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“Sherlock” tem episódio morno em especial (contém spoilers)

A série britânica Sherlock voltou no dia 1º de Janeiro em um especial, apenas para lembrar que ainda está aí e que as aventuras de Sherlock Holmes e John Watson continuam em 2017. A história ambientada no período da Londres victoriana e serviu de ligação para a trama atual da série não convenceu, apesar do buzz em torno do episódio, que até teve exibições em cinemas ao redor do mundo – não no Brasil. O caso “A Noiva Abominável” utilizado para o especial prometia uma grande produção – e haveria sido, caso a adaptação de roteiro não a esvaziasse a apenas um delírio por parte do nosso caro detetive protagonista.

O que se deu foi que após a morte de Moriarty, que explodiu os miolos com um tiro, Holmes começou a imaginar como o antagonista poderia ter sobrevivido, já que ele está presente na trama como uma sombra que ronda todos os casos apresentados. Não contente com a morte de Moriarty, o detetive volta a um caso da década de 1880 no qual uma noiva suicidou-se com um tiro na boca na frente de todos na rua, e voltou como “fantasma” para matar o marido e outros homens que a haviam ferido moralmente em vida. A intenção dele é desvendar como pôde a noiva ter tramado a própria morte, da mesma forma que Moriarty, e chegar assim à certeza de que o vilão morreu ou não.

Estaria aí um enredo muito rico e cheio de possibilidades, caso o desfecho não fosse tão forçado. Em meio às alucinações, Moriarty se apresenta como a grande causa da “loucura” de Holmes e até mesmo como o responsável pelo caso da noiva abominável, já que tudo é uma criação da mente do personagem de Benedict Cumberbatch. Numa das cenas, os dois se enfrentam sem armas diante de um precipício e o detetive conta com a ajuda do amigo Watson (que aparece do nada, com uma arma na mão) para derrubar o vilão – uma amostra do valor que a amizade entre os dois tem para manter a “sanidade” do principal.

Aliás, a relação entre os personagens de Cumberbatch e Martin Freeman é um dos motivos do episódio não ter se perdido em confusão: os diálogos e as piadas entre os dois fazem os melhores momentos do especial e mostram que, mesmo tanto tempo afastados ocupados em outras produções, eles não perderam a mão. Outro motivo é a produção própria da série que é moderna mesmo em período victoriano, com sacadas como o uso de gráficos para ilustrar telegramas utilizados no lugar das inúmeras mensagens que o detetive e o médico trocam entre si. Como é de costume, o episódio se mantém dinâmico e entretém.

Outro fator não agradou o pessoal do Trívia foi a reviravolta utilizada para resolver o caso da noiva abominável, esse talvez não tenha sido culpa da série em si, mas sim do autor original. Perdoe-nos, sir Arthur Conan Doyle! Mas, na contra-mão do trabalho maravilhoso do filme As Sufragistas, a história torna o movimento sufragista, em que as mulheres demandavam o poder de voto em Londres, em um grupo de vingadoras assassinas de homens que as maltrataram e que exigem justiça pelas próprias mãos. Caso os assassinatos fossem obra de apenas uma pessoa que tivesse perdido a razão, tudo bem, mas torná-los obra de um grupo feminino justiceiro pega mal.

Em todo caso, é maravilhoso poder relembrar as tramas de Sherlock e voltar nossa relação com os personagens tão carismáticos. Agora é esperar por mais um ano até que novos episódios sejam lançados e a história retomada em 2017.

Crédito da Imagem: Divulgação/BBC

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