de complicações nas transmissões de dois dos quatro principais satélites de um de nossos clientes do governo”. Uma pista interessante considerando o diálogo entre ele e Michelle quando Howard explica que serviu à Marinha e se especializou em satélites. Além disso, ele mantém um aparelho (do qual aparentemente ele recebeu um sinal de que o mundo estava sendo atacado) em seu abrigo.

Em entrevista recente ao jornal Los Angeles Times, J.J Abrams revelou suas pretensões com esse filme e para onde ele deseja levar a história. “Nós temos uma grande ideia que espero que tenhamos a chance de filmar. Enquanto isso, eu acho que a maneira mais fácil de considerar é que se trata de uma história desse universo ficcional que pode se tornar uma espécie de antologia”, disse ele.

Foto: Divulgação/Paramount
Foto: Divulgação/Paramount

O conceito de tempo

Mencionamos durante todo o texto que Rua Cloverfield, 10 ocorre paralelamente à Cloverfield. O conceito de tempo não é uma das melhores pistas e talvez nisso os dois filmes não possuem ligação alguma. Em uma sequência que mostra essa passagem de tempo em Rua Cloverfield, 10, quando Michelle decide sair do abrigo é impossível saber há quanto tempo os alíens estão na terra. Por algumas pistas do roteiro a sensação é de que eles já estão há um tempo. Enquanto isso, grupos de resistência já se formaram e estão começando a retomar algumas áreas – e essa pode ser uma das tramas do próximo filme.

O site Entertainment Weekly também conversou com J.J Abrams recentemente. E o diretor do último Star Wars – O Despertar da Força falou que já sabe quais os planos que eles têm para o terceiro filme. E como a Bad Robot tem outros projetos de ficção científica com o estúdio Paramount, God Particle e The Collider (esse com a história ambientada no espaço por um time de astronautas que fazem uma terrível descoberta e precisam lutar por sobrevivência), é bem possível que um desses filmes possam funcionar como sequências para Rua Cloverfield, 10. Desde já estamos ansiosos e curiosos para saber o que virá em seguida.

Crédito da Imagem: Divulgação/Paramount

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