Sundance 2018: 10 filmes que torço para estarem no festival

É impressionante como o ano passa rápido, né?! Parece que foi ontem quando eu estava comentando sobre os filmes que haviam sido exibidos no Festival de Sundance e toda sua repercussão. Como 2017 está muito próximo do fim e 2018 logo ali, o evento cinematográfico que abre os trabalhos de mais um ano acontece justamente na estação de esqui de Park City a partir do dia 18 de janeiro até o dia 28 do mesmo mês. Entretanto, Sundance começa muito antes. Já em dezembro o festival anuncia os filmes que foram selecionados.

Por isso resolvi dar uma “ajudinha” ao pessoal lá de Sundance (até parece que eles estão lendo isso aqui, né?) e fiz uma lista de dez filmes que estou torcendo para serem selecionados e exibidos em Park City. Clique para continuar lendo e confira:

All About Nina

Reconhecida pelo roteiro de O Verão de Victor Vargas (2002), a roteirista Eva Vives agora prepara-se para fazer a sua estreia na direção com o filme All About Nina, trazendo no elenco Mary Elizabeth Winstead (da série Fargo e Rua Cloverfield, 10) e o rapper Common (John Wick: Chapter 2) como protagonistas.

A trama acompanha Nina Geld (Winstead), uma comediante que faz stand-ups e tem visto sua carreira decolando mas sem o mesmo sucesso na vida pessoal. Nina foge da sua cidade-natal para escapar de um ex-namorado e vai para Los Angeles, onde conhece Rafe (Common), responsável por quebrar as barreiras que ela próprio colocou em sua vida, inclusive em relação ao seu passado.

O filme nasceu, praticamente, dentro do Sundance Institute em 2016 no programa Roteiristas e Diretores, que justamente se responsabiliza por financiar novos trabalhos. As chances, então, do filme ser exibido em Sundance em 2018 são enormes.

Blaze

Ethan Hawke em bastidores das fimagens de Blaze. | Foto: Reprodução

O ator Ethan Hawke dirige, atua e escreve o seu novo trabalho, a cinebiografia Blaze, sobre o cantor e compositor de música country americana Blaze Foley. A trágica história, baseada no livro Living in the Woods In a Tree, escrita por sua antiga namorada Sybil Rosen, conta também no elenco com Sam Rockwell, Steve Zahn, Richard Linklater e Kris Kristofferson.

Blaze Foley foi um nome de grande relevância do movimento conhecido como Texas Outlaw Music, revelando artistas como Willie Nelson, por exemplo.  A carreira foi interrompida prematuramente aos 40 anos, quando o filho de um vizinho dispara um tiro contra o seu peito.

Beasts of Burden

O diretor sueco Jesper Ganslandt (Blondie e The Ape) tem tido uma carreira meio inconstante, mas o seu novo projeto, o primeiro em inglês, deve chamar atenção de um público maior ao escalar o ator Daniel Radcliffe que, desde o fim da franquia Harry Potter, tem se notabilizado por escolher papéis pouco convencionais. Não sei se vai ser o caso de Beasts of Burden, mas é uma tendência.

O filme narra a trajetória de um piloto que administra e envia drogas do cartel pela fronteira. Quando o DEA começa a investigá-lo, ele vai precisar fugir da polícia e dos seus atuais empregadores, que o buscam para a tradicional queima de arquivo com medo de que ele possa delatar a operação.

Além desse filme, Daniel Radcliffe também vai estrelar Imperium, no qual ele interpreta um policial disfarçado que se infiltra em uma gangue de supremacistas brancos. As filmagens de Imperium ainda estão acontecendo, enquanto que Beasts of Burden está em processo de pós-produção e deverá ficar pronto para Sundance.

