A apagadora de incêndios

Edgar era do tipo metódico que todos os dias chegava do trabalho, às seis e meia, e ia direto para o banho. Esse era o seu ritual para se desligar dos problemas e descansar. A toalha de banho já ficava pendurada próxima ao chuveiro, as havaianas na porta do banheiro e as cuecas dobradas na primeira gaveta ao lado dos pijamas que também usaria. A água quente fazia o efeito calmante e ele se deixava demorar no chuveiro por uns quinze minutos. Mas naquele 13 de dezembro de 2024, o efeito calmante do banho não durou muito. Assim que chegou à pia, Edgar foi surpreendido pela falta do seu pente de madeira.

— Maria, você viu meu pente? — ele gritou em direção ao corredor, tentando que sua mulher o escutasse do andar inferior da casa.

Sem ouvir nenhuma resposta, Edgar xinga alto e começa a procurar nas gavetas, debaixo das toalhas, entre o papel higiênico, dentro da caixa de remédios. Nada. Será que a empregada guardou em algum lugar? Será que alguém da casa pegou o pente e não devolveu? A impaciência faz ele bufar vermelho.

— Maria, meu pente sumiu! — ele grita mais alto enquanto passa a buscar em lugares mais distantes. Olha debaixo do armário, dentro do box, atrás da privada. Os pés molhados vão deixando um rastro molhado por todo o banheiro. Nada. “Meu Deus, onde está essa mulher que não vem? Maria! O pente! Valha!” — mas na própria confusão, não consegue dizer uma palavra.

Mas naquele 13 de dezembro de 2024 o efeito calmante do banho não durou muito. Assim que chegou à pia, Edgar foi surpreendido pela falta do seu pente de madeira.

Maria finalmente chega na porta do banheiro e observa a situação, o marido com uma fisionomia horrorosa. Ela não precisa nem perguntar.

— Meu pente sumiu. Só tem o seu aqui. — ele diz com uma voz infantil patética.

Maria só precisa esticar a mão. Quando olhou para a bancada, bateu o olho no pente e tirou o pequeno instrumento de madeira preso entre o pote de escovas e a bandeja de perfumes. Bem na frente de Edgar, de ladinho, disfarçado. Foi como se tirasse uma moeda de trás da orelha do marido. Ele a olhou incrédulo e tomou o objeto sem dizer nada. Maria saiu calada, como entrou, e seu movimento fez passar uma brisa que refrescou o ambiente.

Larissa Seixas
Jornalista especialista em Mídias Digitais. Escreve ficção mas também sobre filmes, séries e livros que gosta. É viciada em Jane Austen, comédia romântica, bolo de chocolate e (infelizmente) redes sociais.

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