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Seis motivos que tornam ‘Homeland’ ainda relevante na 6ª temporada

A série Homeland já exibiu dois episódios da 6ª temporada e se muita gente questionava se a série continuaria relevante depois de tanto tempo, basta acompanhar esses primeiros capítulos e perceber que o programa do canal Showtime ainda tem muito assunto para tratar.

Assista o trailer:

Com a ideia de continuar levando eventos da realidade para o espaço ficcional da série, numa mudança de rota que deu muito certo após o fracasso da 3ª temporada, Homeland volta aos Estados Unidos na 6ª temporada (mais precisamente Nova York) depois de ser ambientada em Islamabad (4ª temporada) e Berlim (5ª temporada).

Por isso listamos cinco temas que tornam a série ainda relevante nesta 6ª temporada. Confira:

[ATENÇÃO: SPOILERS]

1. Eleições americanas

O assunto da vez não poderia ser outro: a Eleição americana. A narrativa está concentrada entre o dia da Eleição que ocorre em Novembro até o dia da posse, em janeiro. Logo nos primeiros episódios vemos como o sistema frágil americano acaba comprometendo a transição de poder entre o presidente que está deixando o cargo e o outro que está entrando, que já pensa em mudar algumas políticas do antecessor enquanto deverá receber também uma crise para ser enfrentada.

E é isso que de certa forma temos acompanhado no noticiário internacional nos últimos dias. Mas, calma, ainda tem muito mais coisa que estamos lendo nos jornais e a que a série trouxe para a sua narrativa.

Homeland, 6ª Temporada | Foto: Divulgação/Showtime

2. Mudança no poder

Com as eleições, Homeland nos leva a conhecer a presidente-eleita Elizabeth Keane (Elizabeth Warren), que deseja começar o seu mandato fazendo algumas mudanças na CIA que vão de encontro com as ideias e conceitos do atual diretor Dar Adal (F. Murray Abraham). E ele, logicamente, não perderá tempo em armar alguma conspiração que faça a presidente-eleita mudar de ideia ou algo que simplesmente a faça perceber que estava errada.

O papel da CIA é uma discussão que vem fazendo parte da série desde a 4ª temporada. E talvez agora ganhe mais força e vimos recentemente o quanto Trump foi incisivo quanto aos relatórios da agência, ao dizer na imprensa que ele não precisa ser atualizado constantemente porque ele sabe muito bem o que está acontecendo.

Homeland, 6ª Temporada | Foto: Divulgação/Showtime

3. Crise com o Irã

A crise de relacionamento com a CIA tem um motivo em Homeland: o Irã. Enquanto Barack Obama e John Kerry trabalharam por um acordo diplomático com o país em relação às armas nucleares, na série esse acordo pode estar por um fio justamente porque a CIA acredita que o Irã está desenvolvendo armas no exterior com a ajuda da Coréia do Norte, numa operação descoberta pela Mossad (a Inteligência Israelense).

Esse é mais um ponto interessante abordado logo nos primeiros episódios de Homeland porque, em uma das últimas entrevistas como presidente, Barack Obama disse que pediu à Donald Trump para que ele mantivesse o acordo. Mas considerando as últimas decisões tomadas pelo novo presidente, é bem possível que esse acordo em breve comece a desfinhar. De acordo com a CNN, o Irã conduziu testes com mísseis nucleares nos últimos dias e deixou Israel preocupado, com o presidente Benjamin Netanhayu aproveitando mais uma vez para criticar o acordo.

É com esse clima de incerteza que Homeland também está destinada a conviver.

Homeland, 6ª Temporada | Foto: Divulgação/Showtime

4. Preconceitos e perseguições

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump assinou ordem que restringe sete países de origem islâmica cujos imigrantes estão banidos de entrar em território americano. Isso motivou protestos nos EUA e em outros países – o mais recente deles, em Londres, onde uma petição já contabiliza 1 milhão de assinaturas contra a visita do presidente americano ao Reino Unido.

Carrie Mathison (Claire Danes) está em Nova York, trabalhando em um escritório financiado por Otto Duhring. Um dos seus trabalhos, e da sua equipe de advogados, é defender pessoas que estão sendo acusadas injustamente apenas por serem praticantes do Islã. Mas quando o garoto Seikou ganha notoriedade com seus vídeos que homenageiam homens-bombas que agiram em Nova York, ele é preso pelo FBI e isso começa a desmascarar uma prática que é muito mais comum do que se imagina.

Na cerimônia de entrega do prêmio do Sindicato dos Atores (o SAG Awards) que ocorreu no último domingo, o ator Mahershala Ali venceu na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação em Moonlight. Convertido ao Islã, ele disse em seu discurso que “quando você persegue as pessoas, eles se dobram em si mesmos” (assista aqui). Essa é uma realidade que Homeland promete tratar nos episódios desta temporada.

Homeland, 6ª Temporada | Foto: Divulgação/Showtime

5. Mudanças geopolíticas

Todos esses fatores que Homeland livremente se baseia na realidade estão mudando drasticamente a geopolítica atual. Na quarta temporada, quando a série foi ambientada em Islamabad, a crise dos imigrantes ainda não estava sendo tão debatida enquanto a série trouxe à tona a questão dos drones e de operações que podem não precisar ser assinadas ou aprovadas pelo presidente. Na 5ª temporada, em Berlim, isso ficou mais claro pela crise que a Europa enfrenta e os ataques terroristas ocorridos em Paris, Nice e Bruxelas.

Com a instabilidade no Oriente Médio, toda essa mudança impacta diretamente a relação de muitos outros países, mas mais ainda o comportamento internamente que afeta o modo como as políticas são feitas e decisões tomadas. O caso de Seikou que está começando a ser contado nessa temporada de Homeland é apenas um braço de uma narrativa que promete expandir a discussão à medida que Carrie e sua equipe descobrir mais segredos que estão ao redor da trama.

Homeland, 6ª Temporada | Foto: Divulgação/Showtime

6. Campanha de ódio

A eleição americana foi marcada por uma intensa campanha de ódio. Há uma cena no segundo episódio que Peter Quinn, ainda sofrendo graves consequências pelo envenenamento gravado ao vivo na 5ª temporada por jihadistas, ouve o radialista Rush Limbaugh disseminar todo o ódio contra imigrantes, negros e culpando a globalização, que “cada vez mais afasta os americanos do sonho americano que eles tanto querem”. É inflamado e funcionou no ano passado.

Foi plantando mentiras (e com uma pequena ajuda da Rússia) que toda a campanha vitoriosa de Donald Trump foi construída – não por acaso o seu principal conselheiro é Steve Bannon, dono do site conservador Breitbard News, um dos responsáveis pela maior parte desses fatos.

Homeland está completamente dentro de todo esse panorama, transitando entre o que é ficção e realidade com a eficiência e inteligência que vimos na temporada anterior. É por isso que a série, já renovada para mais duas temporadas, ainda promete continuar relevante nesses próximos anos que ela tem de exibição na TV. A única dúvida que persiste é que não se sabe como e de que forma Homeland irá encerrar esse ciclo.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Showtime]

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