The Catcher Was a Spy

Foto: Reprodução

Há uma expectativa por The Catcher Was a Spy, principalmente porque o filme deveria ter sido exibido no Festival de Toronto nesse ano e foi retirado de última hora por problemas na pós-produção que atrasaram a finalização do longa. Isso é algo muito comum: só nesse ano, os bem cotados You Were Never Really Here (novo filme da diretora Lynne Ramsay) e The Square (do diretor Ruben Ostlund e vencedor da Palma de Ouro em Cannes) foram exibidos no Festival de Cannes ainda sem terem sido finalizados – inclusive sem os créditos finais colocados nas cópias que foram usadas.

Parte também dessa expectativa por The Catcher Was a Spy é por se tratar do novo filme de Ben Lewin, diretor do ótimo As Sessões. O filme é ambientado no período da Segunda Guerra Mundial e acompanha o jogador profissional de beisebol Moe Berg, que também foi um espião durante os anos do conflito.

O elenco é repleto de grandes nomes: Guy Pearce, Sienna Miller, Mark Strong, Paul Rudd, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Jeff Daniels, Connie Nielsen e Shea Whigham. É torcer para que o filme esteja pronto e possa ser selecionado para o Festival de Sundance.

Come Sunday

Com os direitos de distribuição já comprados pela Netflix, Come Sunday junta os talentosos atores Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) e Martin Sheen (Grace and Frankie), num papel que antes tinha sido oferecido a Robert Redford, para contar a história de Carlton Pearson (Ejiofor), um pregador evangélico que começa a controvérsia ao pregar aos seus fiéis de que não há inferno após uma realização pessoal sua.

Nesse processo, Pearson perde praticamente tudo e precisa reconstruir sua congregação enquanto aprende a abraçar a sua fé pessoal. Sheen interpreta Oral Robert, um controverso evangelista que tem um programa de televisão e que serve como mentor de Pearson.

Come Sunday é baseado no episódio exibido em 2005 no podcast “This Is American Life”, o mais popular dos Estados Unidos, onde cada um capítulo escolhido é transformado em um ensaio para dissecar um tema e narrar de forma jornalística todos os fatos.

Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot

Joaquim Phoenix nas filmagens do novo filme do diretor Gus Van Sant. | Foto: Reprodução

O Festival de Sundance adora receber os filmes do diretor Gus Van Sant, um desses cineastas que consegue transitar entre filmes comerciais e outros mais autorais e experimentais. Nesse seu novo filme que sucede o fraco Terra Prometida, Gus Van Sant traz a biografia do cartunista John Callahan, morto aos 59 anos por complicações respiratórias em decorrência de ter ficado tetraplégico após sofrer um acidente quando tinha 21 anos.

Seu interesse em desenhar surgiu como terapia e levou o lado irreverente e impolítico de suas colunas para importantes publicações como a revista The New Yorker e o jornal NY Times, fazendo piadas com pessoas que sofrem de doenças e sendo ainda mais implacável com aqueles que acham que precisam lisonjear e ser condescendentes com eles. Por isso, seus desenhos causaram polêmica e foram alvos de boicote na imprensa local e nacional nos Estados Unidos.

O filme é baseado na autobiografia escrita por Callahan lançada com o mesmo título do filme, publicada em 1989 – Robin Williams já esteve até contado para interpretá-lo, tamanha a obsessão de Hollywood para levar essa história para os cinemas. Agora tudo parece encaminhado, inclusive com o elenco já formado por Joaquim Phoenix, Jonah Hill e Rooney Mara. Seria ótimo ver o filme estreando em um festival como Sundance.

Where’d You Go, Bernadette

Como não torcer para um filme dirigido por Richard Linklater e estrelado pela Cate Blanchett? Baseado no romance escrito por Maria Semple, Where’d You Go, Bernadette já ganhou data de lançamento para o Dia das Mães em 2018 e Sundance é o festival ideal para exibir o filme para a crítica.

A história acompanha a arquiteta Bernadette Fox (Blanchett), que desaparece misteriosamente num feriado deixando pra trás o seu casamento com um executivo do ramo de tecnologia e sua filha super-dotada para ir em direção à Antarctica. Além de Blanchett, Billy Crudup (Spotlight – Segredos Revelados) e Kristen Wiig (As Caça-Fantasmas) também estão no elenco.

