Cinema

Wim Wenders constrói ótimo drama em seu retorno à ficção em Tudo Vai Ficar Bem

O drama Tudo Vai Ficar Bem marca o retorno do diretor alemão Wim Wenders (Paris, Texas) à ficcão após dirigir vários documentários, entre eles Pina (sobre a bailarina também alemã Pina Bausch) e O Sal da Terra (sobre o trabalho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado). Se ele veio de uma fase tão bem-sucedida dirigindo documentários, Wenders mostra talento e sensibilidade para dirigir Tudo Vai Ficar Bem, um filme que falar sobre perda, dor, culpa e narra a história de personagens tentando superar os traumas que mudaram as suas vidas.

O roteiro escrito pelo norueguês Bjorn Olaf Johannessen (chegou a escrever um segmento do documentário Cathedrals of Culture, que tem direção de Wim Wenders) conta a história do escritor Tomas Eldan (James Franco) que se refugia em uma cabana para romper o seu bloqueio criativo. Em retorno para casa onde vive com a sua mulher Sara (Rachel McAdams) ele atropela uma criança. O fato muda completamente a sua vida, da sua mulher e de Kate (Charlotte Gainsbourg, não sabemos como ela consegue interpretar tantos personagens tristes e depressivos) mãe de Christopher (filho que sobreiveu) e que perde o seu outro filho, Nicholas, no acidente.

A partir daí, Wim Wenders e o roteirista Bjorn Olaf adotam uma estrutura que funciona muito bem ao contar a história de acordo com a passagem de tempo e em como esse elemento tem impacto na vida dos seus personagens. Tomas passa por momentos difíceis e usa a literatura como um escudo de proteção, ao passo que Sara percebe que não há mais como viver com ele e Kate tenta da maneira que pode seguir com a sua vida, se prendendo na Fé para superar a fase mais difícil da sua vida.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Poético e extremamente sensível na tradução dos sentimentos dos seus personagens em planos bonitos e altamente técnicos, que comprovam que o diretor sabe perfeitamente o que está fazendo ao conduzir a sua história, Tudo Vai Ficar Bem resguarda nas histórias de seus personagens um tom contido que permeia todo o longa. É importante notar a voz suave de Kate ao conversar com Tomas, como ela tenta se conectar a ele através de um simples toque em seu braço. Na ligação de perda que conectou os dois não há espaço para que um culpe o outro ou sinta remorso. O que acontece é justamente uma compaixão pela dor que ambos sentem por terem passado por uma tragédia totalmente inesperada.

Um tom que funciona até mesmo para construir as novas relações de Tomas e a superação de Kate com o passar dos anos quando a narrativa vai mostrando a evolução dos seus personagens, o amadurecimento deles enquanto começam a deixar o passado realmente para trás – mas sem nunca totalmente esquecê-lo. Por conta disso, Tudo Vai Ficar Bem nunca cai no melodrama gratuito. Pelo contrário: estabelece a relação dos seus personagens de maneira singela sem precisar apelar.

É muito bom, claro, ver o diretor Wim Wenders dirigindo novamente um drama. Mesmo que Tudo Vai Ficar Bem não esteja à altura de outras consideradas obras-primas que o diretor dirigiu como Paris, Texas (1984) e Asas do Desejo (1988), Wenders emprega um olhar sensível necessário para contar a história. E passando por uma tragédia como esses personagens passaram, a dor e a perda andarão sempre lado-a-lado com eles. E Wim Wenders transmite isso muito bem.

Assista o trailer:

Crédito da Imagem: Divulgação

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