Cinema

“Spotlight” traz à tona os jornalistas que mais admiramos no cinema

Um dos filmes mais cotados para vencer as principais premiações do Cinema neste ano é Spotlight, que estreia no dia 7 de janeiro (fique ligado que em breve sai a nossa resenha), e baseado em fatos reais conta a história de um grupo de jornalistas do Boston Globe que reuniu milhares de documentos provando diversos casos de abuso de crianças cometidos por padres e bispos da Igreja Católica.

Na época essa reportagem caiu como uma bomba. São jornalistas que correram atrás da história e não desistiram de perseguir a verdade, desvendando um dos casos que simplesmente chocou o mundo. Outros jornalistas fizeram o mesmo e também foram retratados em filmes.

Fictícios ou não, o que nos importa é a maneira humana como essas produções os retrataram. E, assim, fizemos uma lista dos jornalistas que mais admiramos. Confira:

Bob Woodward e Carl Bernstein – Todos os Homens do Presidente

Esses dois jornalistas do The Washington Post foram os responsáveis pela renúncia do presidente Richard Nixon por conta do escândalo conhecido como Watergate, quando cinco homens invadiram a sede do Partido Democrata. Interpretados por Robert Redford (Bob Woodward) e Dustin Hoffman (Carl Bernstein), os dois correm atrás da história e ganham a confiança de muitas fontes que não queriam se identificar. E a construção dessa credibilidade é um dos pilares para qualquer jornalista, algo que o filme deixa bastante em evidência à medida em que a história vai se transformando em uma reportagem muito grande, daquela capaz de fazer com que toda a mídia simplesmente te siga porque somente você tem a informação verdadeira – o chamado furo jornalístico.

Jeremy Renner vive o jornalista em Gary Webb "O Mensageiro" (Foto: Reprodução).
Jeremy Renner vive o jornalista em Gary Webb “O Mensageiro” (Foto: Reprodução).

Gary Webb – O Mensageiro

Gary Webb teve um destino trágico, mas a sua conduta como jornalista o levou a elucidar como o governo americano estava tratando a guerra às drogas, uma vez que os próprios políticos americanos tinham acordos com traficantes da América Central para trazer crack para dentro dos Estados Unidos. Um caso insano, né? Só que Webb trabalhava em um jornal pequeno, não acostumado a cobrir esse tipo de assunto e praticamente investigando por conta própria. Quando o caso veio à tona, o governo americano fez aquilo que se já se sabe: intimidação, ameaça e tentativa de desprestigiar a história e o autor. A carreira de Webb ficou marcada como se ele fosse mentiroso. Uma pena que ele não estava vivo para ver que, na realidade, tudo o que ele havia investigado era mesmo verdade.

David Straithairn desafia o senador McCarthy em "Boa Noite, Boa Sorte". (Foto: Reprodução)
David Straithairn desafia o senador McCarthy em “Boa Noite, Boa Sorte”. (Foto: Reprodução)

Edward R. Morrow – Boa Noite, Boa Sorte

No filme dirigido por George Clooney, o ator David Strathairn interpreta Edward R. Murrow, o âncora do famoso programa da CBS, 60 Minutes. Murrow expõe as táticas e mentiras usadas pelo senador Joseph McCarthy em sua caça aos comunistas. Mas ao invés de aceitar o direito de resposta, McCarthy tenta intimidar Murrow e toda a equipe de jornalistas da emissora, o que inicia um intenso confronto público.

Boa Noite, Boa Sorte é aquele filme que soa atual em qualquer época, pois os jornalistas, a serviço da sociedade e de mostrar a verdade sempre. estão sempre sofrendo intimidações por aqueles que se acham poderosos – como os políticos, por exemplo.

