“McCartney: Man on the Run” mostra recomeço de Paul após os Beatles

“McCartney: Man on the Run” mostra recomeço de Paul após os Beatles

Mal terminei de assistir ao documentário McCartney: Man on the Run, disponível no Prime Video, e fui correndo ouvir Band on the Run, Silly Love Songs, Let ’Em In, Jet e tantas outras canções do catálogo do Wings – e da fase solo de Paul McCartney. É praticamente impossível não fazer isso, já que o filme, dirigido pelo requisitado Morgan Neville, faz um recorte justamente dessa fase da carreira do grande beatle Paul McCartney.

A partir de narrações retiradas de arquivos — sejam entrevistas relativamente recentes ou gravações mais antigas —, Neville joga luz sobre um período bastante difícil na trajetória de McCartney. Ao perceber que o fim dos Beatles estava próximo (e ele mesmo decide sair depois de revelar que John Lennon já havia dito, semanas antes, que também deixaria a banda), Paul resolve desaparecer. Literalmente. Ele se refugia em uma pequena fazenda em uma região remota da Escócia, onde tenta recomeçar a vida ao lado de Linda e das filhas, ainda amargurado pelo fim da banda que tanto amava — e pela irmandade construída entre seus integrantes, especialmente com Lennon.

Ao longo do documentário, McCartney relembra que tinha apenas 15 anos quando conheceu John. Nesse sentido, chegar aos 30 anos e se ver sem o amigo e sem a banda que fundaram juntos é quase como ser devolvido à adolescência, tendo que se reconectar consigo mesmo. Isso significa escrever, tocar e voltar a fazer música. É nesse período que surgem álbuns como McCartney I e Ram. Em determinado momento, um produtor chega a dizer que Paul McCartney basicamente inventou a música independente.

Observando como esses discos foram criados — inclusive os da fase do Wings, que ocupa boa parte da narrativa do documentário, desde a escolha dos membros da banda até as turnês pelo mundo —, é fácil entender essa afirmação. McCartney adota um espírito quase artesanal de “faça você mesmo”: grava diversos instrumentos, experimenta, mistura sons e trabalha em um estúdio nada convencional que, na verdade, é uma sala dentro de sua própria fazenda. Muitos dos ruídos que acabam invadindo as gravações permanecem ali, o que torna o resultado final ainda mais humano e profundamente pessoal.

McCartney: Man on the Run é cheio de momentos como esse, que mostram Paul experimentando enquanto tenta reencontrar seu caminho na música. Ao mesmo tempo, o documentário também enquadra a vida sendo vivida: a rotina ao lado de Linda e da família que os dois constroem naquele ambiente bucólico. Nesse sentido, trata-se de um trabalho bem diferente do documentário dirigido por Peter Jackson, que coloca o público diretamente dentro do processo criativo dos Beatles. Aqui, o foco é outro: a jornada de redescoberta de um artista após um período de intenso estresse e incerteza.

Por isso, é um documentário que deve agradar qualquer fã dos Beatles — especialmente aqueles que nutrem uma admiração particular pelo trabalho de Paul McCartney. Afinal, a sensação que fica é a de que o filme adentra sua intimidade de uma maneira que raramente vimos antes. Os Beatles — e os integrantes que ainda estão entre nós — continuam despertando essa curiosidade que se mistura com a profunda admiração que sentimos por eles e pelas músicas que criaram.

Talvez por isso, ao final do filme, a primeira reação seja voltar a ouvir essas canções. É como mergulhar em um tipo de nostalgia que não vem exatamente do documentário, mas da memória que cada fã construiu ao ouvir as músicas dos Beatles — ou do Wings — pela primeira vez e perceber o quanto elas marcaram um momento da vida.

MCCARTNEY: MAN ON THE RUN (idem, 2026)

Diretor: Morgan Neville
Elenco: Paul McCartney, Linda McCartney, John Lennon, Yoko Ono, Mary McCartney, Sean Lennon (todos em cenas de arquivos)
Duração: 115 minutos
Disponível: Prime Video.

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