Quando The Crown estreou a 1ª temporada na Netflix Brasil li certas opiniões que tratavam com desinteresse o porquê de acompanhar as fofocas e dramas da família Real. No entanto, pra mim o que está claro tanto na primeira quanto na segunda temporada, é que assistir The Crown é acompanhar fatos que marcaram a História – ainda que muitas vezes nos questionamos o que é verdade ou invenção no roteiro escrito pelo experiente e premiado Peter Morgan. Além de ter uma produção caprichada, The Crown tem um elenco entrosado, com atores vivendo o melhor momento das suas carreiras. E isso só adiciona mais qualidade a uma série que nasceu para dar certa.

A segunda temporada começa exatamente de onde terminou a primeira, com a rainha Elizabeth (Claire Foy, em seu último ano interpretando a personagem e com uma atuação ainda melhor) tendo que conviver com manchetes nos jornais dando conta sobre uma possível crise conjugal em seu casamento com Phillip (Matt Smith). Essa tensão pontua toda a temporada, colidindo com as próprias tarefas que a rainha precisa exercer como chefe de um governo que, ao contrário da posição firme e de respeito transmitida pelo antecessor Winston Churchill (John Lithgow), agora enfrenta desconfiança e falta de protagonismo pela ausência de liderança de primeiro Anthony Eden (Jeremy Northam) e depois Harold MacMillan (Anton Lesser).

Nos quatro primeiros episódios The Crown se preocupa em nos envolver emocionante pelo o que está acontecendo no casamento entre Elizabeth e Phillip. Os enquadramentos mais escuros e sombreados transmitem a solidão da rainha, diferente das cores mais vivas posteriormente quando a família se reúne para um retrato. As tramas ficam mais interessantes quando fatos históricos marcantes voltam a preencher a narrativa, como a visita do presidente Kennedy (Michael C. Hall, em atuação apagada) e da sua esposa Jackie Kennedy (Jodi Balfour) e a má impressão deixada pelos dois durante a visita ao palácio de Buckingham, a escalada de tensão pelo aumento do poderio socialista russo que ameaça as regiões controladas pela Inglaterra e a derrota vergonhosa no conflito que marcou a barragem de Suez, no Egito.

Apesar disso, é ainda mais importante acompanhar nessa temporada como o pensamento que os britânicos tinham sobre a monarquia começa a mudar – principalmente na cobertura da imprensa (que é tão invasiva quanto aquela que já foi mostrada anteriormente). O modo antiquado de optar pela monarquia enquanto o resto do mundo caminha para um modelo de governo republicano, democrático e progressista, põe em risco a sobrevivência da família Real. The Crown explora muito bem isso, inclusive mostrando toda a fragilidade da rainha tendo que ceder às inevitáveis mudanças. E isso, claro, nos provoca uma certa admiração por Elizabeth, algo que mesmo àqueles que fazem objeção a esse modelo e a ela precisam admitir.

O erro dessa temporada de The Crown foi dar tanto espaço para Phillip – ainda que me tenha dado a impressão da necessidade de fazer isso. Mas aqueles episódios focados em sua figura acabaram sendo os mais tediosos de assistir. O oposto acontece nos capítulos centrados na relação entre Elizabeth e sua irmã Margaret (Vanessa Kirby), obstinada a casar e competir por todo momento para chamar mais atenção para si mesma. E como um erro puxa outro, The Crown peca também no final ao resolver o principal conflito da temporada de forma brusca e rápida, quando Phillip finalmente resolve aceitar o seu papel no casamento relembrando as palavras que o falecido rei George lhe disse. Isso não estraga a temporada de The Crown, que mais uma vez preenche a narrativa de detalhes, pesquisa histórica e uma boa dose de drama para investigar a história.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix]

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