Al Pacino passa credibilidade para Russell Crowe falar em público sobre a polêmica do tabaco. (Foto: Reprodução)
Al Pacino passa credibilidade para Russell Crowe falar em público sobre a polêmica do tabaco. (Foto: Reprodução)

Lowell Bergman  – O Informante

Falamos que Bob Woodward e Carl Bernstein tiveram um grande trabalho de confiança com as suas fontes. E isso também nos ajudou a escolher Lowell Bergman, interpretado por Al Pacino, em O Informante. Russell Crowe é um ex-executivo da indústria do tabaco que dá uma entrevista bombástica ao programa 60 Minutes dizendo que todas as empresas que fabricavam cigarros não só sabiam da capacidade que a nicotina tem de viciar, como também aplicavam aditivos químicos. Bom, a rede americana CBS ficou com medo de exibir a entrevista por conta do processo judicial que envolveria e acabou cancelando. É aí que entra Lowell Bergman para convencê-lo a falar em público sobre o assunto.

Peter Finch ganhou o Oscar de Melhor Ator como Howard Beele. (Foto: Reprodução)
Peter Finch ganhou o Oscar de Melhor Ator como Howard Beele. (Foto: Reprodução)

Howard Beale – Rede de Intrigas

Howard Beale ficou famoso pela expressão “I’m mad as hell, and I’m not going to take this anymore”, que se transformou até em campanha há alguns anos. E o personagem de Peter Finch (vencedor do Oscar de Melhor Ator em 1977) tem algo muito importante na profissão de jornalista: coragem. A rede de televisão americana UBS decide demitir Beale por conta da sua idade e pelos baixos índices de audiência do seu programa. O filme dirigido por Sidney Lumet critica a falta de escrúpulos dos executivos da televisão que transformaram as notícias em um circo sensacionalista, como é justamente o que acontece no longa. Beale parece ser uma marionete no meio de todo esse circo para alavancar a audiência, mas ele é muito mais que isso. E é por isso que o admiramos.

Antes de "Spotlight"
Antes de “Spotlight”, MIchael Keaton já havia vivido um jornalista em “O Jornal”. (Foto: Reprodução)

Henry Hackett – O Jornal

O filme O Jornal (1994) é muito lembrado por mostrar o funcionamento de uma redação de jornal, aquela correria das notícias chegando e a relação entre os jornalistas, que nem sempre é assim tão fácil. Mas é ainda melhor quando observamos Henry Hackett (Michael Keaton, que está no elenco de Spotlight), editor da parte de Cidades de um pequeno jornal nova-iorquino. Ele está prestes a ser entrevistado por um jornal maior e considerando a mudança, uma vez que o salário seria muito melhor e o seu atual jornal passa por dificuldades financeiras. O Jornal traz estereótipos da vida do jornalista (chegar tarde em casa, plantões, trabalho estressante na redação, entre outros), mas Henry Hackett é aquele jornalista que se preocupa com a responsabilidade em dar a notícia da maneira que é correta, sem puxar para o sensacionalismo com o intuito de vender. Bom, é a visão romântica do jornalista, né? E nós adoramos isso.

O trio de "The Newsroom" (HBO) não poderia ficar de fora dessa nossa lista. (Foto: Reprodução)
O trio de “The Newsroom” (HBO) não poderia ficar de fora dessa nossa lista. (Foto: Reprodução)

Mackenzie McHale, Charlie Skinner e Will McAvoy – The Newsroom (menção honrosa)

Falando em “visão romântica do jornalismo”, nessa lista não poderíamos deixar de citar o trio de The Newsroom, MacKenzie McHale, Charlie Skinner e Will McAvoy. Tudo bem, estamos falando agora de uma série, mas essa lista não seria a mesma sem The Newsroom. Poderíamos citar todos da equipe do News Night, jornal das 20h da Atlantis Cable News (ACN), que tem como âncora Will, que vinha apenas cobrindo os fatos e se preocupando com os números da audiência, até que Charlie decide mudar o formato em dar as notícias ao contratar a produtora MacKenzie McHale. Assim nasce a versão News Night 2.0, onde a cobertura dos fatos não é apenas dar a notícia, mas analisá-la, discutí-la, debatê-la, sem se preocupar com o que o resto dos telejornais estão fazendo. É lindo, né? E é mesmo. Criada por Aaron Sorkin, The Newsroom é tão obrigatória quanto qualquer um dos filmes que citamos nessa lista.

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