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“Vinyl” se inspira em “Mad Men” para se aprofundar no universo da indústria fonográfica

A tão aguardada estreia da série Vinyl, produzida por Martin Scorsese e Mick Jagger, finalmente aconteceu e deixou uma ótima impressão sobre o que esperar do seriado – inclusive pela expectativa toda gerada. Se inspirando bastante em Mad Men para contar a história dos bastidores da relação entre gravadoras, músicos, empresários e advogados, ou seja, tudo o que cerca o universo da música, Vinyl buscou estabelecer a posição de cada personagem e carregou o episódio de muito rock n’ roll, que fez até mesmo um prédio desabar de tão pesado que foi.

Martin Scorsese também dirige o primeiro episódio e isso já torna impossível não fazer comparações com os seus filmes que se passaram em Nova York durante a década de 70. Em algumas sequências, Scorsese mostra justamente a polaridade de sons e pessoas que habitam o espaço de Nova York, convivendo com a sujeira que é possível ver nas ruas e o caos causado por uma cidade que realmente parece nunca dormir, desligar.

Vinyl se passa durante o ano de 1972, é o marco inicial para contar a história de Richie Finestra (Bobby Cannavale, em inspirada atuação), diretor da gravadora American Century e que está passando por uma grave crise financeira. Ele está prestes a fechar a venda da empresa para a companhia alemã Polygram. Isso deverá salvar o negócio.

Mas, além da crise financeira, a gravadora também passa por uma crise criativa. Nenhuma banda nova, nenhum hit novo. O que restou no catálogo foram apenas os “artistas Bs” – isso sem falar no boicote de um importante radialista que se recusa a tocar os músicos que são ligados à gravadora por divergências com os empresários e executivos.

Escrita por Terence Winter, Rick Cohen, também por Martin Scorsese e Mick Jagger, Vinyl acerta de imediato ao mostrar a trama e o cenário no qual os personagens estão inseridos: muito sexo, drogas, rock n’ roll, armas, ou seja, um ambiente completamente hostil. Mas também muita gente tentando construir uma carreira, seja músico ou empresário. É o caso de Jamie Vine (Juno Temple), que enxerga a oportunidade de assinar com uma nova banda exatamente no momento de crise em que a gravadora não consegue achar nenhum artista novo – na reunião do departamento responsável por ouvir e filtrar as coisas boas, todo mundo ouvindo as primeiras canções do ABBA e ninguém se importando com a música que está tocando.

Para contar essa história, Vinyl se deixou influenciar bastante por Mad Men. Tem o “anti-herói” que vive no limite ao mesmo tempo que entende o seu público e sabe procurar o tipo de som que precisa (semelhanças entre Richie e Don Draper); uma mulher (Jamie) que, assim como Peggy Olson, está tentando crescer em um ambiente hostil rodeado por homens; e a mulher de Richie, Devon Finestra (Olivia Wilde), independente e que está experimentando a sobriedade para ficar longe de confusão e dar atenção à família, algo que Richie também tenta fazer.

Logicamente, as coisas durante o episódio não vão dando muito certo e existem algumas boas reviravoltas que garantem a atenção da série, deixando aquela sensação de que poderíamos continuar assistindo mais e mais epsiódios – isso se eles fossem lançados todos de uma vez, como a Netflix faz. A trilha sonora é impressionante, uma mistura de rock pesado, outra hora blues, também um pouco de jazz, que pontua a trama de forma elegante, com sequências interessantes que parecem um videoclipe, mas filmadas com imensa poesia por Martin Scorsese. Aliás, a direção de arte da série, os figurinos e toda a ambientação da Nova York dos anos 70 é um dos pontos altos de Vinyl – e mais uma semelhança com Mad Men, que também se caracteriza por sua estética.

Vinyl não só contextualiza e ambienta bem a história, como também mostra a linha tênue que existe entre todos os excessos que vemos durante o episódio. Difícil mesmo é não sair fascinado pela trama e por aquilo que ela promete contar, tendo um enorme espaço para evoluir. É também uma trajetória de altos e baixos do protagonista Richie Finestra, que se assemelha à própria busca na tentativa de encontrar aquele som que faz sentido – ou simplesmente aquela música que tenha um grande sucesso comercial. A música já era um negócio há muito tempo e era preciso ficar esperto para não ser deixado para trás. E isso é tudo que Richie quer ser, tentando manter as coisas no lugar para não haver recaídas e acabar perdendo tudo, o qual levou anos para construir.

Assista o trailer:

(Atualização: Vinyl foi renovada para a segunda temporada pela HBO)

Crédito da Imagem Reprodução/HBO

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