‘A Ghost Story’ agrada quando não tenta ser pretensioso e complexo demais

Me recordo de estar acompanhando o Festival de Sundance no início do ano quando o diretor David Lowery (Meu Amigo o Dragão) disse na coletiva de abertura que precisava fazer esse filme, tirado a partir de uma experiência pessoal na qual a casa onde viveu com a sua esposa parecia ser assombrada por fantasmas. Ele disse ter chegado a essa conclusão por causa dos sons estranhos que faziam no lugar, sendo esse o impulso para transformar esse medo na narrativa de um filme que, muito mais do que ser pessoal, trata-se também de um flerte do diretor com o cinema independente após estar a frente de blockbusters.

O que normalmente ocorre em narrativas sobre perda e de casas assombradas é acompanharmos a história através do ponto de vista de personagens que estão vivos e passando por esses medos e aflições ao perceberem que, aparentemente, não estão sozinhos. Lowery toma o caminho inverso: quando C (Casey Affleck) morre repentinamente, seu fantasma permanece preso à casa que ele dividia com M (Rooney Mara), passando a acompanhar, resignado e impotente, o seu luto.

Continue reading‘A Ghost Story’ agrada quando não tenta ser pretensioso e complexo demais

‘De Canção em Canção’ é o filme mais acessível de Terrence Malick dos últimos anos

Desde que iniciou essa fase de tramas desfragmentadas onde a câmera percorre várias imagens cujo sentido é o mínimo que se espera, Terrence Malick foi cada vez mais impondo sua estética e estilo em detrimento da história e da forma. O mesmo acontece em De Canção em Canção, seu mais recente trabalho e que foi exibido durante o Festival SXSW nesse ano. A diferença é que nesse filme é perceptível que existe traços de uma história sendo contada, ainda que mais uma vez o estilo se sobressaia.

Filmes como Voyage of Time: Life’s Journey (2016) e Cavaleiro de Copas (2015) são obras cujas estruturas ficcionais ou narrativas inexistem. De Canção em Canção também dá pistas de que essa preocupação não é o que move o filme, sendo o tempo um elemento desafiador para o espectador perceber como os personagens estão se movendo enquanto interagem entre eles mesmos a partir de colagens que foram captadas pela câmera do diretor.

Continue reading‘De Canção em Canção’ é o filme mais acessível de Terrence Malick dos últimos anos

Resenha: ‘The Discovery’ aborda de forma superficial trama de vida após a morte

A obsessão do ser humano em viver para sempre ou em saber o que há após a morte é facilmente comparada com o fascínio de explorar e pesquisar a existência de vida fora do planeta Terra. The Discovery, filme recentemente lançado na Netflix e exibido neste ano no Festival de Sundance, procura atingir justamente a questão do que há depois da morte – se é que existe alguma coisa. Mas falha na elaboração da narrativa, já que não debate e pouco oferece de “conclusivo”.

O Dr. Thomas (Robert Redford) é o responsável pela experiência que gerou a descoberta de um novo plano. Isso logo motiva suicídios em massa, e em grupo, de pessoas que querem passar por esse experimento e descobrirem o que há após a morte. Não é preciso refletir muito para saber que o caso se agravou a tal ponto que se transformou numa crise de saúde pública – marcada pela entrevista mal-sucedida que abre o filme. É uma pena, no entanto, que The Discovery nunca coloque este conflito em evidência.

Continue readingResenha: ‘The Discovery’ aborda de forma superficial trama de vida após a morte

Sundance 2017: seis filmes que mais se destacaram no festival

Enquanto alguns críticos disseram ao longo da semana o Festival de Sundance desse ano foi um dos mais fracos na história, seja em termos de negócios e também de filmes exibidos. “Ainda que não tenha tido nenhum Manchester à Beira-Mar ou Brooklyn”, como disse uma reportagem da Variety, há algumas obras que se destacaram e …