‘The Cloverfield Paradox’ é um filme dispensável à franquia

A Netflix divulgou de forma surpreendente The Cloverfield Paradox, o terceiro filme da franquia Cloverfield que se conecta ao universo dos dois longas-metragens anteriores, logo após o Super Bowl do último domingo. A estratégia foi mais eficiente que o filme. Porque The Cloverfield Paradox a todo momento me fez parecer que eu estava assistindo um Piloto mal acabado de uma série de televisão. Se no primeiro Cloverfield (2008) se mostra eficiente ao colocar a câmera sob o olhar aterrorizante das pessoas enquanto eram atacadas por um monstro que elas mal conseguiam ver, o segundo Rua Cloverfield, 10 (leia aqui a resenha) manteve a narrativa tensa ao se ambientar num claustrofóbico abrigo, o terceiro simplesmente joga tudo o que foi construído fora.

Rua Cloverfield, 10, por exemplo, traça uma história paralela aos acontecimentos do primeiro filme. Dessa vez, em The Cloverfield Paradox, a trama se passa no espaço, com a tripulação formada por pessoas de diversos países (tem até um brasileiro lá) realizando experimentos com o acelerador de partículas para encerrar a crise energética na Terra. Mas é claro que as experimentações não prosseguem como o esperado e gera incompatibilidades ao atingir um bóson de Higgs, então responsável por causar mudanças reversas no planeta muito difíceis de serem controladas, abrindo espaço para a entrada de monstros e outros seres que não fazemos ideia. Bom, essa é a ideia que o filme vende. E que não nos convence em momento algum.

A dinâmica de The Cloverfield Paradox tenta ser de um filme como Alien, com os tripulantes presos na nave espacial, tentando reestabelecer contato com a Terra e a Estação Espacial, enquanto aparentemente estão sendo atacados por algo que eles não conhecem – ou coisas estranhas começam a acontecer. Mas o roteiro também não faz questão de se aprofundar nos conflitos que Alien provoca à medida que o suspense aumenta, preferindo apostar em piadinhas sem qualquer sentido ditas por Chris O’ Dowd ou em diálogos fadados a serem piegas e auto-explicativos demais que pouco adicionam de substância à narrativa.

Aliás, se os dois primeiros filmes da franquia chamavam atenção justamente pelo caráter criativo e ousado com que a história era contada, The Cloverfield Paradox parece ser um filme que, ao contrário da proposta inicial, não se encaixa no universo dos longas apesar do esforço de nos convencer disso. E isso é uma pena porque após Rua Cloverfield, 10, a franquia produzida por J.J Abrams criou realmente uma alta expectativa. Porém, o fato de The Cloverfield Paradox ter sido lançado diretamente no streaming ao invés de ir para os cinemas pode servir como explicação para o fracasso que assistimos.

Assista o trailer:

The Cloverfield Paradox (idem, 2018)
Direção: Julius Onah
Roteiro: Oren Uziel
Elenco: David Oyelowo, Daniel Bruhl, Gugu Mbatha-Raw, Ziyi Zhang, Chris O’Dowd e Elizabeth Debicki,
Duração: 102 minutos

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