Enquanto alguns críticos disseram ao longo da semana o Festival de Sundance desse ano foi um dos mais fracos na história, seja em termos de negócios e também de filmes exibidos. “Ainda que não tenha tido nenhum Manchester à Beira-Mar ou Brooklyn”, como disse uma reportagem da Variety, há algumas obras que se destacaram e que deveremos começar ouvir muito a falar pelos próximos meses do ano.

Abaixo listamos seis filmes que se destacaram no festival desse ano para você depois começar a procurar assistir. Confira:

A Ghost Story

Elenco: Rooney Mara, Casey Affleck, Will Oldham e Sonia Acevedo.
Diretor: David Lowery

David Lowery tornou-se reconhecido do grande público recentemente com a animação da Disney Meu Amigo o Dragão (2016), mas sabe como transitar entre os dois lados da indústria fazendo filmes para grandes estúdios (ele vai dirigir Peter Pan, que deve ser lançado em 2018) e outros que são mais autorais (como é o caso deste A Ghost Story).

Escrito pelo próprio Lowery com base em uma discussão que teve com sua esposa quando ambos debatiam se mudavam ou não de casa, ele não queria se mudar porque ouvia ecos no lugar das memórias que havia compartilhado com sua mulher (mas também dos últimos inquilinos que habitaram o lugar), o filme foi exibido no festival e motivou muitas discussões.

A Ghost Story acompanha o músico interpretado por Affleck, que sofre um acidente fatal e deixa seu espírito coberto de folhas que assombra a sua esposa viúva (Rooney Mara). Segundo o The Guardian, o filme é um exercício de experimentação e com apenas 87 minutos de duração, sendo cinco minutos filmados em um plano-sequência sem qualquer corte quando Rooney Mara come compulsivamente um pedaço de torta.

“Nem tudo é explicado em A Ghost Story, mas há o suficiente para uma discussão vibrante, criando uma profundidade fascinante que nas mãos de outro artista poderia facilmente ter sido apenas um estudo contado em formato de curta-metragem”, escreveu o crítico Jordan Hoffman.

Com os personagens identificados apenas como “C” e “M”, A Ghost Story levantou teorias ao longo dessa semana de festival em Sundance. E é possível que elas continuem à medida que o filme alcançar audiências mais expressivas.

Foto: Divulgação/Sundance Institute

Columbus

Elenco: Haley Lu Richardson, John Cho, Parker Posey e Rory Culkin
Diretor: Kogonada

Esse é o primeiro longa-metragem de Kogonada, artista conhecido nas redes sociais por seus trabalhos experimentais com vídeos e outros ensaios visuais. O filme é ambientado na cidade Columbus (no estado de Ohio), caracterizada por sua arquitetura histórica, e segue Jin (John Cho) e Casey (Haley Lu Richardson) que estão “presos” na cidade por conta de problemas familiares; ele precisa cuidar do seu pai que está em coma induzido; e ela precisa dar apoio à sua mãe que também não está bem de saúde.

Segundo o crítico Brian Tallerico do site de Roger Ebert, Columbus é um fime propositadamente lento no primeiro ato e dá espaço para os atores brilharem. “Cho nunca esteve tão bem e Richardson é uma revelação, entregando a mais memorável atuação do festival desse ano”. disse.

Ao ler a sinopse do filme, muitos logo pensarão nos filmes dirigidos por Richard Linklater daquela trilogia “Antes”, seguindo dois personagens que andam pela cidade e conversam entre si sobre qualquer assunto. E é isso mesmo, mas o filme é uma das gratas surpresas do festival desse ano, visto como contemplativo e sincero.

Foto: Divulgação/Sundance Institute

Mudbound

Elenco: Jason Mitchell, Carey Mulligan, Garrett Hedlund e Mary J. Blige
Diretor: Dee Rees

Publicamos recentemente um artigo sobre Mudbound (leia aqui) um dia após a exibição do filme em Sundance, quando os críticos estavam bem empolgados com o filme. Ainda agora pertinho do fim do festival, cuja premiação acontece no domingo (29), Mudbound é um dos filmes que mais chamaram atenção e que provavelmente irá atingir o circuito mais rapidamente.

Baseado no romance de Hillary Jordan lançado em 2009, o filme é dirigido por Dee Rees (responsável pelo premiado Pariah e o documentário da HBO Bessie) e ambientado na região rural de Mississippi no pós-Segunda Guerra Mundial. A história acompanha duas famílias, a branca McAllans e a negra Jackson, que trabalham na terra e têm seus próprios sonhos e esperanças para o futuro,

Como bem disse o The Guardian, “não há um protagonista na história porque todo o elenco se destaca e acompanhamos a história através do olhar de cada um deles, seja por meio de sussurros gravados em voice-over ou pelos cotidianos que levam”.

