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‘The Handmaid’s Tale’ exibe futuro distópico que guarda semelhanças com a realidade

Não conhecia o livro de Margaret Atwood até ficar sabendo da série The Handmaid’s Tale, que estreou no serviço de streaming Hulu na última semana já liberando três episódios para serem vistos. Talvez uma parte do público seja exatamente como eu: não conhecia o livro, mas encontrou tantas semelhanças com a trama escrita por Atwood que rapidamente a série se transformou em uma das mais esperadas desse ano.

O futuro distópico onde uma república ultra-conservadora é criada e emerge ao poder (com um discurso de que Deus é o culpado pela Praga da Infertilidade que toma conta do país) encontra paralelos com o governo-eleito de Donald Trump, justamente formado por uma elite branca e extremamente conservadora cujas eleições foram vencidas plantando notícias falsas, atacando e desvalorizando as mulheres e pelo crescente discurso de ódio voltado contra as minorias.

A trama se passa nesse futuro onde todo o país como conhecemos se transformou e não é mais o mesmo – há referências aqui e ali ao Uber, ao Tinder e o uso de celulares como exemplos de como a sociedade era antes. Offred (Elizabeth Moss) assume o papel de narradora depois de ter sido presa ao tentar atravessar a fronteira com o Canadá com seu marido e sua filha. Ela, sua companheira Ofglen (Alexis Bledel) e outras mulheres do Centro Vermelho (vestidas sempre com um vestido vermelho e uma proteção que não as deixam olharem para o lado), são treinadas e educadas nessa pós-distopia a obedecer os homens e servirem apenas para engravidarem e continuarem povoando essa nova república para que mais crianças possam ser também treinadas desde o princípio.

Foto: Divulgação/Hulu

No universo de Atwood, e no aspecto visual de Bruce Miller (criador da série), The Handmaid’s Tale é uma produção de terror (ou suspense) cujas aparências coloridas e bem organizadas dessa nova sociedade (o verde das árvores que colore as ruas) escondem o que de fato essa distopia representa: uma prisão. Ainda que demore para se acostumar com os termos, The Handmaid’s Tale é muito eficiente ao estabelecer a tensão provocada por esse mundo controlado pelos homens. As mulheres são apenas servas e exercem funções específicas, controlando cada passo delas na tentativa de mantê-las na linha.

O Olho, como alerta Ofglen em um determinado momento a Offred (todos esses nomes são dados após o treinamento que elas passam), está em todo lugar e é uma espécie de espião, um vigilante que é posicionado estrategicamente para saber se essas mulheres estão cumprindo com seus deveres. Caso elas não estejam, seja pensando em uma fuga ou se rebelar contra essa ordem, elas são mandadas imediatamente para um lugar onde trabalham catando lixo tóxico e morrem lentamente.

Como um thriller de suspense, The Handmaid’s Tale é muito eficiente. Mas, infelizmente, também como um aspecto dessa realidade fantasiosa que ainda não vimos chegar a esse ponto (mas cujas semelhanças são assustadoras) a série parece ser “verdadeira” demais para um futuro distópico que preferíamos pensar mais de forma ficcional do que real. Como uma própria linha do roteiro do episódio Piloto diz, “esse futuro pode não parece comum no primeiro momento, mas depois de um tempo vai ser”. Isso é o que assusta, tanto para essas mulheres em The Handmaid’s Tale que perderam o controle sobre as suas vontades, quanto às mulheres da nossa realidade que veem com incerteza e desespero essa sociedade que estamos todos convivendo.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Hulu]