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‘Sense8’ mostra ambições na 2ª temporada sem esquecer das ligações emotivas

Sense8 finalmente voltou para a 2ª temporada, após o aperitivo que foi o especial de Ano Novo no final de 2016 (leia aqui), para de certa forma dar mais respostas e explicações sobre os sensates, a existência de outros grupos, detalhes sobre as pretensões da organização que está atrás dos seres dessa espécie e, claro, como os próprios sensates irão lutar contra isso (sobrevivência). A trama importa e avançar é importante, claro, mas Sense8 demonstra cada vez mais também que está tão interessada na ligação emocional quanto na mitologia que construiu.

Os dilemas individuais de cada um são importantes nessa construção emotiva porque um sensate ajuda o outro a superar os obstáculos que aparecem em seus caminhos – além, é claro, da ameaça constante de Milton “Suspiros”. E essa estrutura é eficiente logo nos primeiros episódios quando Riley, Nomi e Will estão juntos à procura de Whispers, enquanto que Kala, Lito, Wolfgang, Capheus (ainda me acostumando com a mudança do ator) e Sun precisam primeiro ultrapassar suas próprias barreiras.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

O início da 2ª temporada de Sense8 continua imediatemente após o especial de Ano Novo. Riley e Will estão escondidos, se mantendo distantes da presença de Whispers e burlando como podem qualquer pista que possa levá-lo a encontrá-los. Os dois também, com a ajuda de Nomi, começam a investigar o passado de Milton, suas fraquezas e como machucá-lo. Isso não os coloca afastados dos problemas de Sun na prisão, de Capheus na África, de Wolfgang e seu primo na Alemanha, de Lito e sua trupe no México e de Kala na Índia. Agora eles estão ainda mais conectados, mais presentes na vida um do outro (como já foi reforçado por aquele especial de Ano Novo).

Foto: Divulgação/Netflix Brasil

Porém, o que mais de diferente das outras temporadas que Sense8 mostrou nos três primeiros capítulos é que os sensates são diferentes do homo sapiens. Vindos de uma espécie chamada homo sensorium, há muitas outras pessoas no mundo com as mesmas características que eles – e muitos vivem exatamente perseguidos assim como eles também. Há uma cena particularmente bonita quando a série relembra a mãe de Sara Patrell, uma personagem interessante ao colocá-la como a única ser humana capaz de ter a mente aberta para essa nova espécie e receber sem qualquer tipo de preconceito ou ameaça, acreditando de verdade nessa conexão emotiva que tanto une os sensates e que os fazem viverem de uma forma muito mais diferente do que o homo sapiens é capaz de compreender (ou aceitar).

Isso tudo funciona muito bem para a mitologia da série, algo que Sense8 sabe fazer bem. Mas a série ainda consegue também manter a tensão em nível sempre elevado, seja pela ameaça de Whispers, ou pelas descobertas dos sensates sobre esse personagem ainda tão misterioso (também a partir das respostas que eles estão encontrando) e principalmente pelas outras histórias paralelas que a edição (pra mim o elemento mais encantador da série) trabalha com extrema desenvoltura e leveza na montagem, indo de um sensate para o outro de maneira inteligente e sem que nunca haja confusão sobre o que é mostrado.

Essa é uma temporada onde os sensates, e a própria série, já com as relações estabelecidas e as ligações emotivas firmemente colocadas, aproveita a ambição que as irmãs Wachowski e J. Michael Straczynski têm de elevarem Sense8 a um outro nível. E já dá para notar essa pretensão logo nos primeiros episódios. Assista o trailer da 2ª temporada:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix Brasil]

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