Safra ruim torna o Oscar 2019 mais competitivo

A premiação do Oscar acontece no próximo domingo, 24 de fevereiro, e na ausência de grandes histórias (e até de apresentador), o que temos mesmo para comentar é o equilíbrio deste ano, por conta de uma safra ruim de indicados. Normalmente, na última semana que antecede a entrega dos prêmios, os sindicatos já teriam se encarregado de indicar os favoritos. Mas nem mesmo eles concordaram nisso, pois cada um escolheu um filme.
Isso tornou o Oscar mais competitivo e mais imprevisível (para algumas das principais categorias da noite) desde que a Academia mudou as regras em 2009, quando passou a indicar até dez filmes na categoria principal.

Nenhum dos considerados favoritos conseguiu confirmar sua preferência nos prêmios dos sindicatos. Um exemplo disso é o Writers Guild, que premia os roteiros: muitos davam como certa as vitórias de Roma ou Vice em Roteiro Original e Se a Rua Beale Falasse em Adaptado; eis então que os vencedores foram Oitava Série (Origial) e Poderia Me Perdoar? (Adaptado).

Já o sindicato dos produtores, que há alguns anos define também o vencedor de Melhor Filme, entregou seu prêmio para Green Book: O Guia, que é o indicado mais improvável. O filme passou por diversas controvérsias ao longo da corrida, ele é acusado de não fazer jus à história do pianista Don Shirley, deixando apenas que a história seja vista pelo ângulo do motorista Tony Lip. É verdade, convenhamos que aquele final também não ajuda.

Mas é verdade também que Green Book: O Guia é um filme que alcançou um enorme público nos Estados Unidos e “faz as pessoas se sentirem bem” após a exibição – é o que falam. Com tanta coisa ruim acontecendo no mundo, e tantas instabilidades, é possível que a Academia recorra a essa muleta. A mesma usada, diga-se, para premiar filmes como Dança com Lobos ao invés de Os Bons Companheiros, Crash – No Limite em detrimento de O Segredo de Brokeback Mountain ou quando E.T: O Extraterrestre foi o filme com maior aclamação da crítica (e até do público), mas perdendo aquele Oscar de 1982 para Gandhi.

Segundo dados da consultoria Capital News Service (CNS), que realiza estudos sobre os vencedores do Oscar examinando críticas e notas dos sites IMDB, RottenTomatoes e Metacritic, os filmes mais aclamados pela crítica nem sempre são os favoritos (sério?). Em 15% das vezes algum filme preterido é consagrado como Melhor Filme.

O que tudo isso significa

Estamos diante de um Oscar que já pode ser considerado como o mais competitivo dos últimos dez anos. A única certeza é que Alfonso Cuáron sairá da premiação com a estatueta de Melhor Diretor, enquanto muitas surpresas se reservam às outras categorias já que não há unanimidade neste ano como houve em edições anteriores. Roma não sairá da premiação com 8 Oscars, muito menos Green Book: O Guia.

Ainda que a corrida neste ano tenha sido morna ou que poucos filmes realmente empolgassem, e os que conseguiram sequer foram indicados (aqui menção honrosa para Se a rua Beale… e Primeiro Homem), talvez este seja o motivo principal para assistir a cerimônia, caso você já não tenha desistido até agora.

Vinícius Silva
Sou formado em Jornalismo e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. O vício em Filmes, Séries e nas Artes em geral me levaram à escrita.

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