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'Westworld' impressiona em episódio de estreia

uso HBO finalmente estreou no final de semana a série Westworld, uma das mais esperadas de 2016 e que estava em produção desde 2014. Com nomes de peso envolvidos desde o primeiro sinal verde da emissora americana para a produção de um Piloto, não demorou muito para já começarem a pensar que Westworld seria a maior aposta da HBO para ser a nova Game of Thrones, se transformando assim no carro-chefe do canal.

Mas desde 2014 a série sofreu com atrasos e a produção chegou a ser paralisada nesse ano por alguns meses, colocando em dúvida se a série estrearia ainda em 2016. Desenvolvida por Jonathan Nolan (Trilogia Batman, A Origem) e sua esposa Lisa Joy Nolan, e com produção de J.J Abrams (Star Wars: O Despertar da Força) através da sua produtora Bad Robots, Westworld é baseada no filme Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (1973), dirigido e escrito pelo autor Michael Crichton (Jurassic Park, E.R).

[CUIDADO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Por isso dá para explicar o porquê da série ter criado tantas expectativas, certo? E confesso que fiquei bastante impressionado pelo primeiro episódio da série, que logo de cara consegue criar uma narrativa sólida e forte que tem muito potencial ainda para introduzir novas tramas e conexões. Westworld é um parque temático onde os ‘Guests’ (vou manter os termos em inglês porque isso vai ajudar bastante) compram um ingresso por $40 mil dólares e fogem da realidade convivendo com robôs que estão à sua disposição para fazerem o que quiserem.

Foto: Divulgação/HBO
Foto: Divulgação/HBO

Os robôs são os ‘Hosts’ e seguem um roteiro pronto de como reagirem e do que falarem. Um desses ‘Hosts’ é Dolores (Evan Rachel Wood, a mais antiga robô de Westworld), e quando somos apresentados a ela entendemos a natureza do funcionamento do lugar já que dia após dia ela acorda exatamente do mesmo jeito, faz as mesmas perguntas para o seu pai e sai para as mesmas atividades, vivendo em um loop eterno sem qualquer ideia sobre a realidade em que vive e seguindo protocolos por aqueles que tomam as decisões e são os responsáveis pelo lugar.

Esse fascínio pela relação entre humanos e máquina é antiga. Um dos exemplos mais icônicos é no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, quando a nave Discovery é totalmente controlada pelo computador HAL, o qual no meio da viagem entra em pane e tenta assumir o controle da nave eliminando um a um seus tripulantes. A questão em Westworld é a mesma: podem os seres humanos abusarem tanto das máquinas que em certo momento elas se rebelarão contra esse domínio e nos eliminarão?

A equipe liderada por Bernard Lowe (Jeffrey Wright) sob a supervisão do enigmático Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) estão justamente nesse caminho. Ao introduzir constantes atualizações nas máquinas, estas acabam as tornando instáveis e cria uma instabilidade em todo o ambiente. A obsessão em torná-las cada vez mais reais e com gestos específicos as deixa incontroláveis, um erro calculado pela equipe que logicamente vai começar a dar errado a ponto de uma provável revolução ser iniciada.

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Foto: Divulgação/HBO

Mais influências

Essa trama pode ser vista também em um outro trabalho do escritor Michael Crichton e que é possível notar certa influência em Westworld. No livro Presa (2003), uma experiência sai (lógico) totalmente errada e uma nuvem de nanopartículas escapa do laboratório (influência que J.J Abrams teve para criar a nuvem de fumaça que funcionou como um sistema de segurança na Ilha de Lost). Como está prestes a acontecer em Westworld, no livro os microrobôs receberam tantas atualizações e foram tantas vezes modificados que eles se tornaram autossustentáveis e os cientistas (humanos) transformaram-se em presas – algo que não está muito longe de acontecer na série de Jonathan e Lisa Joy Nolan.

Portanto, misturando Lost (o conceito do parque temático pode ser aplicado à Ilha) e A Origem (a ideia de que os robôs estão em um sono profundo enquanto histórias pré-programadas são colocadas em seus sistemas), Westworld exibiu um Piloto muito eficiente em contar uma história de aparente dificuldade de forma fácil e sem “viajar” tanto. Um outro elemento que chama atenção é o design de produção, que encontra harmonia entre o mundo imaginário de Westworld (cuja dinâmica lembra um jogo de videogame onde controlamos um personagens e as decisões que o jogador toma podem alterar os rumos da história, como em um RPG) e o real (sequências fora desse modo Westworld).

Agora que a série estreou, teorias sobre o parque, sobre o comportamento dos robôs e o alto grau de desenvolvimento de suas inteligências aumentadas e em como a ordem tão bem calculada de Westworld se altera transformando aquele ambiente controlado em hostil e instável, vão começar pra valer. Uma coisa Westworld já conseguiu neste primeiro episódio, que é nos manter curiosos para tentarmos buscar respostas sobre o que de fato acontecerá na série.

[Crédito da Imagem: Divulgação/HBO]

Um comentário

  • Maria Eu

    Ele nos promete muito e acho assim sera, Westworld hbo eu acho que é os melhores lançamentos do ano, impecável em cada detalhe, vou ser muito seguidor e eu peguei a história, embora eu não sigo muito o gênero western que não pára o gozo porque é uma mistura de ficção científica, com uma realidade alternativa que eu não acho que estamos muito longe com essas idéias que temos a raça humana para jogar criar a vida, faz-nos perguntar de que lado estamos, às vezes apoiamos a inteligência artificial ou a humanidade, é muito sábio para reprisar a história, o elenco é excelente, com algumas referências, outra vantagem é a música adaptada.

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