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‘Stranger Things’: salada de referências volta a funcionar na 2ª temporada

Stranger Things recebeu muitos elogios em sua 1ª temporada. Foram tantos que a série conseguiu ser emplacada nas principais premiações. No entanto, uma das críticas que se fazia era pela falta de originalidade dos irmãos Duffer, criadores da série, em trazer tantas referências que mal conseguíamos ver o que tinha de assinatura deles. E na segunda temporada eles abraçaram essas críticas, a ponto de transformá-las em diálogo em certo momento da 2ª temporada.

A verdade é que as referências da série aos clássicos dos anos 80, da música ao cinema, funcionam mais uma vez. Além das já conhecidas ideias trazidas do cinema de Steve Spielberg, principalmente a (quase) inexistência da figura paterna, Stranger Things mistura um pouco de A Colheita Maldita com Alien, adiciona também X-Men e até Blade Runner (presta atenção na trilha sonora), para criar uma temporada que, apesar dos problemas, garante mais uma vez a diversão.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Apesar de começar a temporada respondendo uma importante peça da mitologia da série, aquela de que existe mais pessoas como a Eleven (Millie Bobby Brown) e que passaram pelo mesmo tipo de experimento, Stranger Things tenta nos instigar mantendo as ideias sobre o Mundo Invertido e suas criaturas fazendo movimentar a trama. Mas tudo isso vai perdendo força à medida que a temporada avança porque Stranger Things passa a envolver muito mais personagens coadjuvantes à trama principal do que as crianças que tanto despertaram nosso interesse no ano passado. Sem falar nos excessos dos irmãos Duffer em transformar qualquer banalidade em suspense, desde o simples caminhar dos personagens até uma lanterna de um carro que é desligada.

Isso abriu espaço para que mensagens importantes contra o bullying e a celebração da amizade ganhasse muito mais importância. Além disso, Stranger Things acerta também em conseguir reproduzir com fidelidade certas experiências que com certeza também passamos quando tivemos a mesma idade de Mike (Finn Wolfhad), Dustin (Gaten Matarazzo), Will (Noah Schnapp) e Lucas (Caleb McLaughlin). O momento que mais me vem à cabeça é quando todo o grupo se questiona quem é Mad Max, que estava detonando todos os recordes no fliperama. Após a descoberta e a surpresa, a presença de Max (Sadie Sink) provoca ciúmes e um certo racha no grupo, o que é bem interessante de observar.

Esse talvez tenha sido o momento de mais lucidez de Stranger Things em toda a temporada. Porque se tem uma coisa que funcionou no primeiro ano foi justamente a dinâmica do equilíbrio entre enfrentar os monstros e a relação do grupo que justificava assistir por serem tão divertidos juntos. Mas dessa vez a aventura de Stranger Things foi ofuscada pela decisão dos irmãos Duffer de contar inúmeras tramas paralelas. Mesmo entre altos e baixos, Stranger Things tem mais uma temporada divertida graças ao carisma de suas crianças.

Todos os episódios da 2ª temporada estão disponíveis na Netflix Brasil. Assista o trailer:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix Brasil]

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