Cinema

Telefilme 'All The Way' revive clima conturbado na presidência de Lyndon B. Johnson

“All The Way” (“Até o Fim”) foi o slogan de campanha do presidente Lyndon Baines Johnson e que serve de título para esse telefilme, escrito por Robert Schenkkah (vencedor do Pulitzer em 2012) baseado na peça que ele mesmo encenou para a Broadway, e dirigido por Jay Roach (Trumbo). O filme para a TV acompanha os onze meses da administração do presidente (interpretado pro Bryan Cranston) que chega à presidência por conta do assassinato de John F. Kennedy.

Nesses onze meses Lyndon B. Johnson (‘LBJ’) precisa lidar com diversas crises. Em primeiro plano, emergência para votar a lei dos direitos civis que está emperrada na Câmara dos Deputados e precisa chegar até o Congresso para ser votada e transformada efetivamente em lei. Segundo, a guerra do Vietnã que não é vista como necessária à medida que tantos soldados vão perdendo vidas. E o terceiro, um caos dentro do partido Democrata motivado em grande parte pela morte de Kennedy.

Bryan Cranston vive LBJ intensamente e tomado por uma aura de desconfiança, insegurança e medo que as pessoas ao seu redor percebem nele, além da sua característica fragilidade por já ter sofrido um ataque cardíaco anos atrás. Por outro lado, ele é um político ambicioso LBJ é autoritário, não é uma figura simpática, mas demonstra um interesse imponente em querer ser reconhecido pela história por algo bem feito – e não por ter se tornado um “presidente por acidente. E a sua oportunidade está no movimento dos direitos civis.

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Mas ao se aliar com o Dr. Martin Luther King (Anthony Mackie, em uma composição muito boa do mitológico líder dos movimentos de direitos civis), LBJ perde algumas alianças e amigos. É o caso do seu mentor, o senador Richard Russell (Frank Langella, como sempre excelente), e do próprio partido Democrata da área sulista dos EUA, que não dá a mínima para os movimentos que acontecem em Mississippi, quando os negros tentavam se registrar para votarem e eram espancados (e frequentemente mortos).

Por outro lado, Lyndon B. Johnson tem a companheira Lady Bird (Melissa Leo, demorei para reconhecer que era ela) como uma mulher leal e que está sempre ao seu lado não importa o que aconteça, mesmo quando é hostilizada na frente de assessores em um dos corrqueiros ataques de raiva do presidente, que não é de medir as palavras e não tem como ponto forte o poder da comunicação – contanto que as coisas acontecessem do seu jeito.

Foto: Divulgação/HBO
Foto: Divulgação/HBO

Mesmo com tantas crises acontecendo e tendo que ser contornadas, All the Way não é um telefilme ingênuo porque sabe que tudo no final pode ser resumido pela palavra “poder” (que o dia a sequência em que o chefe do FBI, J. Edgar, escreve uma carta descreditando o Nobel da Paz recebido por Martin Luther King sem qualquer conhecimento do presidente). Assim, quem tem mais poder e influência terá uma enorme chance de vencer no final – e por vezes essa é uma vitória apenas momentânea.

Em um ano com outras produções como The People v. O.J Simpson e Confirmation, por exemplo, que retratam os mesmos temas que são debatidos em 1964 e que resultam na lei de direitos civis, All the Way só comprova que a guerra mencionada pelo Dr. Martin Luther King Jr. em uma passagem do telefilme ainda não foi totalmente vencida (prova disso é o próprio movimento Black Lives Matter). Batalhas, sim, essas foram sendo ganhadas ao longo do tempo. Mas não a guerra.

Entretanto, mesmo controverso, Lyndon Johnson deixou o seu legado e virou a história. Tenho certeza que isso lhe trouxe um sentimento reconfortável que All The Way faz questão de esconder.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem: Divulgação/HBO]

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