Stranger Things 3 segura diversão do início ao fim

Se é pra falar sobre a 3ª temporada de Stranger Things algo precisa ser deixado claro de antemão: é muito mais divertida do que a segunda. Ao contrário do que aconteceu no ano anterior, quando a trama enfrentou problemas para encontrar o tom correto, dessa vez Stranger Things 3 está mais afiada. Prova disso é que, mesmo com boa parte da turma dividida na maior parte dos episódios, a série descobriu outros personagens que se mostraram adições surpreendentes à trama e não ficando refém do seu elenco principal (o que, como já sabemos, é capaz de segurar a série sozinha).

Por outro lado, Stranger Things 3 ainda peca na falta de argumentos para explicar os acontecimentos sempre estranhos que acontecem em Hawkins, Indiana. Ou em não conseguir desenvolver todo o potencial que a trama tem a oferecer. Sem falar quando esquece de voltar aos temas que o próprio roteiro inseriu à narrativa como aconteceu na segunda temporada, quando não ficou muito claro o porquê do exército americano ser fascinado pela cidade. Os Irmãos Duffer, criadores, roteiristas e diretores da maior parte dos episódios não conseguem estabelecer um bom plot nesse sentido. Ambos também não conseguiram evitar a repetição da ideia de monstros que se aproveitam de um portal aberto para saírem do mundo invertido e invadirem a nossa realidade.

Novas dinâmicas

A trama fica melhor quando aposta em narrar a fase de transição das crianças para a adolescência, rendendo bons momentos nos primeiros episódios quando apresenta o romance entre Will e El, as tentativas fracassadas de Jim em impôr limites aos dois, ou em como o grupo demora para perceber que não são mais aquelas mesmas crianças que brincavam no porão de Will jogando D&D. Estas novas descobertas e dinâmica afetam os relacionamentos entre eles, ao mesmo tempo que dá uma oportunidade deles descobrirem novas amizades e viverem outras experiências. Quando a ação realmente começa, Stranger Things 3 deixa a aventura rolar no melhor sentido, oscilando entre a emoção e o susto.

Stranger Things 3 finaliza apostando em um desenvolvimento de narrativa cuja terceira temporada só deu um aperitivo do que ainda está por vir. É o que tudo indica, mas sabemos que o forte da série não é exatamente a sua trama de horror, ainda que consiga emular com eficiência as obras de gênero que marcaram a década de 80 e que funcionam como referência para a série.

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