“Trumbo: Lista Negra” revela perseguição anticomunista em Hollywood nos anos 50

Dalton Trumbo foi um dos roteiristas mais importantes da história do cinema. Na década de 40, ele já era considerado um dos mais famosos. Seus roteiros eram muito bem pagos e vivia uma vida confortável com a esposa Cleo (Diane Lane) e os filhos em um rancho. No entanto, membro do partido Comunista e solidário às ideias progressistas do movimento, foi colocado em uma lista negra com outros roteiristas e atores de Hollywood, que passou a boicotar os filmes que eram produzidos por eles. Muitos deles ficaram conhecidos como “Os Dez de Hollywood” (Hollywood Ten) após a lista ser publicada pela colunista Hedda Hooper (Helen Mirren) no site The Hollywood Reporter. O filme Trumbo: Lista Negra narra justamente esse período em que foi preciso para essas pessoas driblar a comunidade de Hollywood para conseguir trabalhar e se expressar como todos os outros.

Muitos não conseguiram sobreviver e tiveram as carreiras arruinadas. Nesta cinebiografia dirigida por Jay Roach (Recontagem e Austin Powers), escrita por John McNamara a partir da biografia “Trumbo” escrita por Bruce Cook, quem interpreta Trumbo no filme é o ator Bryan Cranston (Breaking Bad). Muito seguro, ele entrega uma atuação extraordinária. É impressionante a sua semelhança com Dalton Trumbo. Mas não somente isso, ele dá profundidade ao seu personagem e se entrega por completo a ele, que vai desde ser o roteirista mais bem pago de Hollywood até ser impedido de trabalhar por se recusar a dedurar os seus companheiros.

Quando Trumbo sai da prisão onde ficou quase um ano preso por desacato, ele passa a escrever usando diversos pseudônimos. E sem dinheiro para continuar sustentando a família, trabalha exaustivamente em várias histórias ao mesmo tempo, escrevendo roteiros até mesmo de qualidade duvidosa e fáceis de serem vendidos para estúdios pequenos que queriam produzir qualquer coisa. Mas mesmo nestas histórias, ele mostrava o quão talentoso era.

Mas também sob esses pseudônimos surgiram filmes que se transformaram em clássicos como A Princesa e o Plebeu (1953) e Arenas Sangrentas (1957), que lhe deram dois Oscars de Melhor Roteiro. Quando chamaram o nome, ninguém estava lá para receber o prêmio. Claro, todo mundo se perguntava quem era Ian McLellan Hunter ou Robert Rich. Foi um período muito difícil, não somente por não conseguir colocar o seu nome naquilo que escrevia, mas por ser tratado de forma destrutiva pela indústria. Além de Hedda, o filme também mostra o ator John Wayne (David James Elliott) liderando o comitê a favor do boicote  e de enfrentamento aos comunistas sob a mensagem de que estava defendendo a América dos anti-americanos.

Não é de se admirar que a sua filha tenha manifestado apoio ao candidato republicano Donald Trump recentemente. Mas o que é mais fascinante no filme, além da história de vida de Dalton Trumbo, é vermos personalidades como o ator Kirk Douglas (Dean O’Gorman) ou o diretor Otto Preminger (Christian Berkel) entrando e saindo de cena. Trumbo escreveu os roteiros de Spartacus e Exodus, para os dois respectivamente. Foram os primeiros longas-metragens que Dalton Trumbo voltaria a assinar com o seu verdadeiro nome.

O diretor Jay Roach, muito acostumado às comédias, adota um tom mais leve também no intuito de não cansar o espectador. E ele conduz bem o filme. O humor ficou na responsabilidade do ator Louis C.K, que interpreta o roteirista Arlen Hird. Ele faz um ótimo trabalho como comediante e em seus programas de stand up, mas em Trumbo: Lista Negra ele continua usando a mesma personalidade que o público já se acostumou a ver nos seus trabalhos anteriores. É uma pena que a sua atuação no filme seja tão rasa, porque aí pouco ajudou Bryan Cranston – que brilha, de qualquer maneira.

Para qualquer cinéfilo, Trumbo: Lista Negra é um filme obrigatório para conhecer a história e se aprofundar nela. Mas também ajuda a reforçar e a explicar o porquê de sermos tão fascinados por essa arte. O filme tem esse propósito também. Uma homenagem ao enorme talento de Dalton Trumbo, que nunca se deixou levar pelas pressões de Hollywood e continuou se expressando da melhor forma que podia. A história do cinema tem muito o que agradecer a Dalton Trumbo. E nós também.

Assista o trailer:


Crédito da Imagem: Divulgação

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