As adaptações dos livros do autor britânico John Le Carré são sempre rodeadas de muita expectativa. E, normalmente, alcançam um resultado muito bom. Filmes como O Espião Que Sabia Demais, O Mais Procurado, A Garota do Tambor e O Jardineiro Fiel estão aí para não nos deixar mentir. Por isso que quando The Night Manager estreou (a sua primeira adaptação para a TV) canal AMC (com produção da BBC) em formato de minissérie, também criamos uma alta expectativa. Mas, infelizmente, é uma grande decepção.

Protagonizada por Tom Hiddleston (A Colina Escarlate) e Hugh Laurie (de volta à TV depois após interpretar Dr. House) e dirigida por Susanne Bier (do ótimo Em Um Mundo Melhor, de 2010), The Night Manager teve o seu sexto e último episódio exibido na noite de segunda-feira (28) no canal AMC, aqui no Brasil. A minissérie guardou tudo para o final quando realmente conseguiu soar tensa e também interessante. Mas isso não elimina o restante dos capítulos. The Night Manager se perdeu em sua própria trama e não conseguiu desenvolver a história de uma forma que soasse ao menos plausível para quem estava assistindo.

A trama prometia entregar um embate de titãs entre Jonathan Pine (Hiddleston), um ex-militar que voltou da guerra no Iraque, e Richard Roper (Hugh Laurie), um magnata britânico que usa seu trabalho de filantropia e empresas de fachada para esconder o tráfico de armas com a ajuda de pessoas ligadas ao governo do Reino Unido. Essa trama contada sob influência de qualquer filme do agente James Bond, usando diversas locações, mansões em lugares absolutamente maravilhosos e seus personagens esbanjando uma boa vida.

Foto: Divulgação/AMC/BBC
Foto: Divulgação/AMC/BBC

Mas entre contar essa boa história e misturá-la com doses que lembrassem alguma espionagem ao estilo James Bond, The Night Manager não consegue fazer nenhuma das duas coisas. Os diálogos soam forçados e não conseguimos entender como alguém tão preocupado e meticuloso com segurança como Richard Roper não consegue detectar a ameaça de ter um estranho (o próprio Pine) convivendo com ele e os seus negócios escusos tão de perto. Assim, é também incompreensível que ele comece a perceber isso apenas nos dois últimos episódios que, de certa forma, correm para dar um desfecho que seja ao menos satisfatório para a história. No fim, Roper é apenas um homem ingênuo demais mas não há como acreditar nessa possibilidade considerando todo o império que ele montou e em como ele conduzia os seus negócios.

Apesar de ter todos os indicativos de que a trama caminharia para um desfecho ruim por conta do que vinha sendo visto nos episódios, por termos nos esforçado tanto para assistir a minissérie sentimos que fomos até premiados. Se não vimos nada de “boa espionagem” na série inteira, finalmente pudemos acompanhar alguma ação nesse capítulo com Jonathan Pine montando uma pequena equipe para arruinar a venda de armas, a tensão criada dentro do cassino preparando a sequência que viria logo em seguida e peças importantes que foram caindo – assim como o aspecto de superioridade e autoconfiança de Richard Roper, que não só viu todo o seu negócio arruinado como ainda teve um fim trágico e merecido (e Hugh Laurie entrega uma ótima atuação nessa sequência).

Foto: Divulgação/AMC/BBC
Foto: Divulgação/AMC/BBC

Claramente, The Night Manager poderia ter sido uma minissérie muito melhor do que foi. Os personagens poderiam ser menos superficiais e com mais conflitos, assim como a trama poderia ter elementos que a fizessem ser mais tensa como se estivéssemos em um jogo de espionagem mesmo. Não é isso que vimos durante os seis episódios. Entretanto, ao menos foi bom ver que ao final a série conseguiu dar o suspiro de qualidade e boas intenções que tanto falhou anteriormente.

Crédito da Imagem: Divulgação/AMC/BBC

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