Com ataques terroristas acontecendo em todas as partes do mundo, me parece irresponsável realizar um filme cujo mote é uma sátira militar ambientada no Afeganistão tendo como único propósito retratar as decisões absurdas tomadas por um excêntrico general, Glen McMahon (Brad Pitt), que está apenas interessado em se auto-promover. War Machine, novo filme original da Netflix que estreou no dia 26 de maio, tenta nos conduzir pelos mecanismos que mantêm uma guerra acontecendo e se perde nas próprias contradições porque nenhum argumento que vemos na tela alcança algum sustento ao longo de duas (intermináveis) horas.

O ator Brad Pitt retorna ao gênero comédia que ele não está acostumado a se arriscar, mas quando o fez em Queime Depois de Ler (2008) alcançou bom resultado. Ali, é claro, o ator contou com a experiência e criatividade dos irmãos Coen, completamente à vontade em transformarem uma história sobre o nada numa crônica satírica que sentimos prazer em acompanhar. Algo que definitivamente não acontece em War Machine.

Não se trata de nos acostumarmos com a caricatura de Brad Pitt para encenar o general que é respeitado por suas tropas e condecorado pelo país que serve. Mas antes mesmo da metade de War Machine já estamos cansados de todos os trejeitos que ele incorpora, que vão desde a voz rouca adotada, passa pela maneira esquisita com a qual ele corre todo os dias de manhã e chega até o jeito meio canastrão de se comportar que comprovam a ideia de que ele não sabe muito bem para onde quer ir. Um defeito que não é exclusivo do personagem vivido por Pitt, se não do próprio roteiro escrito por David Michôd (também diretor) ao construir uma narrativa opaca, que não diz nada e não chega a lugar algum.

David Michôd, que se baseou no livro Os Operadores escrito pelo jornalista Michael Hastings, quer que enxerguemos War Machine como uma obra satírica. Porém, a impressão que fica é a de que ele precisou entregar essa ideia com o objetivo de nos dizer logo sobre o que devemos esperar sem nos dar opção de escolha. Por que War Machine seria considerado uma sátira de um conflito que se estende há anos? Impossível saber. Na verdade, War Machine é um filme dispensável que merece passar despercebido – desperdiçando inclusive o elenco que tem, além de Brad Pitt, Ben Kingsley e Tilda Swinton fazendo pequenas e descartáveis aparições.

Assista o trailer:

War Machine (idem, 2017)
Direção: David Michôd
Roteiro: David Michôd
Elenco: Brad Pitt, Anthony Hayes, John Magaro, Anthony Michael Hall, Emory Cohen e Topher Grace.
Duração: 120 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix Brasil]

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