Entrar em Twin Peaks novamente é satisfazer um punhado de questionamentos que ficaram pairando em nossas cabeças desde o final da série em 1992. E como é de esperar também, David Lynch e Mark Frost não oferecem em nenhum momento respostas fáceis no retorno da série após 25 anos (como previu Laura Palmer). Tão surrealista quanto aquela derradeira series finale, Twin Peaks continua em sua missão de soar estranha, confusa e mexer com as nossas cabeças enquanto insistimos em assistir, em buscar talvez significados em cada quadro que possa justificar um pouco do que estamos vendo e entender o que na realidade está acontecendo.

Os primeiros episódios dessa nova temporada, uma continuidade como quer deixar claro David Lynch desde que a produção iniciou, apresentam basicamente tudo aquilo que estamos familiarizados. Mas o que de fato soa diferente são os símbolos e o surrealismo que David Lynch nos prega. Ainda preso numa espécie de universo alternativo (ou paralelo, como queira) que já dura 25 anos, o agente do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan) permanece desaparecido em nossa realidade enquanto assistimos o seu alter-ego do mal cometendo crimes e fazendo planos para continuar nesse mundo.

As mesmas peculiaridades que mantiveram Twin Peaks viva durante todos esses anos ainda motiva os espectadores, logicamente. Um experimento (fenômeno) que está ocorrendo novamente uma vez que parece haver um desequilíbrio no universo alternativo do Black Lodge, com pessoas disputando quem deseja abrigar o mal encarnado por Bob. Dessa vez, Twin Peaks também deseja expandir a sua trama que não se passa apenas na cidade que nos acostumamos a ver: um assassinato que acontece na região de South Dakota; uma sala mantida por um bilionário em Nova York para fins que ainda é impossível de entender; e um outro crime que ocorre em Las Vegas.

Foto: Divulgação/Showtime

Ao mesmo tempo que acompanhamos o andamento dessas investigações, o alter-ego do agente Cooper transita espalhando terror, medo e violência ao mesmo estilo de Anton Chigurh, o personagem icônico dos irmãos Coen no filme Onde os Fracos Não Têm Vez – enquanto que o verdadeiro Cooper tenta compreender o que está acontecendo no universo paralelo onde está preso. Mantendo aqui e ali diálogos não muito esclarecedores com o fantasma de Laura Palmer e outras figuras estranhas que habitam o Black Lodge, Cooper encontra uma maneira de sair porque é o momento do seu alter-ego voltar. Mas o mistério de como isso se dá ainda permanece e é bom se preparar para quebrar muito a cabeça ao longo dos próximos meses.

Esse é o sabor do gosto de desconhecido que parece nunca ter fim quando se trata de Twin Peaks. As primeiras duas horas desse retorno deixam claro as ambições da série, emprestando artifícios visuais e estéticos únicos que transformam a narrativa da série em um quebra-cabeça provocativo que à medida que avança parece mergulhar ainda mais em campos obscuros e por vezes incompreensíveis. Mas é isso que nos trouxe até aqui, certo? E é por isso que Twin Peaks revolucionou a TV uma vez. Agora, a série de David Lynch e Mark Frost se prepara para fazer de novo.

Assista o guia para se conectar à mitologia de Twin Peaks:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Showtime]

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