Cinema

Russell Crowe e Ryan Gosling acertam no humor em 'Dois Caras Legais'

Dois Caras Legais é um daqueles filmes que nos relembra os ótimos momentos das aventuras policiais em que a dupla de protagonistas dava todo o tom do filme. Claro, o primeiro que me vem à cabeça é a franquia Máquina Mortífera por ter visto tantas vezes e praticamente ter feito parte da minha adolescência. Mel Gibson e Danny Glover faziam o contraponto perfeito naquele filme, do policial branco e o outro negro, de um com problemas na vida amorosa e com álcool ao outro que tinha uma vida mais estável.

E não é por acaso que Dois Caras Legais se assemelham tanto àqueles filmes. Afinal, o diretor Shane Black é o roteirista responsável pelos dois longas (sendo que Máquina Mortífera, então dirigido em 1987 por Richard Donner, Black conseguiu vender o texto ao estúdio quando tinha apenas 22 anos). Portanto, muito da dinâmica que vemos em Dois Caras Legais saiu também desse trabalho que iniciou a sua carreira no cinema e o ajudou a se tornar depois diretor.

Com uns erros aqui (Homem de Ferro 3) e acertos ali (Beijos e Tiros), Shane Black se consolida agora com Dois Caras Legais. E os principais responsáveis por isso, além dos méritos próprios de Black, é a dupla Ryan Gosling (Holland March) e Russell Crowe (Jackson Healy). Quem poderia imaginar que Crowe conseguiria fazer um filme no qual ele tivesse que se dar bem com o seu parceiro de set? Aconteceu e funcionou muito bem com Gosling.

Ryan Gosling e Russell Crowe mostram boa sintonia em 'Dois Caras Legais'. | Foto: Divulgação
Ryan Gosling e Russell Crowe mostram boa sintonia em ‘Dois Caras Legais’. | Foto: Divulgação

O timing do humor dos dois surpreende e muito em cada cena. Os gritos aterrorizados de Gosling, as piadas com álcool de Crowe (o ator tem um histórico de alcoolismo) criaram uma dinâmica que complementa o humor negro e político da trama de Shane Black, que por vezes parece uma daquelas comédias que os irmãos Coen fazem (o recente Ave, César! é um ótimo exemplo), tendo mortes que mais aparecem uma sequência de humor e uma trama que segue envolvente contando uma série de eventos estranhos.

Essa trama absurda encontra um bom equilíbrio nos dois detetives vividos por Gosling e Crowe que não seguem em nada a cartilha de bons investigadores. Em uma determinada cena, Holly March (a personagem que é filha de Ryan Gosling e interpretada por Angourie Rice, uma agradável surpresa do filme) fala para o pai “você é o pior detetive do mundo”. Tanto March quanto Healy não são mesmo os melhores detetives, mas é muito cômico ver o quanto eles se esforçam realmente para não serem.

A melhor definição para Dois Caras Legais que li foi dada pelo crítico A.O Scott, que o chamou de “um nonsense noir”. O filme é justamente isso: homenageia o gênero noir, se permite ser nostálgico mas não se deixa levar a sério como os filmes policiais das décadas de 70 e 80 não se deixavam.

[Crédito da Imagem: Divulgação]

Um comentário

  • Sara Caldeira

    Encanta-me o trabalho deste diretor. Este filme ultrapassou minhas expectativas, Shane Black adaptou a história de uma maneira impressionante, colocando como um dos meus preferidos é The Nice Guys filme por que faz com que o espectador se sente a ver o filme. Este filme é um dos melhores do gênero de drama que estreou o ano passado. No elenco vemos Russell Crowe e Ryan Gosling, dois dos atores mais reconhecidos de Hollywood que fazem uma grande atuação neste filme.

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