Impeachment

A diretora Petra Costa (responsável pelo ótimo Elena) começou a se interessar em fazer um documentário sobre a polarização política brasileira no auge das manifestações em 2013. Passou a frequentar o Congresso com autorização e a documentar tudo o que via, juntando o material do seu novo documentário intitulado Impeachment.

Desde então, a diretora vem recebendo críticas (sem nem o filme estar pronto) de que o documentário foi “encomendado pelo PT” ou de que a ex-presidente Dilma Rousseff estava participando das sessões no Senado “atuando para o filme”, acusando-a de fazer propaganda partidária. Petra Costa teve sinal verde para transitar no Senado e, segundo ela nesta entrevista, isso causou estranheza e muito desconforto entre deputados e senadores.

Seja pela polêmica ou não, a cineasta é um desses novos nomes do cinema nacional que passamos a esperar com certa curiosidade um novo trabalho. E por ser o seu primeiro documentário político, relatando eventos tão tensos que marcaram a história do país, não é preciso dar mais justificativas. E o festival de Sundance, que vem selecionando longas brasileiros há alguns anos, pode ser um bom espaço para exibí-lo sem ser contaminado pela opinião daqueles que acreditam que o PT está fazendo campanha partidária com o filme.

Unsane

Steven Soderbergh largou a aposentadoria para experimentar um gênero no qual ele ainda não havia percorrido: o de horror. | Foto: Reprodução

Guardado a sete chaves, Unsane é um dos filmes mais aguardados para 2018. Filmado inteiramente com um iPhone por Steven Soderbergh (Traffic, Erin Brockovich), que desistiu da aposentadoria, e marca a primeira incursão do cineasta pelo gênero horror.

Escrito por Jonathan Bernstein e James Greer, Unsane conta a história de uma jovem mulher que “está involuntariamente comprometida com uma instituição mental onde ela é confrontada pelo seu maior medo. Mas será esse medo real ou produto de uma ilusão da sua mente?”.

A protagonista de Unsane é Claire Foy (The Crown), que conta ainda no elenco com Juno Temple e atores semiprofissionais que vivem na região de Ohio onde o filme foi filmado. Um deles deu entrevista recente e descreveu o filme como algo bem similar à Corra!, exibido em Sundance na tradicional sessão de meia-noite. Seria esta, aliás, uma boa forma de também apresentar o filme pela primeira vez e sentir a reação da audiência. Deu muito certo com Corra!.

Unsane tem data prevista de estreia para o dia 23 de março de 2018.

Wildlife

O Festival de Sundance ama dar oportunidade para novos diretores. Se ele já tiver uma história dentro do festival, então, nem se fala. O ator Paul Dano (Sangue Negro) faz a sua estreia na direção com o filme WildLife, no qual ele também assina o roteiro ao lado da sua namorada Zoe Kazan, e a probabilidade de ser escolhido para Sundance é muito grande.

A trama, baseada no livro escrito por Richard Ford, é centrada em um drama familiar de um menino cujo casamento dos pais se desmorona depois que sua mãe encontra outro homem. O elenco é formado por Carey Mulligan (Suffragette) e Jake Gylenhaal (Animais Noturnos e cotado para substituir Ben Affleck como Batman), cujos papéis que interpretam ainda não foram anunciados à imprensa.

Em um comunicado, Paul Dano afirmou que “sempre quis fazer filmes, ser um diretor e sempre soube que faria filmes sobre família”. Por enquanto, nenhuma data de estreia foi estabelecida. Mas a gente sabe que ser exibido em Sundance é um passo importante para garantir o lançamento nos próximos meses.

A seleção oficial do Festival de Sundance será anunciada em dezembro. E fiquem ligados que o blog Goodfellas vai trazer algumas novidades dessa cobertura!

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Sundance Institute]

1 Comment

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *