Cinema

'Trainspotting 2' é uma continuação que nada agrega ao primeiro filme

Quando Simon, conhecido por nós como ‘Sick Boy’ (Jonny Lee Miller), diz ao seu melhor amigo Renton (Ewan McGregor) “você só está aqui pela nostalgia” faz parecer uma provocação com quem está assistindo. Me fez pensar que realmente, naquele ponto da história, eu só estava mesmo interessado e atento pela nostalgia de rever esses personagens pelo que foi o primeiro Trainspotting, lançado em 1996 e que retorna agora para uma sequência que poderia muito bem ter sido esquecida.

A história se passa 20 anos após o primeiro filme quando Renton retorna para Glasgow depois de ter dado o golpe nos seus amigos Sick Boy, Spud (Ewan Bremner) e Begbie (Robert Carlyle). Os três estão em estágios diferentes das suas vidas mas não muito diferentes de como eles foram deixados no filme anterior, já que não conseguiram sair do ambiente hostil e problemático que eles mesmos se enfiaram, tentando sobreviver com alguns golpes aqui e ali ou jogando a toalha completamente.

Ao contrário do tom de urgência, da ousadia visual e da narrativa frenética do primeiro filme dirigido por Danny Boyle, que novamente tem o roteiro escrito por John Hodge (com base nos livros Trainspotting e Porno escritos por Irvine Welsh), em Trainspotting 2 nada disso é efetivamente visto já que o ritmo é constantemente quebrado. Também não oferece uma explicação convincente sobre o retorno de Renton, menos ainda ao fato de ser “bem” recebido por Spud e Simon mesmo após ter cometido o golpe, sendo apenas “caçado” por Begbie que, ao contrário dos outros, não esqueceu.

Foto: Reprodução

A coragem visual tão marcante no primeiro Trainspotting, que se caracteriza logo por aquela sequência de abertura quando Renton tem alucinações de que está sendo sugado para dentro de uma latrina em um ambiente tão sujo que estabelece imediatamente o tom alucinante da história, neste segundo filme o diretor Danny Boyle toma decisões preguiçosas e adota recursos visuais que se repetem como, por exemplo, a intervenção de um vídeo-explicativo projetado na lateral de um carro que surge como uma cópia pouco inspirada do que ele fez em uma sequência do longa Steve Jobs (2015) – naquela ocasião, muito mais eficiente.

Por isso eu volto ao que Simon diz a Renton: “você só está aqui pela nostalgia”. É nisso mesmo que Trainspotting 2 se encaixa. E nos fazer pensar de forma tão simplória (como o papel óbvio e batido que o roteiro de Hodge faz Spud desempenhar na parte final da narrativa) sobre o filme é um desperdício muito grande para uma história que poderia continuar sendo lembrada sem a necessidade da realização desta sequência. Trainspotting 2 vale apenas para rever esses personagens tão marcantes e que se transformaram em “ícones” de uma época”. E nada mais.

Assista o trailer:

Trainspotting 2 (T2 Trainspotting, 2017)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge (baseado nos livros “Trainspotting” e “Porno”, de Irvine Welsh)
Elenco: Ewan McGregor, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Ewen Bremner, Anjela Nedyalkova e Kelly Macdonald.
Duração: 118 minutos.

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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