O Quarto de Jack é um filme tocante e com atuações inspiradoras

O Quarto de Jack é um dos filmes mais interessantes dessa temporada de premiações – e talvez até um dos mais surpreendentes. Dirigido pelo cineasta irlandês Lenny Abrahamson (responsável pelo ótimo Frank) e com boas atuações da dupla Jacob Tremblay e Brie Larson, que carregam o filme e colocam toda a emoção necessária que transformam O Quarto de Jack em um grande filme.

A história escrita por Emma Donoghue (autora responsável pelo livro e também pelo roteiro do filme) é sobre Jack (Tremblay) e sua mãe Joy (Larson, primeiro chamada de Ma nos primeiros atos do filme), que vivem aprisionados dentro de um quarto. No aniversário de cinco anos de Jack, o garoto já começa a questionar o que eles fazem ali, enquanto que Ma tenta de todo jeito transformar aquela situação em um grande sonho, como se estivesse tentando aguçar a criatividade do seu filho e ajudá-lo a superar o que ele ainda não tem condições de saber – ou de entender.

A autora Elizabeth Donoghue se influenciou pelo choque com o caso de 2008 do austríaco Josef Fritzi, que trancou e violentou a sua filha por 24 anos. Ao ser libertada, Elizabeth Fritzi tinha sete filhos da relação forçada com o pai. O caçula, Felix, com cinco anos, nunca tinha visto a luz solar. Aliás, a única luz que Jack realmente enxerga é através de uma janela, por isso que quando ele emerge para o mundo tudo é tão estranho e fascinante ao mesmo tempo, enquanto nos deixa completamente perturbados por vermos os dois em uma situação tão extrema e deprimente.

Os dois bolam um plano de fugir dali e já desde o início, a direção de Lenny Abrahamson é bastante competente porque os seus planos são tão sufocantes quanto a própria trama e o ambiente no qual a história se desenvolve. Os planos fechados e às vezes desfocados dão um ótimo tom de prisão, assim como em outros planos quando a câmera é posicionada justamente no raio de visão do garoto, nos mostrando que estamos vendo a história através do seu olhar infantil e puro sobre o mundo. Em uma determinada sequência, Abrahamson filma de dentro do quarda-roupa, usado por Jack para dormir, e nas sequências que acontecem já fora do cativeiro a sua câmera está retraída em quase todos os momentos, assim como Jack, que se sente dessa maneira justamente por sua falta de contato com o mundo externo.

Quando a fuga de fato acontece, a história está apenas começando. Porque se antes enxergávamos a retração em Jack e nos perguntávamos como ele iria superar tudo aquilo após ter conseguido escapar, quem na verdade acaba precisando de mais ajuda é a sua mãe, Joy, que passa a questionar tudo o que está acontecendo ao seu redor. As atuações de Brie Larson e Jacob Tremblay antes já tornavam o filme impressionante, mas quando a trama chega no clímax do segundo ato, eles brilham ainda mais e é surpreendente a forma natural com a qual ambos atuam, como eles carregam tanta carga dramática e emocional em seus personagens.

Esse é outro ponto que chama atenção em O Quarto de Jack. O filme teria tudo para soar deprimente em sua abordagem, mas não é isso o que acontece. O isolamento dentro do quarto faz com que a imaginação de Jack passeie por diversas camadas, uma semelhança com o filme Indomável Sonhadora (2013), quando a menina Hushpuppy, de apenas 6 anos e vivendo numa comunidade miserável às margens de um rio, também se vê forçada pela imaginação a superar os traumas que a vida está lhe impondo tão cedo em sua vida.

Além da boa história e da boa maneira como ela é contada, O Quarto de Jack é composto por diversas cenas tocantes (a relação de Jack com a sua mãe quando eles conseguem fugir do cativeiro é sempre retratada de forma bastante sensível e engrandece ainda mais o filme). É difícil terminar de ver O Quarto de Jack e não sentir algo de arrebatador por algumas horas, seja pela trama ou, principalmente, pela atuação da dupla Larson e Tremblay.

Assista o trailer:


Crédito da Imagem: Divulgação

Vinícius Silva
Sou formado em Jornalismo e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. O vício em Filmes, Séries e nas Artes em geral me levaram à escrita.

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