Para o site Thrillist, “Mudbound é uma observação urgente para um país dividido e um drama fascinante”. O filme foi aplaudido de pé no dia da exibição e é um dos favoritos a sair vitorioso do festival na premiação de encerramento.

Foto: Divulgação/Sundance Institute

The Big Sick

Elenco: Kumali Nanjiani, Zoe Kazan, Ray Romano e Holly Hunter.
Diretor: Michael Showalter

Se no ano passado as distribuidoras e os serviços de streaming travaram uma guerra para comprarem O Nascimento de uma Nação, dirigido por Nate Parker e que estava cotado à temporada de premiação mas desapareceu quando alegações de abusos sexuais contra Parker vieram à tona, esse ano a disputa foi por The Bick Sick. No final, a Amazon Studios bateu o martelo e comprou o filme por US$ 12 milhões.

The Big Sick é escrito por Kumali Nanjiani (da série Silicon Valley) e Emily V. Gordon, baseando-se no podcast que ambos apresentam chamado “The Indoor Kids” (ouça aqui). Em The Big Sick, Kumali interpreta ele mesmo: um aspirante a comediante de stand-up que apresenta alguns números em um clube noturno na cidade de Chicago. Emily é interpretada por Zoe Kazan, uma estudante de pós-graduação que participa de um dos seus shows.

Os dois se conhecem, começam a sair juntos até que se separam por causa do medo de Nanjiani de ser destituído de sua tradicional família paquistanesa. E isso torna um obstáculo importante no relacionamento entre eles. Mas então Emily fica doente de uma infecção misteriosa e é colocada em coma induzido pelos médicos para que estes tenham tempo de descobrirem a causa e procurar uma cura.

E é assim que o filme se torna, segundo o site The Verge, “engraçado, hilário e romântico.”

Foto: Divulgação/Sundance Institute

Call Me by Your Name

Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stulhbarg e Amira Casar
Diretor: Luca Guadagnino

Há alguns dias críticos publicavam artigos explicando o amor do público em Sundance pelo filme Call Me by Your Name, dirigido pelo italiano Luca Guadagnino (A Bigger Splash). Para o Vulture “esse é o verdadeiro marco de Sundance neste ano”.

Adaptado do romance escrito por André Aciman, o filme acompanha Elio (Chamalet), de 17 anos e que está passando o verão no campo no interior da Itália com os seus pais. Sem ter muito o que fazer, o entusiasmo do rapaz ganha força quando ele conhece Oliver (Hammer), um assistente de pesquisa americano que viajou até a Itália para trabalhar com o pai de Elio (Stulhbarg).

Elio e Oliver vão desafiando um ao outro para saber quem tomará o primeiro passo, transformando o verão quente em cenas eróticas que tornaram as sessões do filme bastante desconcertadas segundo alguns relatos. Bom, o próprio Guadagnino disse não gostar de qualquer prudência quando filma corpos nus.

Mas o filme, comparado a obras recentes como Carol, Brokeback Mountain e Moonlight, causou ótimas impressões em Sundance e deve sair de lá com alguma distribuição já encaminhada para chegar ao mercado em breve.

Foto: Reprodução

Get Out

Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keenner e Bradley Whitford.
Direção: Jordan Peele

Exibido como parte da sessão secreta de meia-noite (todo ano é escolhido um longa-metragem para esse horário, que acontece sempre às segundas-feiras) em Park City, onde acontece o festival de Sundance, Get Out é um “thriller de sobrevivência” que marca a estreia de Jordan Peele (criador da série Key e Peele) na direção.

A história começa quando uma menina branca leva o seu namorado negro para encontrar seus pais. As “boas-vindas” dadas pela família da moça reservam um segredo que causará medo, aflição, sustos e oferece uma crítica política e social ao manter o personagem principal preso enquanto a elite liberal branca pratica cultos enlouquecidos.

Get Out foi exibido fora de competição, mesmo porque esta é uma sessão onde os estúdios normalmente querem apresentar algum material novo para perceber a recepção do público e da crítica – filmes como Ninfomaníaca e O Destino Júpiter participaram recentemente. Tudo indica que Get Out passou pela prova de fogo e esperamos que chegue muito em breve.

A cerimônia de encerramento do festival de Sundance acontece neste domingo (29 de janeiro).

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Sundance Institute]

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