Saoirse Ronan reconta a própria trajetória em “Brooklyn”

Em recente participação no The Late Show com Stephen Colbert nos Estados Unidos, a atriz irlandesa Saoirse Ronan falou sobre Brooklyn e como foi filmá-lo sabendo que estava praticamente contando a sua própria história. Grande vencedor do Festival de Sundance do ano passado, o filme dirigido por John Crowley, a partir de roteiro escrito por Nick Hornby baseado no livro do escritor Colm Tóibín, fala sobre um tema importante e atual que é a imigração. Porém, sem a profundidade que deveria.

Ellis (Ronan) se muda para os Estados Unidos ainda jovem com o intuito de construir uma nova vida. Para trás ela deixa a sua mãe e irmã, na Irlanda. Muitos irlandeses fizeram o mesmo caminho que Ellis e se estabeleceram nos Estados Unidos em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida, algo que a Irlanda não conseguia oferecer naqueles tempos até por conta da divisão e a briga que existia entre os dois lados irlandeses – a história se passa em meados do século passado.

As primeiras sequências do filme mostram Ellis embarcando para uma viagem de trem que duraria muitos dias. Logo de imediato ela faz amizade com uma outra passageira, que lhe passa algumas dicas de como sobreviver à viagem e o que fazer quando chegar nos Estados Unidos para conseguir entrar. O diretor John Crowley decide erroneamente transformar essas cenas em algo fácil, com uma grande luz saltando do interior do portão que se abre para receber Ellis, como se ela estivesse entrando em um paraíso e tivesse saído do inferno.

Por isso que, o melhor modo de assistir Brooklyn é tentando não se importar com a maneira rasteira pela qual os responsáveis pelo filme conduzem a história, sem se aprofundar nessa tema importante que é a imigração. Ellis passa por momentos difíceis de saudade de casa enquanto vive em uma residência com outras jovens também imigrantes. E se adaptar ao modo de vida de um outro país não é fácil – algo que o filme também não relata com profundidade. A comunidade irlandesa já estabelecida tenta manter as suas tradições e os seus costumes, com o intuito de tornar os primeiros meses e anos longe de casa menos doloroso.

No final, Brooklyn se transforma em história de amor a partir do momento que Ellis conhece um rapaz de origem italiana nos EUA. Algo similar ocorre quando ela precisa voltar às pressas para a Irlanda para cuidar da sua mãe. De volta, ela também consegue um bom emprego, até melhor do que aquele que ela tinha nos EUA. E isso faz com que ela se questione se deve continuar na Irlanda (um país que não dava indícios de desenvolvimento naquele momento) ou se voltaria para a América para continuar a sua trajetória e aproveitar melhor as oportunidades.

Relatando até parece soar como um questionamento complexo e até um filme com reviravoltas. Mas não se engane. Brooklyn peca por ser raso e por tratar, tanto do tema quanto da trajetória da sua protagonista, de forma simples e certinha, onde a trama caminha de forma linear e não com os altos e baixos que a história deveria apresentar. E mesmo quando eventos desse tipo ocorrem, o roteiro não se esforça para desenvolvê-los.

É uma pena que isso aconteça pois Saoirse Ronan está muito bem no filme. A atriz, indicada ao Oscar, é o único elemento de destaque nessa obra. Brooklyn também não faz jus aos bons filmes sobre irlandeses que migraram para os Estados Unidos, a exemplos de Terra de Sonhos (2002, dirigido por Jim Sheridan), e o forte As Cinzas de Ângela (1999, que relata o caminho inverso). Em tempos de um debate importante sobre a crise da imigração na Europa por conta da guerra no Oriente Médio, Brooklyn parece não querer participar dessa discussão.

Assista o trailer:

Crédito da Imagem: Divulgação/Fox Searchlight

Vinícius Silva
Sou formado em Jornalismo e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. O vício em Filmes, Séries e nas Artes em geral me levaram à escrita.

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