Martin Scorsese amplifica folclore em torno da histórica turnê de Bob Dylan

Quando anunciado pela Netflix, no final do mês de maio, “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story” marcava a segunda incursão do diretor Martin Scorsese pela carreira de Dylan após o bem-sucedido “No Direction Home”, lançado em 2005 e com pouco mais de três horas de duração. Este último, um documentário mais tradicional o qual …

Os filmes mais aguardados de 2019

Em uma temporada de premiações na qual estou acompanhando muito de longe e com pouca atenção, resolvi me concentrar na minha lista de filmes mais aguardados para assistir em 2019 (que eu pensei que não conseguiria fazer, mas consegui). Tem o prometido novo filme de Martin Scorsese, tem blockbusters, tem filme novo de Almodóvar, Quentin Tarantino e muitas outras produções. Confira a lista:

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O dia em que eu conheci Martin Scorsese

Era um sonho. Desses que faz até você escolher uma profissão sabendo que através dela poderá ser mais fácil de atingí-lo. Não passou pela minha cabeça que a escolha de cursar Jornalismo serviria para, quem sabe um dia, estar frente a frente com uma das mentes mais brilhantes que o cinema tem o prazer de ter. Mas enquanto o avião descia para pousar no aeroporto de LaGuardia, em Nova York, tudo começou a fazer sentido. Eu havia estudado quatro anos na faculdade de Jornalismo para chegar àquele momento: o de conhecer Martin Scorsese.

Eu era um dos jornalistas convidados para um encontro rápido com o diretor por causa do seu novo filme, The Irishman (2018). Poucas vezes tive o prazer de participar de algo assim e eu estava tendo uma série de “primeiras vezes” acontecendo ao mesmo tempo. Não só estava sendo a minha primeira viagem a Nova York (e aos Estados Unidos), como a primeira participando de uma cobertura tão importante e que, logo de cara, já me dava a oportunidade de ver de perto não só Martin Scorsese, mas também Joe Pesci e Robert De Niro. Era uma reunião de Os Bons Companheiros, basicamente. E eu sabia que viver esse momento já teria compensado todo o esforço de chegar até aqui.

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Especial Scorsese: temas mais presentes em seus filmes

Violência, crime e gângsters são assuntos que aparecem na maior parte dos filmes de Martin Scorsese. Mas o seu cinema é muito mais profundo que isso e revela outros temas que compõe o que o torna um diretor tão fascinante. Em sua infância, Scorsese era um menino retraído e morador do bairro Little Italy, onde ele assistia através da janela da sua casa todo o tipo de problema. E ele cresceu tentando compreendê-los, levando essa experiência para os seus filmes com extremo vigor e performance artística.

Embora a violência, carregada pela máfia italiana, esteja tão presente nos filmes, é impossível comentar sobre eles sem falar em religião, fé, moralidade, isolamento e uma tentativa de substituição da figura paterna que, no fim, sempre acaba terminando em tragédia. Observar esses temas em seus filmes é como conhecer Scorsese como ser humano, tão cheio de questionamentos e conflitos quanto os próprios personagens que retrata. São esses os temas mais comuns:

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Especial Scorsese: seus filmes sob o olhar da cinematografia

A parceria entre diretor-fotógrafo deve ser uma das mais essenciais para fazer o filme dar certo, em qualquer nível. As visões dos dois precisam estar alinhadas para juntos criarem a linguagem do filme, o humor, o estilo e todo o resultado que acabamos assistindo na tela. Grandes diretores se notabilizaram também pelo bom relacionamento com um diretor de fotografia responsável por colocar a visão do cineasta em cada quadro. Por exemplo: Bernardo Bertolucci e Vittorio Storaro (O Conformista, O Último Imperador e Último Tanto em Paris); Alfonso Cuáron e Emmanuel Lubezki (Gravidade e Filhos da Esperança); ou Woody Allen e Gordon Ellis (Annie Hall e Manhattan).

E com Martin Scorsese não foi diferente. Por isso resolvi citar a parceria do diretor com quatro cinematógrafos e a importância que cada um deles teve para a linguagem que o autor estabeleceu em seus filmes, influenciando uma geração de jovens cineastas e filmes que tentavam implantar a mesma dinâmica. Porque é impossível falar dos filmes de Scorsese sem citar a força das imagens de Touro Indomável (Michael Chapman), Os Bons Companheiros (Michael Ballhaus), O Aviador (Robert Richardson) ou Silêncio (Rodrigo Prieto). Cada uma das obras fotografadas por esses diretores é um modo de enxergar a visão de Scorsese para a sua narrativa, sendo também um passeio pela própria história do cinema. Em cada detalhe de um quadro, Scorsese e o seu diretor de fotografia deixaram a sua marca. E é isso que vamos discutir agora.

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