Cinema

‘Viva – A Vida é uma Festa’ reverencia cultura mexicana

Viva – A Vida é uma Festa é mais uma dessas produções arriscadas da Pixar e que o estúdio americano consegue realizar bem. É comum ter temas desse tipo tratados no japonês Studio Ghibli, que compete normalmente com a Pixar, se aprofundando em dramas mais complexos e de poucas cores. Viva – A Vida é uma Festa trata da morte, mas a sabedoria da história escrita por Lee Unkrich e Jason Katz, e também uma das lições de moral do filme, a coloca como parte de uma cultura que, ao invés de reprimí-la ou tratá-la de forma mais triste, realiza justamente o contrário ao celebrá-la como se também estivesse celebrando a vida.

Ambientado no México, é no dia anterior à Festa dos Mortos que conhecemos Miguel (voz de Anthony Gonzalez) e sua família. Suas primeiras palavras são de uma possível maldição familiar que não o permite seguir o seu sonho de ser músico, proibido por sua avó Abuelita (voz de Renee Victor) e todos os familiares que viram o patriarca abandonar a família para seguir sua carreira musical. Nessa trajetória, Miguel vai compreender o verdadeiro significado do que é ter uma família, mas também a não desistir dos seus sonhos.

Viva – A Vida é uma Festa oferece aqueles clichês que de certa forma já até nos acostumamos a ver, não só em animações, como na maior parte dos filmes. As reviravoltas apresentadas surtem pouco efeito porque já são esperadas muito antes de acontecer. Miguel, por exemplo, acredita que o seu grande ídolo é um membro distante da família e talvez venha daí o seu talento como músico. Isso só serve de pretexto para ele descobrir que na verdade o grande responsável por toda a dita “maldição” da sua família, e o seu talento, é Hector (voz de Gael García Bernal), músico mexicano que está sendo esquecido pela filha que sofre de Alzheimer, Mamá Coco.

É justamente nessa reviravolta que o filme ganha mais força, prestando reverência à cultura mexicana e estabelecendo um visual único e cheio de vida quando começa a percorrer o mundo onde esses mortos se encontram. O fato de serem celebrados e comemorados por seus familiares os mantém vivos. Talvez em outras culturas seja simplesmente banal dizer isso, mas no caso do México há um significado por trás. Viva – A Vida é uma Festa deixa isso muito claro, transformando a aventura de Miguel em ser músico em na verdade uma jornada de quebrar a maldição da sua família enquanto ajuda a reconhecer Héctor, o grande músico por trás de todo o sucesso de Ernerso de la Cruz (voz de Benjamin Bratt).

Emocionante quando o filme chega na metade final, a Pixar novamente acerta ao conseguir nos envolver completamente em mais uma história criada pelo estúdio. E digo isso mesmo sabendo que Viva – A Vida é uma Festa não é aquela produção do estúdio que vamos colocar em uma lista de melhores – já presenciamos momentos igualmente emocionantes, só que ainda melhores e mais trabalhados. Mas não há como negar a força de Viva – A Vida é uma Festa, um filme que só ajuda a nos dar ainda mais senso do quando a nossa família é importante para nós. Mensagem que emociona as crianças, claro, e ainda mais os adultos – que podem ensinar para os pequenos o que isso significa para o futuro delas.

Assista o trailer:

Viva – A Vida é uma Festa (Coco, 2018)
Direção: Lee Unkrich e Adrian Molina
Roteiro: Matthew Modrich e Adrian Molina
Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt e Renee Victor
Duração: 102 minutos

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